Canção: Psicologia
Banda: Feromona
Compositor: Diego Armés (voz e guitarra)
Disco: Uma Vida a Direito
Data: 2008
Canções curtinhas para poupar fita magnética;
Não há simpatia nacionalista, espera-se o melhor;
Ecoa o alarme FHM neste vídeo.
"The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing but burn, burn, burn like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars." J. Kerouac
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
sábado, 7 de fevereiro de 2009
A galinha dos ovos de ouro

Temos uma máquina de jogos Megatouch numa cópia baratinha de cabaret que abriu não muito longe do nosso bar. Num Inverno rigoroso, sem turistas, é a nossa galinha dos ovos de ouro. De regresso à terra para o fim-de-semana, fui lá ontem à noite, pela primeira vez, atrás do meu irmão. Fim: picar o ponto – ver a galinha, leia-se.
Grande parte da comunidade de ciganos da zona podia ser encontrada junto ao palco, onde zurravam de forma entusiasta às vazas de três a quatro brasileiras sem frio que ali se substituíam de três em três minutos depois de cada uma se abanar ao som da Christina Aguilera. Muito atento, de pé, encostado a um sófá, um rapaz que conheci pouco depois de se ter casado observava o espectáculo.
O momento pedia algum tipo de discrição. Talvez por isso, numa decisão não inteiramente consensual, escolhemos um sofá longe da zurraria para nos sentarmos a beber o copo que já pediramos no bar.
A virar whisky desde o meio dia, um amigo do meu irmão, profundo conhecedor da casa, perguntou-me se eu queria um broche. Virei o pescoço de chicotada e olhei a nossa máquina de relance. Depois reencontrei-lhe os olhos, sorri, e respondi "não". O amigo do meu irmão que bebia whisky desde o meio dia insistiu, dizendo qualquer coisa, que à quarta ou quinta vez percebi ser: "Um bróchezinho, dé. É bém vi como marcáste aquèla lá ao fundo vestida de leoparde, na te faças de esquesite".
Fiz-lhe ver que tudo correra bem até àquele momento, pelo que não havia necessidade de mudar as coisas. Por essa altura, num sofá ao lado do nosso, já se tinha acomodado com uma funcionária da casa o amigo que conheci pouco depois de se ter casado. Por lá ficaram um par de minutos, logo desaparecendo para dentro de uma sala contígua ao espaço.
Nisto, já baralhado de tanto zurro feito eco, o meu irmão verbalizou uma ideia. "Bem, vamos embora daqui”, disse - iniciativa que agradou a quase todos.
Antes de nos encaminharmos para a porta de saída, o amigo do meu irmão que bebia whisky desde o meio dia agarrou-me pelo braço e dirigiu-nos à rapariga vestida de leopardo, para logo lhe fazer notar que eu não a queria. Ela sorriu, eu também. Era muito bonita. Disse-lhe qualquer coisa tão conveniente como "não tem nada a ver contigo", e, já fora do estabelecimento, despedi-me do amigo do meu irmão de uma forma - "consegues ser tão desagradável" - que o chocou profundamente, pelo que me deu as costas e regressou em passo precipitado ao cabaret onde mora a nossa actual galinha dos ovos de ouro.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Sabedoria popular

(...)
Ah, isso é ferrinhos - disse a minha avó Vivi, quando ouviu do meu novo telemóvel - já tenho telemóvel - a entrada da música dos U2 "I still haven't found what i'm looking for".
Créditos: o pablito é o maior.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
É sempre de ouvir em repeat #8
Canção: Ghosts
Cantautora: Laura Marling
Disco: Alas, I Cannot Swim
Data: 2008
O Ricardo chamou-me e disse: "Acho que esta míuda estava a tocar nas traseiras do prédio quando um dia por lá passou a pessoa certa". (O Ricardo vai mudar de casa, agora vou falar de música com quem?). Já eu, que a conheci esta noite, entendo que o pai a obrigou a tocar viola a partir dos três anos, e sempre fez por manter a rédea curta; depois vieram contactos e coisas que tais que ele mantinha através de negócios discretos e assim se chegou àquela pessoa que conhece uma outra que, por sua vez, é amiga da pessoa certa. A mesma que o Ricardo diz ter descoberto Laura Marling a tocar nas traseiras de um prédio. Não que ela, natural de Hampshire, Portsmouth, para aí estivesse virada; ainda hoje, já com um disco e dois EPs editados, confessa ter pavor de tocar para muitas pessoas. Mas, raios, o pai é que manda (o ego, essa coisa medonha, diz-me para não abandonar a minha versão, e aliás prefiro só conhecer a história amanhã, hoje é tudo novo). Talvez por isso ela não sorria; disso se queixa alguém num comentário ao vídeo que aqui deixo. Ou então esta míuda inglesa com cor de susto que já foi impedida de entrar no próprio concerto, por ser menor - fez 19 anos no domingo -, optando por tocar na rua, e a quem já atiraram um anel de borracha para o palco como pedido de casamento, está só a pedir desculpa por cantar assim.
Cantautora: Laura Marling
Disco: Alas, I Cannot Swim
Data: 2008
O Ricardo chamou-me e disse: "Acho que esta míuda estava a tocar nas traseiras do prédio quando um dia por lá passou a pessoa certa". (O Ricardo vai mudar de casa, agora vou falar de música com quem?). Já eu, que a conheci esta noite, entendo que o pai a obrigou a tocar viola a partir dos três anos, e sempre fez por manter a rédea curta; depois vieram contactos e coisas que tais que ele mantinha através de negócios discretos e assim se chegou àquela pessoa que conhece uma outra que, por sua vez, é amiga da pessoa certa. A mesma que o Ricardo diz ter descoberto Laura Marling a tocar nas traseiras de um prédio. Não que ela, natural de Hampshire, Portsmouth, para aí estivesse virada; ainda hoje, já com um disco e dois EPs editados, confessa ter pavor de tocar para muitas pessoas. Mas, raios, o pai é que manda (o ego, essa coisa medonha, diz-me para não abandonar a minha versão, e aliás prefiro só conhecer a história amanhã, hoje é tudo novo). Talvez por isso ela não sorria; disso se queixa alguém num comentário ao vídeo que aqui deixo. Ou então esta míuda inglesa com cor de susto que já foi impedida de entrar no próprio concerto, por ser menor - fez 19 anos no domingo -, optando por tocar na rua, e a quem já atiraram um anel de borracha para o palco como pedido de casamento, está só a pedir desculpa por cantar assim.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Teremos sempre a Paiva Couceiro

O arrumador de carros da minha rua anda a comer uma senhora que tem um fio dourado muito grande preso ao pescoço, e que se pinta muito e cedo. Barbeado, muito posto, acompanhava-a no sábado de manhã, pela praça Paiva Couceiro, dez e meia. Carregava quase tantos sacos da Zara quanto ela, e vestia um pólo cor-de-rosa, como os rapazes que por estes dias se portam mal. Faltava-lhe as suiças muito finas a unir as duas orelhas em arco para poder passar por um verdadeiro menino mau – aquele que leva as míudas todas no Liceu. E coxear.
Enquanto esperava numa passadeira da Paiva Couceiro pela boleia de um amigo - ia jogar à bola -, compreendi que, do lado oposto da estrada, o arrumador de carros caminhava indeciso pela fila de táxis da praça, em passo acelerado, optando ora por um, ora por outro, para depois regressar ao primeiro. Noutra velocidade, prudente, a senhora percorria sempre metade desse caminho, pelo que se cansou menos. Num gesto precipitado, o arrumador tomou a decisão mais sensata após minutos de indecisão: abriu uma porta dos bancos de trás do primeiro táxi da fila, e nele fê-la entrar.
Imaginei o que se teria passado para que tivesse virado as costas à amante sem se despedir. Fechou-lhe com estrondo, junto à cara, a porta que, cavalheiro, previamente abrira. Vi-o afastar-se, de mãos nos bolsos, rumo ao jardim muito feio da praça Paiva Couceiro, à medida que a senhora do fio se afastava no carro amarelo, com diversos sacos da Zara esborrachados contra o vidro de trás. Podia também ser a mãe que o fora visitar – tinha idade para isso.
sábado, 31 de janeiro de 2009
É sempre de ouvir em repeat #7
Canção: Sunday Bloody Sunday
Banda: U2
Compositor: The Edge (guitarrista, pianista e apoio vocal)
Disco: War
Data: 1983
-------------------------------------
Vídeo: Concerto em Slane Castle, Irlanda, 2001
Há dois Domingos Sangrentos na história da Irlanda. O primeiro data de 1920, o segundo fez ontem 37 anos: parece a altura ideal para recuperar "Sunday Bloody Sunday", o clássico pacifista dos U2, que tem figurado na história, talvez por razões de proximidade geracional, como canção-denúncia ao massacre levado a cabo por soldados do exército britânico em Derry, na Irlanda do Norte, a 30 de Janeiro de 1972, durante uma manifestação pacífica da Northern Ireland Civil Rights Association contra o governo de Sua Majestade. 14 activistas foram assassinados; seis eram menores de idade.
Bono repete que Sunday Bloody Sunday, terceiro single do álbum War (1983), é um protesto contra o histórico derramamento de sangue entre católicos e protestantes a sul e norte da Irlanda, primeiro, e contra a guerra em todo o seu amplo e perturbante significado, depois. Garante não tomar partidos.
À guerra, por isso mesmo, nos concertos da fase inicial da banda gritava em Sunday Bloody Sunday "No More!", empunhando uma bandeira branca, e lembrava ao público "This is not a rebel song" imediatamente antes de uma bateria militar anunciar o tema. Finjo acreditar, sobretudo quando o vejo numa fase inicial dos U2 - aquela a que poucos resistem, e que deu à luz esta canção - gritar a peito aberto "No More!" enfiado num pólo listado a verde, branco e laranja, com a inquietação dos novos a saltar-lhe dos olhos. Mas compreendo a versão oficial. Política não é algo que se queira discutir na Irlanda.
Banda: U2
Compositor: The Edge (guitarrista, pianista e apoio vocal)
Disco: War
Data: 1983
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Vídeo: Concerto em Slane Castle, Irlanda, 2001
Há dois Domingos Sangrentos na história da Irlanda. O primeiro data de 1920, o segundo fez ontem 37 anos: parece a altura ideal para recuperar "Sunday Bloody Sunday", o clássico pacifista dos U2, que tem figurado na história, talvez por razões de proximidade geracional, como canção-denúncia ao massacre levado a cabo por soldados do exército britânico em Derry, na Irlanda do Norte, a 30 de Janeiro de 1972, durante uma manifestação pacífica da Northern Ireland Civil Rights Association contra o governo de Sua Majestade. 14 activistas foram assassinados; seis eram menores de idade.
Bono repete que Sunday Bloody Sunday, terceiro single do álbum War (1983), é um protesto contra o histórico derramamento de sangue entre católicos e protestantes a sul e norte da Irlanda, primeiro, e contra a guerra em todo o seu amplo e perturbante significado, depois. Garante não tomar partidos.
À guerra, por isso mesmo, nos concertos da fase inicial da banda gritava em Sunday Bloody Sunday "No More!", empunhando uma bandeira branca, e lembrava ao público "This is not a rebel song" imediatamente antes de uma bateria militar anunciar o tema. Finjo acreditar, sobretudo quando o vejo numa fase inicial dos U2 - aquela a que poucos resistem, e que deu à luz esta canção - gritar a peito aberto "No More!" enfiado num pólo listado a verde, branco e laranja, com a inquietação dos novos a saltar-lhe dos olhos. Mas compreendo a versão oficial. Política não é algo que se queira discutir na Irlanda.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
É sempre de ouvir em repeat #6
Título: All of Me (jazz standard)
Compositor: Seymour Simons/Gerald Marks
1.ª gravação de: Belle Baker
Data: 1931
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Versão: Dinah Washington
Data: 1958
Perder o telemóvel - será desta que deserdo para as montanhas do Butão? - e ser distinguido com 50 minutos de espera em chamadas inúteis para as centrais de táxis em Lisboa não soa tão mal quando se acaba o dia a ouvir Dinah: é fechar os olhos - ela leva tudo.
Compositor: Seymour Simons/Gerald Marks
1.ª gravação de: Belle Baker
Data: 1931
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Versão: Dinah Washington
Data: 1958
Perder o telemóvel - será desta que deserdo para as montanhas do Butão? - e ser distinguido com 50 minutos de espera em chamadas inúteis para as centrais de táxis em Lisboa não soa tão mal quando se acaba o dia a ouvir Dinah: é fechar os olhos - ela leva tudo.
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