Filme: Les Dames du Bois de Boulogne
Realizador: Robert Bresson
Ano: 1945
Compreendia eu o privilégio de, por dois euros, poder ver um filme do Bresson anunciado algures por cima do arco-íris, e também a importância de não nos desorganizarmos com uma mulher de coração dorido, quando se me assomou um forte cheiro a rissóis de camarão na sala grandinha da cinemateca.
"The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing but burn, burn, burn like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars." J. Kerouac
sábado, 28 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
É sempre de ouvir em repeat #13
Canção: La Bohème
Compositor: Jacques Plant/Charles Aznavour
Cantor: Charles Aznavour
Disco: Monsieur Carnaval
Data: 1965
A chanson é um rosto descoberto na máxima urgência do que nas entranhas arde; não especialmente bonito, mas belo, nele estão cavadas as linhas do tempo que não chegou a ser, e sem dúvida prevalece, e a tudo diminui - tal é a lingua francesa quando precisamos que nos devore; os dedos ondulam num teclado feito piano, e recuperamos o que de lábios desconhecidos se ouviu, e fechou olhos, e aproximou corpos na terra dos afectos, onde tudo é melhor que nada.
Compositor: Jacques Plant/Charles Aznavour
Cantor: Charles Aznavour
Disco: Monsieur Carnaval
Data: 1965
A chanson é um rosto descoberto na máxima urgência do que nas entranhas arde; não especialmente bonito, mas belo, nele estão cavadas as linhas do tempo que não chegou a ser, e sem dúvida prevalece, e a tudo diminui - tal é a lingua francesa quando precisamos que nos devore; os dedos ondulam num teclado feito piano, e recuperamos o que de lábios desconhecidos se ouviu, e fechou olhos, e aproximou corpos na terra dos afectos, onde tudo é melhor que nada.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
É sempre de ouvir em repeat #12
Peça: Piano Trio No. 1 in D minor, Op. 49, primeiro movimento
Compositor: Felix Mendelssohn
Data: 1839
-------------------------------------
Interpretação: Heifetz (violino); Rubinstein (piano); Piatigorsky (violoncelo)
Data: Não faço a mais pequena ideia
A música clássica do século XIX funcionava como uma espécie de Wagner contra o resto do mundo. Nesta equipa alinhava Felix Mendelssohn, o verdadeiro romântico - segundo um artigo recentemente publicado por uma jornalista do Independent, com base em documentos que só agora viram a luz do dia, o autor alemão d’ A Marcha Nupcial morreu de amor. De Mendelssohn, Richard Wagner, que um dia descreveu os judeus como “ex-canibais, agora treinados para ser agentes de negócios da sociedade” (Das Judenthum in der Musik, 1850), disse compor material “doce, de fazer cócegas, sem profundidade”. Importa lembrar, por isso, que os bons filmes recebem más críticas dos especialistas do Público, pelo que natural será que, salvaguardadas as devidas distâncias, o feitiozinho do autor d’As Valquírias, símbolo póstumo do III Reich, também fosse, digamos, uma dor no rabo.
Compositor: Felix Mendelssohn
Data: 1839
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Interpretação: Heifetz (violino); Rubinstein (piano); Piatigorsky (violoncelo)
Data: Não faço a mais pequena ideia
A música clássica do século XIX funcionava como uma espécie de Wagner contra o resto do mundo. Nesta equipa alinhava Felix Mendelssohn, o verdadeiro romântico - segundo um artigo recentemente publicado por uma jornalista do Independent, com base em documentos que só agora viram a luz do dia, o autor alemão d’ A Marcha Nupcial morreu de amor. De Mendelssohn, Richard Wagner, que um dia descreveu os judeus como “ex-canibais, agora treinados para ser agentes de negócios da sociedade” (Das Judenthum in der Musik, 1850), disse compor material “doce, de fazer cócegas, sem profundidade”. Importa lembrar, por isso, que os bons filmes recebem más críticas dos especialistas do Público, pelo que natural será que, salvaguardadas as devidas distâncias, o feitiozinho do autor d’As Valquírias, símbolo póstumo do III Reich, também fosse, digamos, uma dor no rabo.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
É sempre de ouvir em repeat #11
Canção: The Crane Wife 3
Compositor/Banda: The Decemberists
Disco: The Crane Wife
Data: 2006
Um camponês passeia-se certa noite numa localidade rural do Japão, e encontra um pelicano prostrado no chão. Está ferido: tem uma seta enfiada na plumagem. Ele pega na ave, retira-lhe a seta e liberta-a assim que a consegue curar. Alguns dias depois bate-lhe à porta uma misteriosa mulher. Ele recebe-a, apaixonam-se, e casam. Como ambos são pobres, a mulher sugere que vivam de casacos que ela faria para ele depois vender na praça local, mas com uma condição: ele teria de ficar sempre atrás da porta do quarto escolhido para o efeito, e nunca a veria a tricotar as peças de roupa. A mulher vê o pedido satisfeito, e o negócio corre bem, apesar de a sua saúde se vir progressivamente debilitando. Um dia, levado por uma enorme curiosidade, o camponês não resiste a entrar no quarto da mulher, descobrindo que ela, além de tecelã, tinha asas de pelicano, e os casacos eram tão belos porque ela os tricotava com as próprias penas. O feitiço quebra-se quando o olhar dos dois se cruza, e ela, de novo uma ave, voa para nunca mais voltar.
The Crane Wife 3 é a faixa homónima ao quarto disco dos Decemberists, que tem por base esta lenda japonesa, e dela faz a Marianne Faithfull uma cover com o Nick Cave no seu novo álbum "Easy Come, Easy Go", a ser editado na Europa em Março.
Compositor/Banda: The Decemberists
Disco: The Crane Wife
Data: 2006
Um camponês passeia-se certa noite numa localidade rural do Japão, e encontra um pelicano prostrado no chão. Está ferido: tem uma seta enfiada na plumagem. Ele pega na ave, retira-lhe a seta e liberta-a assim que a consegue curar. Alguns dias depois bate-lhe à porta uma misteriosa mulher. Ele recebe-a, apaixonam-se, e casam. Como ambos são pobres, a mulher sugere que vivam de casacos que ela faria para ele depois vender na praça local, mas com uma condição: ele teria de ficar sempre atrás da porta do quarto escolhido para o efeito, e nunca a veria a tricotar as peças de roupa. A mulher vê o pedido satisfeito, e o negócio corre bem, apesar de a sua saúde se vir progressivamente debilitando. Um dia, levado por uma enorme curiosidade, o camponês não resiste a entrar no quarto da mulher, descobrindo que ela, além de tecelã, tinha asas de pelicano, e os casacos eram tão belos porque ela os tricotava com as próprias penas. O feitiço quebra-se quando o olhar dos dois se cruza, e ela, de novo uma ave, voa para nunca mais voltar.
The Crane Wife 3 é a faixa homónima ao quarto disco dos Decemberists, que tem por base esta lenda japonesa, e dela faz a Marianne Faithfull uma cover com o Nick Cave no seu novo álbum "Easy Come, Easy Go", a ser editado na Europa em Março.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
chewing gum in class?
(...)
- Do you think there's anything wrong with your mind, really?
- Not a thing, doc. I'm a goddamn marvel of modern science.
(L)
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Woody Allen cagou no amor

Quem filma a penélope cruz num picado onde toda ela salta de um curto e desmazelado vestido estilo macaco, enquanto investe, rodeada de latas de tinta, em pinceladas frenéticas sobre uma tela estendida no chão, para depois enfiar a nuestríssima hermana num laboratório de revelação fotográfica aos beijos com a scarlett johansson, merece todo o meu respeito. Vicky Cristina Barcelona não é hilariante, mas tem a cor do tinto e aconchega: visita pedaços do que perdi na cidade do gaudi, de cuja estação de comboios saí por cinco minutos, em agosto de 2007, logo regressando à ferrovia porque o sul de frança é que estava bem - rsrsrsrs , já depois de me ter desorganizado com as sardas de uma catalã que viajava na nossa carruagem desde madrid, o que me levou a perder o cem anos de solidão. Décadas de intensa reflexão sobre os absurdos de um relacionamento amoroso conduziram o pequeno ratinho à conclusão de que nada sabemos, pelo que o amor não tem de matar o amor, sobretudo quando o pode moer assim num tirinho nonsense. É mais saudável, e serve o efeito desejado. O Woody Allen sabe tudo/O Woody Allen nada sabe/O Woody Allen somos nós.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
É sempre de ouvir em repeat #10
Canção: Le Matin
Compositor/Intérpetre: Yann Tiersen
Disco: Les Retrouvailles
Data: 2005
dançámos e cantámos joy division, the cure, entre aspas, despe & siga, doors; depois, no caos do jamaica, dei de frente com um passado que há muito enterrara - sem pompa, mas com a devida circunstância. não estou exactamente aos pulos quando regresso ao génio do yann tiersen. vai daí, 6:49, amanhã é um novíssimo dia.
Compositor/Intérpetre: Yann Tiersen
Disco: Les Retrouvailles
Data: 2005
dançámos e cantámos joy division, the cure, entre aspas, despe & siga, doors; depois, no caos do jamaica, dei de frente com um passado que há muito enterrara - sem pompa, mas com a devida circunstância. não estou exactamente aos pulos quando regresso ao génio do yann tiersen. vai daí, 6:49, amanhã é um novíssimo dia.
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