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terça-feira, 14 de abril de 2009

É sempre de ouvir em repeat #18

Canção: People got a lotta nerve
Intérprete: Neko Case
Disco: Middle Cyclone
Data: 2009



A Neko Case estava tão cansada enquanto compunha um dos temas do novo disco, Middle Cyclone, que quis ser a lua, e escreveu-o.

É a voz dos New Pornographers, de novo a solo, estrebuchando um certo tipo de criatividade à qual se torna difícil de resistir para aqueles que já sairam do bairro, atraídos pela novidade. Com alguma bondade, pensem na Ana Bacalhau, dos Deolinda: como ela, a Neko parte de um imaginário sonoro tradicional - o country, no caso -, coisa de pele, verdadeira, e em cima desse chão constrói uma outra, com uma linguagem nova, a sua, exponenciada pelo uso de um instrumento espantoso, invariavelmente disponível – a voz. Precisando, compõe música country como sempre desejámos que esta soasse, à semelhança do que a Ana Bacalhau e restantes Deolinda fizeram ao fado. Voz e letra, dá 30-0 a demasiada gente por aí.

Escolhi para repeat o primeiro single, mas podia ser qualquer outra faixa. A-na-ni-a-na-não - Middle Cyclone é assunto sério.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

É sempre de ouvir em repeat #17

Canção: There is a light that never goes out
Banda: The Smiths
Disco: The Queen is Dead
Data: 1986



Take me out tonight
Where there's music and there's people
And they're young and alive

quarta-feira, 25 de março de 2009

É sempre de ouvir em repeat #16

Canção: Days Without Rain
Intérprete: Patrick Cleandenim
Disco: Baby Comes Home
Data: 2007



Passo 1, atentar até aos 9 segundos deste vídeo como o realizador era fã da novela 'Vamp'
Passo 2, puxar as meias para cima nos restantes 14; ainda se bate o dente de noite
Passo 3, ler o texto que em baixo segue
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Já vejo esta canção, barroca, burlesca, belíssima, a liderar a banda sonora de um filme que o Tim Burton ainda fará, talvez animado, decididamente cómico – mortalmente cómico -, a enfiar este violino fantasmagórico pelo hemisfério direito do espectador anónimo, onde se tranca à chave, repetindo em eco, com gargalhada, que é lá em baixo que a malta se diverte; entra de mão dada com o piano teimoso assim que um escritor descabelado atira um avião de papel à cabeça da amante, mal o sentimento de culpa a expulsar da cama, porque o marido até tem bom coração; o avião falha o alvo pretendido e despenha-se de nariz no cemitério que é o balde do lixo, de onde já não saem as letras que o escritor empenhara - tripulantes que a bordo ajustavam contas com o amor, ou qualquer coisa.

segunda-feira, 23 de março de 2009

É sempre de ouvir em repeat #15

Canção: Ceremony
Compositor: Ian Curtis
Original: Joy Division
Disco: Still
Data: 1980
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Versão: New Order (1.º single, 1981)
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Aquela coisa de não se discutir gostos pode ser discutível. Tentar ouvir isto sem tac-tac-tac com um dos pés e a cabeça a aprovar repetidamente é que não.

quinta-feira, 12 de março de 2009

O Paul McCartney já deve ter parado em Carnaxide

- Pedro, se tivesses que definir o som do concerto que estes passarinhos estão a dar (o melro da foto podia dar lugar a um pardalito ou a um tordo, soubesse eu quem cantava), como é que o farias?
- Epá, parece vindo daqueles spas.
- E tu? - perguntei ao meu homónimo do marketing.
- Pra mim é música de elevador. Porquê, 'tá a irritar-te?
- Pelo contrário, prefiro isto a muitas bandas.

(Para mais informações, ver aqui).

quinta-feira, 5 de março de 2009

É sempre de ouvir em repeat #14

Tema: Swing
Músico: Django Reinhardt
Disco: Jazz in Paris
Gravação: 1939



Disgusting things are going on, disguised as 'entertainment'. We have no sympathy for fools who want to transplant jungle music to Germany. In Stettin, like other cities, one can see people dancing as though they suffer from stomach pains. They call it 'swing'. This is no joke. I am overcome with anger. These people are mentally retarded. Only niggers in some jungle would stomp like that. Germans have no nigger in them. The pandemonium of swing fever must be stopped… Impresarios who present swing dancing should be put out of business. Swing orchestras that play hot, scream on their instruments, stand up to solo and other cheap devices are going to disappear. Nigger music must disappear. Do amoroso senhor ‘Buschman’, nome com que se intitulou o autor deste amoroso artigo, publicado a 6 de Novembro de 1938 num amoroso jornal de Stettin, ontem Alemanha, hoje Polónia, se espera que não fosse exactamente um apreciador do belga Django Reinhardt, um dos mais aclamados guitarristas de jazz de sempre, que exibia um bigode minhoca e era pouco ariano, no sentido em que nascera cigano. Raciocino, talvez com prudência: Se o swing possuía de raiva o senhor ‘Buschman’, talvez este, por força da sorte, pudesse ter caído nas boas graças do senhor Goebbels, que durante a II Guerra baniu o jazz, empacotando-o como “americano nigger kike jungle music” - “um ruído irritante, politicamente inaudível”. Tendo sido o senhor Goebbels ministro da propaganda do senhor Adolfo no III Reich, não será despropositado pensar que os dois, juntamente com o senhor 'Buschman' - homem Bush, em inglês -, se poderiam entender muito bem nas mais descontraídas horas de lazer, e que a nenhum eu convidaria para a consoada lá de casa, que eu e o meio tio procuramos transformar numa festa de pessoas que dançam como se tivessem dores de estômago, mas, dá-se o caso, apresentam um ar menos enjoado do que se adivinharia.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

É sempre de ouvir em repeat #13

Canção: La Bohème
Compositor: Jacques Plant/Charles Aznavour
Cantor: Charles Aznavour
Disco: Monsieur Carnaval
Data: 1965



A chanson é um rosto descoberto na máxima urgência do que nas entranhas arde; não especialmente bonito, mas belo, nele estão cavadas as linhas do tempo que não chegou a ser, e sem dúvida prevalece, e a tudo diminui - tal é a lingua francesa quando precisamos que nos devore; os dedos ondulam num teclado feito piano, e recuperamos o que de lábios desconhecidos se ouviu, e fechou olhos, e aproximou corpos na terra dos afectos, onde tudo é melhor que nada.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

É sempre de ouvir em repeat #12

Peça: Piano Trio No. 1 in D minor, Op. 49, primeiro movimento
Compositor: Felix Mendelssohn
Data: 1839
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Interpretação: Heifetz (violino); Rubinstein (piano); Piatigorsky (violoncelo)
Data: Não faço a mais pequena ideia



A música clássica do século XIX funcionava como uma espécie de Wagner contra o resto do mundo. Nesta equipa alinhava Felix Mendelssohn, o verdadeiro romântico - segundo um artigo recentemente publicado por uma jornalista do Independent, com base em documentos que só agora viram a luz do dia, o autor alemão d’ A Marcha Nupcial morreu de amor. De Mendelssohn, Richard Wagner, que um dia descreveu os judeus como “ex-canibais, agora treinados para ser agentes de negócios da sociedade” (Das Judenthum in der Musik, 1850), disse compor material “doce, de fazer cócegas, sem profundidade”. Importa lembrar, por isso, que os bons filmes recebem más críticas dos especialistas do Público, pelo que natural será que, salvaguardadas as devidas distâncias, o feitiozinho do autor d’As Valquírias, símbolo póstumo do III Reich, também fosse, digamos, uma dor no rabo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

É sempre de ouvir em repeat #11

Canção: The Crane Wife 3
Compositor/Banda: The Decemberists
Disco: The Crane Wife
Data: 2006



Um camponês passeia-se certa noite numa localidade rural do Japão, e encontra um pelicano prostrado no chão. Está ferido: tem uma seta enfiada na plumagem. Ele pega na ave, retira-lhe a seta e liberta-a assim que a consegue curar. Alguns dias depois bate-lhe à porta uma misteriosa mulher. Ele recebe-a, apaixonam-se, e casam. Como ambos são pobres, a mulher sugere que vivam de casacos que ela faria para ele depois vender na praça local, mas com uma condição: ele teria de ficar sempre atrás da porta do quarto escolhido para o efeito, e nunca a veria a tricotar as peças de roupa. A mulher vê o pedido satisfeito, e o negócio corre bem, apesar de a sua saúde se vir progressivamente debilitando. Um dia, levado por uma enorme curiosidade, o camponês não resiste a entrar no quarto da mulher, descobrindo que ela, além de tecelã, tinha asas de pelicano, e os casacos eram tão belos porque ela os tricotava com as próprias penas. O feitiço quebra-se quando o olhar dos dois se cruza, e ela, de novo uma ave, voa para nunca mais voltar.

The Crane Wife 3 é a faixa homónima ao quarto disco dos Decemberists, que tem por base esta lenda japonesa, e dela faz a Marianne Faithfull uma cover com o Nick Cave no seu novo álbum "Easy Come, Easy Go", a ser editado na Europa em Março.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

É sempre de ouvir em repeat #10

Canção: Le Matin
Compositor/Intérpetre: Yann Tiersen
Disco: Les Retrouvailles
Data: 2005



dançámos e cantámos joy division, the cure, entre aspas, despe & siga, doors; depois, no caos do jamaica, dei de frente com um passado que há muito enterrara - sem pompa, mas com a devida circunstância. não estou exactamente aos pulos quando regresso ao génio do yann tiersen. vai daí, 6:49, amanhã é um novíssimo dia.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

É sempre de ouvir em repeat #9

Canção: Psicologia
Banda: Feromona
Compositor: Diego Armés (voz e guitarra)
Disco: Uma Vida a Direito
Data: 2008



Canções curtinhas para poupar fita magnética;
Não há simpatia nacionalista, espera-se o melhor;
Ecoa o alarme FHM neste vídeo.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

É sempre de ouvir em repeat #8

Canção: Ghosts
Cantautora: Laura Marling
Disco: Alas, I Cannot Swim
Data: 2008



O Ricardo chamou-me e disse: "Acho que esta míuda estava a tocar nas traseiras do prédio quando um dia por lá passou a pessoa certa". (O Ricardo vai mudar de casa, agora vou falar de música com quem?). Já eu, que a conheci esta noite, entendo que o pai a obrigou a tocar viola a partir dos três anos, e sempre fez por manter a rédea curta; depois vieram contactos e coisas que tais que ele mantinha através de negócios discretos e assim se chegou àquela pessoa que conhece uma outra que, por sua vez, é amiga da pessoa certa. A mesma que o Ricardo diz ter descoberto Laura Marling a tocar nas traseiras de um prédio. Não que ela, natural de Hampshire, Portsmouth, para aí estivesse virada; ainda hoje, já com um disco e dois EPs editados, confessa ter pavor de tocar para muitas pessoas. Mas, raios, o pai é que manda (o ego, essa coisa medonha, diz-me para não abandonar a minha versão, e aliás prefiro só conhecer a história amanhã, hoje é tudo novo). Talvez por isso ela não sorria; disso se queixa alguém num comentário ao vídeo que aqui deixo. Ou então esta míuda inglesa com cor de susto que já foi impedida de entrar no próprio concerto, por ser menor - fez 19 anos no domingo -, optando por tocar na rua, e a quem já atiraram um anel de borracha para o palco como pedido de casamento, está só a pedir desculpa por cantar assim.

sábado, 31 de janeiro de 2009

É sempre de ouvir em repeat #7

Canção: Sunday Bloody Sunday
Banda: U2
Compositor: The Edge (guitarrista, pianista e apoio vocal)
Disco: War
Data: 1983
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Vídeo: Concerto em Slane Castle, Irlanda, 2001



Há dois Domingos Sangrentos na história da Irlanda. O primeiro data de 1920, o segundo fez ontem 37 anos: parece a altura ideal para recuperar "Sunday Bloody Sunday", o clássico pacifista dos U2, que tem figurado na história, talvez por razões de proximidade geracional, como canção-denúncia ao massacre levado a cabo por soldados do exército britânico em Derry, na Irlanda do Norte, a 30 de Janeiro de 1972, durante uma manifestação pacífica da Northern Ireland Civil Rights Association contra o governo de Sua Majestade. 14 activistas foram assassinados; seis eram menores de idade.

Bono repete que Sunday Bloody Sunday, terceiro single do álbum War (1983), é um protesto contra o histórico derramamento de sangue entre católicos e protestantes a sul e norte da Irlanda, primeiro, e contra a guerra em todo o seu amplo e perturbante significado, depois. Garante não tomar partidos.

À guerra, por isso mesmo, nos concertos da fase inicial da banda gritava em Sunday Bloody Sunday "No More!", empunhando uma bandeira branca, e lembrava ao público "This is not a rebel song" imediatamente antes de uma bateria militar anunciar o tema. Finjo acreditar, sobretudo quando o vejo numa fase inicial dos U2 - aquela a que poucos resistem, e que deu à luz esta canção - gritar a peito aberto "No More!" enfiado num pólo listado a verde, branco e laranja, com a inquietação dos novos a saltar-lhe dos olhos. Mas compreendo a versão oficial. Política não é algo que se queira discutir na Irlanda.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

É sempre de ouvir em repeat #6

Título: All of Me (jazz standard)
Compositor: Seymour Simons/Gerald Marks
1.ª gravação de: Belle Baker
Data: 1931
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Versão: Dinah Washington
Data: 1958



Perder o telemóvel - será desta que deserdo para as montanhas do Butão? - e ser distinguido com 50 minutos de espera em chamadas inúteis para as centrais de táxis em Lisboa não soa tão mal quando se acaba o dia a ouvir Dinah: é fechar os olhos - ela leva tudo.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

É sempre de ouvir em repeat #5



A este trupe arruinada, cujo líder, Shane MacGowan, ainda exibe três a quatro dentes, devemos A Festa, dos Despe & Siga; a melhor canção que passa nas rádios a 24, 25 de Dezembro e arredores, Fairytale of New York; e uma carreira que tem elevado o folk irlandês ao patamar que bem justifica: o mais fixe.

If I should Fall from Grace with God, The Pogues [If I should Fall from Grace with God, 1988]

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

É sempre de ouvir em repeat #4

Aquilo que o jazz é, não o que era. O pianista sueco Esbjorn Svensson perdeu a vida em Junho de 2008, aos 44 anos, de uma das formas mais descabidas que me consigo lembrar, e consigo levou o trio que revolucionou este riquíssimo género durante 15 anos. De consolo deixou-nos composições maravilhosas, como esta, que o youtube bem se esforça por espartilhar em fatos de dez minutos.

Behind the Yashmark, E.S.T [Strange Place for Snow, 2002]

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

É sempre de ouvir em repeat #3

(...)

Watching the people get lairy
It's not very pretty, i tell thee.


"I predict a riot", Kaiser Chiefs [Employment, 2004]

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

É sempre de ouvir em repeat #2

(...)

but if i had your faith
then i could make it safe and clean
.

"Close to Me", The Cure [The Head on the Door, 1985]

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

É sempre de ouvir em repeat #1

(...)

So i'm left to pick up
The hints, the little symbols of your devotion
.

"Fistful of love", Antony and the Johnsons [I am a Bird Now, 2005]

domingo, 11 de janeiro de 2009

úria é nacional, e muito bom


Há, havia, aquele argumento: “o que tenho para dizer faz mais sentido cantado em inglês do que em português”. Isso já era. Em 2008, ano de conservadorismo musical cool lá fora, com Fleet Foxes, Bonnie “Prince” Billy ou Bon Iver e respectivos discos à cabeça -, emergiu [blup! blup!] em Portugal uma nova geração de músicos protestantes, cristãos e pagãos, apadrinhados pela casta editora FlorCaveira, a cantar em português, e bem. De entre eles - Tiago Guilull, Os Pontos Negros, Samuel Úria, b fachada, Jorge Cruz, João Coração, Manuel Fúria, Guel e Te Voy A Matar -, venho acompanhando com especial atenção o EP de estreia "Em Bruto", de Samuel Úria. A coisa é minimalista: 17 minutos dispersos por cinco temas de impacto imediato, sem fio condutor, e adiciona a um entusiasmante talento musical o tremendo piadão que dá ouvir cantar refinado na língua de José Luis Peixoto. Sem pedir desculpa.

Créditos: este blogue era o maior.