sexta-feira, 20 de junho de 2008

Os Turcos


Interlocutores

Cavalheiro 1
Cavalheiro 2 – amigo do cavalheiro 1
Cavalheiro 3 – cliente habitual da casa
Cavalheiro 4 – cliente e amigo do cliente habitual da casa
Cavalheiro 5 – empregado de mesa

(A cena passa-se numa tasca lisboeta. A Turquia acabara de garantir o acesso às meias-finais do Euro 2008, batendo a Croácia nas grandes penalidades após o empate a um golo registado no periodo regulamentar. Finda a contenda, discutiam-se os méritos).

Cavalheiro 3 – Bem feito. Os croatas já festejavam a vitória e esqueceram-se que o jogo ainda não tinha acabado. Ainda bem que ganharam os turcos.
Cavalheiro 2 – Isso mesmo (gargalhada sonora).
Cavalheiro 1 – Isso mesmo nada – corrigiu - que eu não posso com os turcos. E os curdos também, é tudo da mesma laia. Não posso com eles - declarou. Ouvindo aquela confissão, e ainda que não conhecesse o Cavalheiro 1 nem o seu amigo, o Cavalheiro 4 não deixou de ficar particularmente curioso e entrou na conversa.
Cavalheiro 4 – Porque é que não pode com os turcos? – perguntou-lhe.
Cavalheiro 1 – Porque não. Você é turco?
Cavalheiro 4 – Não. Mas porque razão não pode com eles?
Cavalheiro 1 – Porque não posso.
Cavalheiro 5 – Olha – dirigindo-se ao Cavalheiro 3 - não pode, não pode (riso nervoso).
Cavalheiro 4 – Sim – assentiu - mas tem algum motivo para não gostar deles? – insistiu com o Cavalheiro 1.
Cavalheiro 1 – Não gosto, pronto – respondeu, visivelmente incomodado com a pergunta. Fez-se silêncio por alguns segundos, e a discussão prosseguiu.
Cavalheiro 1 – Você já conviveu com algum?
Cavalheiro 4 - Já conheci alguns – mentiu.
Cavalheiro 1 – Então pronto. Eles têm o bicho da seda. Está a ver? O bicho da seda - disse, arfando, à medida que o seu rosto adquiria progressivamente um tom de pele cor de vinho.
O Cavalheiro 4 fitou o Cavalheiro 1 com um sorriso oblíquo, abanando a cabeça. Depois arrastou o olhar para o Cavalheiro 5, pediu a conta (cujo valor surpreendentemente ultrapassava o das moedas que trazia no bolso) e retirou-se desejando «uma boa noite a todos os presentes».

terça-feira, 17 de junho de 2008

Requiem por uma guerra

Aleksandra, de Aleksandr Sokurov


Por trás das coisas da guerra, entre tempos e vontades onde as armas resolvem conflitos enterrando homens, há uma zona de criação onde aquelas são postas de lado. “Aleksandra”, novo filme do realizador russo Aleksandr Sokurov (Mãe e Filho, 1997), conduz-nos até lá: é uma zona sem nome, onde a sobrevivência é garantida entre os homens, e não contra os homens.
Galina Vishnevskaya, venerada cantora de ópera russa (viúva do maestro e violoncelista russo/norte-americano Rostropovitch, falecido em 2007) é Aleksandra Nikolayevna, personagem-guia da película. Missão: visitar o neto que é oficial num campo militar localizado em nenhures (embora percebamos, ao longo do filme, tratar-se da Chechénia). Senhora de idade, emparedada entre a força de viver (a dada altura afirma que a sua alma tem força para viver outra vida) e o progressivo ceder de umas pernas exaustas, passeia-se entre soldados, capitães e comandantes compatriotas encarnando a iconografia feminina e matriarca pela qual a Rússia historicamente tanto gosta de se apresentar ao mundo. Pela tolerância dos seus olhos observa de perto o quotidiano de quem faz da guerra o seu modo de vida. «Há tantas perguntas por fazer...» - diz a certa altura a uma senhora chechena, de quem se tornou amiga numa visita a um mercado local, e perante o olhar quase acossado dos locais. Mas essas perguntas já adivinhariam a orientação de uma resposta que conhece, e o seu modo de censurar a vergonha da guerra (esta, mas percebe-se que também as outras) é menos panfletário do que sentido. Dir-se-ia que ela mesmo, simultaneamente mulher (porque vaidosa) e mãe (porque avó - criadora de vida), infringe naquela unidade essa mesma vergonha, sem dúvida exponenciada pela imponência de Nikolayevna, que passa pela unidade fitando-lhes no silêncio insuportável do olhar o grande absurdo da humanidade, pincelada de vermelho por pessoas que já não sabem porque motivo o fazem.
Um filme inteligentíssimo, pontuado ao longo dos seus 95 minutos pela banda sonora de Andrei Siegl (ao melhor estilo romântico de uma clássica sinfonia de Tchaikovksy ou de Rachmaninoff) que, em surdina, funciona como ponto de fuga na mente abstraída da realidade que gere a desgastada personagem principal. Nela, e através da lentidão com que tudo se parece processar neste filme, vemos o traço de Sukorov: num cenário que palpita guerra, o cineasta russo esquece os tiros e mostra as armas a ser limpas (depois de usadas) - ou seja - filma os efeitos da guerra, e de que forma ela estrutura as relações entre homens.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Eles andam aí (e o Verão também)



The Ting Tings - We Started Nothing

Os ingredientes necessários à composição de um hit de Verão são conhecidos: junte-se um vídeo cheio de cor a três ou quatro pares de pernas femininas devidamente bronzeadas e eis o milagre. E se ainda houver tempo para nele dispor um grupo de amiguinhos entoando a uma só voz um emocionante hino à felicidade balnear, tanto melhor.
Assim de repente chocamos de frente com o entusiasmado “Aserejé” das espanholas Las Ketchup, faixa rainha do 2002 piroso-dançante que abriu terreno à chegada da boy's band romena O-Zone, responsável por uma admirável explosão poliglota das pistas de danças em 2003. Dragostea Din Tei (para os entendidos) (ou Numa-Numa-iei, para gente como eu) foi o ruído que então intoxicou as pistas de dança.
Entretanto tive a felicidade de, no início deste ano, ouvir aquela que logo presumi ser uma forte candidata a canção azeiteira de banhos 2008: “Baila el Chiki Chiki”, do espanhol Rodolfo Chikilicuatre, é uma homenagem à reflexão por detrás dos primeiros parágrafos deste texto – um monumento dentro do género. E tudo se tornou muito claro quando percebi que o representante de Espanha no Festival Eurovisão da Canção 2008 não seria outro que não este Rodolfo, que iria cantar a sua Chikitada. Curiosidade das curiosidades, a esquizofrenia colectiva que a música do rapaz tem gerado nos espanhóis, sempre tão próximos do bom gosto na música que escolhem para representá-los no dito festival, não teve reflexos na edição deste ano: ficou atrás da canção portuguesa, algures perdida na segunda metade de uma tabela composta por 25 finalistas.
Isto para introduzir The Ting Tings, duo de Manchester formado por Jules De Martino e Katie White, que surpreendentemente ameaça tomar conta das pistas de dança europeias neste Verão. Motivo: "We Started Nothing", novíssimo disco de estreia dos ingleses que já afastou Madonna do trono no top de vendas britânico em menos de um mês de edição (a portuguesa saiu a 02 de Junho).
Temas como “That’s not my name”, amálgama progressiva de ritmos para ginastas indie a dar-a dar, com uma antena electrónica minimal virada para os esquisitinhos e outra pop mais próxima dos deslumbrados (alguém se lembra de North American Scum – LCD Soundsystem?) ou “Shut up and let me go”, pózinhos funk num produto tão catchy quanto acutilante – acerta nas ancas – são bons exemplos do que se pode esperar deste disco, obra de uma das bandas sensação do Reino Unido no momento. É estar atento, eles andam aí.

domingo, 11 de maio de 2008

Guernica, séc. XXI




Quando Guernica, “o mais poderoso manifesto anti-guerra de arte moderna jamais produzido”, foi posto em exibição no pavilhão espanhol, por altura da Exposição Internacional de Paris, em 1937, o regime nazi (que, naturalmente, tinha na imprensa um braço panfletário da sua ideologia) reagiu com indignação. Tentou diminuir a obra, tabelando as qualificações necessárias à produção geométrica (cubista) de Picasso com as de uma criança de quatro anos. Até o regime soviético, que então apoiava a facção republicana na guerra civil de Espanha (1936-1939), reagiu à obra de forma distanciada. A ideia situacionista, que então explicava esta tenebrosa união contra Guernica, prendia-se com uma certa noção de arte, na qual entende-se que, para retratar eficazmente uma guerra, um quadro tem de ser forçosamente realista, ou romântico, ou ambos.
Bem real foi a confusão instalada no cérebro do pintor espanhol, petrificado com as noções de humanidade veiculadas pela Luftwaffe, força área nazi, que resolveu dar uma mãozinha ao exército fascista do general Franco, na medida em que testou a sua capacidade bélica sobre a pequena cidade basca de Guernica, situada no norte de Espanha, durante três horas seguidas. Centenas de mortos, milhares de feridos e desparecidos numa cidade reduzida a cinza e escombro naquele trágico dia 26 de Abril de 1937 foram a razão suficiente para a produção deste inquietante painel monocromático (Picasso inspirou-se nos relatos que lhe chegaram dos jornais franceses - morava em Paris - e, aliás, a barbárie não merece cor), cubista, simbólico, imenso.
Sete décadas depois, a estudante Lena Gieseke (a informação disponível no seu site, www.lena-gieseke.com, não esclarece qual é a sua nacionalidade) faz-nos uma visita guiada ao apocalíptico quadro do pintor espanhol, a três dimensões, como se de uma visita guiada a um museu de escultura se tratasse. Ou se, terminadas as três horas de bombardeamento ininterrupto da Luftwaffe, o tempo tivesse parado e alguém estivesse a testemunhar aquela tragédia no terreno, pelos olhos do próprio Picasso.

domingo, 4 de maio de 2008

Estavam à espera de quê?

No que me toca, esperava ter visto pardais masoquistas despenhando-se a alta velocidade contra limousines numa avenida parisiense em hora de ponta. Como tal não aconteceu, fica a esperança de que, para o ano, alguém se lembre de contar esta história, na certeza de que reclamarei os respectivos direitos de autor. Eis o meu Indie 2008.

El Asaltante, de Pablo Fendrik - Argentina - 2007

Discreto na postura, engavetado num perfil de executivo, de olhar pérfido e a revelar uma auto-reprimida gula por devorar atenções: eis a horrenda descrição que o argentino Arturo Goetz merece, actor principal de "El Asaltante" que retrata, com doses industriais de relato psicológico, o que pode ir na cabeça de alguém que não consegue deixar de roubar pessoas. Ao realizador Pablo Fendrik interessa, sobretudo, perceber que a cleptomania consome este homem (Arturo Goetz) aparentemente integrado na sociedade, já que tem por ofício ser funcionário de uma escola. De modo que apresenta-se, desarma por charme e confiança, depois rouba, diz que mata e matará se lhe negarem o que acabará por levar. Fendrik filma-o de perto, em tempo real. Não o larga.
O plano-sequência de entrada é arrasador, e talvez disso se ressinta o restante filme ao não conseguir manter essa dimensão. Talvez por isso tenha ficado a impressão, no final da fita, que esta interessante longa-metragem poderia, facilmente, ser uma brilhante curta.

Tejút, de Benedek Fliegauf - Hungria - 2007

12 planos, nos quais ser humano e natureza são uma e a mesma coisa. Experimental e arrojado, "Tejút" consegue, simultaneamente, ser chato e refrescante, na certeza de que algumas destas “curtas-metragens” (planos parados onde pessoas movimentam-se num dado espaço) são um monumento bem moderno ao sono. E foi para esse sítio que vocês adivinharam que pelo menos uma dúzia de espectadores enviou este filme do realizador húngaro Benedek Fliegauf que, inserido na secção “laboratório” do festival, agradou o suficiente para, sem encantar, ter ficado pelo perfeitamente suportável. O que já não foi nada mau, dado o experimentalismo da coisa.

A Zona, de Sandro Aguilar - Portugal - 2008

Foi notoriamente nervoso que, após o (segundo) visionamento de “A Zona” no Indie 2008, o português Sandro Aguilar falou sobre a sua primeira longa-metragem aos espectadores presentes na sala 2 dos cinemas Londres. A dada altura, e para surpresa generalizada do público e do próprio realizador, o seu coração batia tanto que o vertiginoso batuque cardíaco era captado pelo microfone que empunhava. Mais ou menos por esta altura apareceu em cena um senhor de idade respeitável, que primeiramente deu a entender poder ser da família de Sandro Aguilar e, depois, revelou “fazer filmes diferentes”. Apropriando-se do dito microfone, mantendo o seu posto nas primeiras filas, dignou-se a percorrer tudo o que a lingua portuguesa tem de adjectivos elogiosos para classificar o que acabara de ver. Tinha ficado positivamente transtornado com o que Sandro Aguilar explicou ser um filme de transição, sobre uma zona entre a vida e a morte, não sendo tão importante contar uma história mas antes descrever detalhes muito específicos daquela. Forçosamente dolorosa e sufocante, esta transição deixa o espectador confiante que, a dada altura, apareça um traço racional de fio condutor, que explique um argumento que nunca chega a estar sequer latente (mas que Sandro Aguilar afirmou ter escrito naquela exacta medida).
“A Zona” fica na memória por misturar o acto de sangrar com o de chorar, porque é mecânico e a vida é triste, de modo que aquele que se reviu nisto jurou imediatamente amor eterno. Os restantes espectadores presentes na sala - que foram muitos – não aguentaram estacionar nessa zona indefinida e de indefinível dor por muito tempo, pelo que acharam por bem não ouvir as explicações de Sandro Aguilar no final, além de metade do seu filme.

Throw Down, de Johnny To - Hong-Kong - 2004

Aqui, percebam, mistura-se drama e comédia, jazz e judo, alcoolismo e jogo. Johnny To, realizador consagrado de Hong Kong, faz o espectador caminhar desesperado e nú, tão louco quanto o senhor Jing que, neste filme, é o único, sabe-se lá porquê, a merecer oficialmente esse epíteto. Isto quando há um antigo judoca, convertido num empresário nocturno amigo de copos e que, tendo uma dívida dantesca por pagar, é já de si bem enlameado que se esforça por atolar o seu lombo ainda mais no lodo. E que é ajudado por um rapaz que também pratica judo e que ajudá-lo-á na empresa de saldar essa dívida desde que os dois combatam. E também por uma aspirante a cantora que se queixa de ter sido forçada a prostituir-se em tempos, ainda que apresente posições distintas quanto a esse facto consoante o contexto em que estiver envolvida. O tragicómico está ao leme, e a verdade é que tudo correu pelo melhor se atentarmos que a sala riu descontroladamente durante a maior parte da sessão. Sobretudo quando a música entristecia ainda mais o ridículo de cada cena, o que não tem nada a ver. Há desempenhos felizes, uma fotografia conseguida e um jogo musical interessante que pende o filme para o burlesco, quando tinha tudo para ser um viscoso melodrama.

Rescaldo: não tendo visto o "My Blueberry Nights", desde já me disponibilizo, como castigo preciso, para ouvir o Chalana falar sobre o que bem entender durante três dias consecutivos.

terça-feira, 29 de abril de 2008

O Preto




- Era o paraíso. Tínhamos o cine-esplanada “Flamingo”, com cogumelos e um jardim cheio de flores onde passeávamos nos intervalos dos filmes. Pagávamos uma avença mensal e íamos ao cinema todas as noites, das 21h às 23h30. E a praia, era mergulhos na hora de almoço e depois voltávamos para o trabalho sabendo que, ao final do dia, mar. Há qualquer coisa em quem nasceu lá, ouves o mesmo do pessoal que fala na televisão. Todos nos invejam, a nossa alegria. Lá não havia repressão, nem PIDE. Foi lá que saiu à rua a primeira mini-saia. Todos querem saber como foi, mas só quem lá viveu pode falar. Há também quem regresse, mas aquela terra já não é minha e sim dos pretos. Enxotaram-nos de lá, fugimos da nossa terra com a comida ao forno e tanta roupa quanto a que levámos no corpo.
- Esse é um capítulo de um livro grande. As colónias holandesas, francesas… a afirmação dos nacionalismos depois das guerras. O desmantelamento dos impérios. O século XX. A História.
- Não sei dos outros. Nós tínhamos cinema e a praia, as farras e o calor. Havia trabalho. Os pretos não, que são malandros e não gostam de trabalhar. O preto recebe o dinheiro e gasta-o ao sábado nas bebedeiras.
- A raça negra é menor face à branca?
- Não é isso que estou a dizer. Mas hoje as barbas do preto velho, sentado numa cadeira à porta de casa, contam ao preto novo as saudades que sentem dos tempos em que lá estávamos. O preto não é formado. No nosso tempo nem mosquitos havia.
- A classe média costuma usufruir da água potável como um recurso não luxuoso.
- Eu vivi lá, não é como tu que só sabes o que vem nos livros, onde só escrevem mentiras. Não percebes.
- Há cada privilégio.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Este país não é para comediantes

É legítimo que a nata intelectual portuguesa, habituada a reflectir sobre assuntos de superioridade, acuse os jornais desportivos de muita coisa.
Pegue-se no termo sensacionalismo, e há todo um carnaval de sinónimos possíveis que, seguramente, terão a sua razão de ser. Mas é na fusão com um género habitualmente ligado a outros temas que os "desportivos" primam pela excelência: o bom-humor. E, portanto, é pouco perceptível o porquê de tanto alarido verificado ontem, ao saber-se que a Comissão Disciplinar da Liga de Futebol notificou o FC Porto na sequência do processo Apito Final (baptismo dado pelos tribunais desportivos ao processo homólogo que corre nos civis, denominado Apito Dourado).
Certamente que aquele organismo da Liga, devoto praticante da contenção de despesas – religião instituída pelo governo de José Sócrates há três anos – nada fará contra o FC Porto. Pelo contrário, reinará a solidariedade. Ninguém com o mínimo de sensatez pensará que os actuais campeões nacionais, com a festa de revalidação do título marcada para o próximo sábado, perderão seis pontos neste campeonato. O prejuízo seria incalculável. O FC Porto comprou árbitros em dois jogos respeitantes à época 2003/2004? Parece que sim. Mourinho ganhou o segundo título com umas ajudas? Provavelmente. Mas nada disto teria o impacto de se esbanjar o rio de dinheiro entretanto já gasto pelos “azuis e brancos” em champagne, cheerleaders (oponho-me com incontida veemência neste plano) e outros estrangeirismos que terão custado mais aos "dragões" do que, certamente, o que pediram emprestado há quatro anos – esquecendo-se posteriormente de o devolver. Um lapso de memória, que acontece a todos. Agora desperdiçar este investimento, depois de o nosso primeiro-ministro ter comovido os portugueses ao reduzir o IVA em 1%, é insensato. E pensar que o Benfica poderá ficar a 10 pontos do FC Porto, desenhando-se o cenário de ser o cabeçudo na conquista do tricampeonato portista, daqui a três jornadas, imberbe. Pouco espirituoso, este país, no dia anterior ao segundo do mês de Abril.