"Depois de no sábado, Francisco Matias, um jovem de 25 anos ter sido colhido violentamente num treino do Grupo de Forcados de Portalegre, foi confirmada hoje a morte deste forcado que estava internado no Hospital de São José. Francisco Matias não resistiu a um forte traumatismo craneano sofrido enquanto executava uma "sorte gaiola", pega à saída dos curros, num treino do seu Grupo. Mais uma morte sem justificação, num espaço de 20 anos é o sexto forcado que perde a vida. A vida foi curta para Francisco pedimos a Deus pela sua Alma força aos familiares, amigos e Forcados de Portalegre. Passe esta mensagem em homenagem ao Francisco.Descança em Paz....."
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Chegou hoje à redacção do Castelo esta mensagem de homenagem ao malogrado Francisco Matias. Uma vez que o seu autor ainda não foi capaz de perceber em que parte do texto que redigiu se explica a origem da tragédia - "mais uma morte sem justificação", pode ler-se -, achei por bem lançar a dúvida aos nossos leitores, ficando desde já claro que preferia, evidentemente, não ter de o fazer. O objectivo é o melhor: ter a esperança de que, por alguma feliz coincidência, não se chegue a lamentar a morte de um sétimo forcado.
Isto aconteceu porque ...
A) Deus sentiu que tinha chegado a hora do Francisco.
B) Já tinham morrido cinco forcados sem justificação;
C) O Francisco tentou agarrar um animal de 500 kg que ficara preso num buraco escuro durante horas e, mal se viu em liberdade, ferido pela luz, investiu no primeiro alvo que se lhe deparou.
O adeus é uma declaração de intenções que P. compreende estar sobrevalorizada. Chega a recusá-la. Daí que, nos tempos da faculdade, depois de um longo jantar boémio, P. preferisse dar continuidade à manhã quando os amigos devolviam os respectivos pés às pantufas, sobre o pretexto de que aqueles já se queixavam, de tão doridos. Sobre estas e outras coisas se debruçava P., luz das letras, poeta urbano, dandy, quando, a seu lado, I., muito atenta - acabara de o conhecer -, não deixou de verbalizar o espanto que se lhe assomou quando de P. ouviu: «Pá, ia para o Lux sozinho. Mas não era para o engate».

