quinta-feira, 19 de março de 2009

"Sorte Gaiola"

"Depois de no sábado, Francisco Matias, um jovem de 25 anos ter sido colhido violentamente num treino do Grupo de Forcados de Portalegre, foi confirmada hoje a morte deste forcado que estava internado no Hospital de São José. Francisco Matias não resistiu a um forte traumatismo craneano sofrido enquanto executava uma "sorte gaiola", pega à saída dos curros, num treino do seu Grupo. Mais uma morte sem justificação, num espaço de 20 anos é o sexto forcado que perde a vida. A vida foi curta para Francisco pedimos a Deus pela sua Alma força aos familiares, amigos e Forcados de Portalegre. Passe esta mensagem em homenagem ao Francisco.
Descança em Paz....."

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Chegou hoje à redacção do Castelo esta mensagem de homenagem ao malogrado Francisco Matias. Uma vez que o seu autor ainda não foi capaz de perceber em que parte do texto que redigiu se explica a origem da tragédia - "mais uma morte sem justificação", pode ler-se -, achei por bem lançar a dúvida aos nossos leitores, ficando desde já claro que preferia, evidentemente, não ter de o fazer. O objectivo é o melhor: ter a esperança de que, por alguma feliz coincidência, não se chegue a lamentar a morte de um sétimo forcado.

Isto aconteceu porque ...

A) Deus sentiu que tinha chegado a hora do Francisco.

B) Já tinham morrido cinco forcados sem justificação;

C) O Francisco tentou agarrar um animal de 500 kg que ficara preso num buraco escuro durante horas e, mal se viu em liberdade, ferido pela luz, investiu no primeiro alvo que se lhe deparou.

terça-feira, 17 de março de 2009

Aqui ela é a mais bonita; o leitor poderá concordar

Crédito: Miguel A. Lopes/Lusa

Jorge Sampaio, ex-Presidente da República portuguesa
Cavas, aqui entre nós, que a rainha não entende: já tinhas apertado a mão a alguma mulher assim? Também senti os ossinhos a muitas, aí desse lado, mas nunca foi coisa que se parecesse.

Cavaco Silva, Presidente da República portuguesa
Uh, em boliqueime havia uma, uh, mas com bigode; olha-me pra este pescocinho de galináceo, uh - é melhor 'tar calado que ontem à noite a maria já me deu um coice.

sábado, 14 de março de 2009

E depois do adeus (há o Lux)

Pintura: Le Moulin de la Galette
Artista: Pierre Auguste-Renoir
Corrente: Impressionismo
Data: 1876
Casa: Museu D’Orsay, Paris

O adeus é uma declaração de intenções que P. compreende estar sobrevalorizada. Chega a recusá-la. Daí que, nos tempos da faculdade, depois de um longo jantar boémio, P. preferisse dar continuidade à manhã quando os amigos devolviam os respectivos pés às pantufas, sobre o pretexto de que aqueles já se queixavam, de tão doridos. Sobre estas e outras coisas se debruçava P., luz das letras, poeta urbano, dandy, quando, a seu lado, I., muito atenta - acabara de o conhecer -, não deixou de verbalizar o espanto que se lhe assomou quando de P. ouviu: «Pá, ia para o Lux sozinho. Mas não era para o engate».

I. – (chocada) Que é que ias fazer para o Lux sozinho.?’????
P. – (contra-chocado) Dançar!

quinta-feira, 12 de março de 2009

O Paul McCartney já deve ter parado em Carnaxide

- Pedro, se tivesses que definir o som do concerto que estes passarinhos estão a dar (o melro da foto podia dar lugar a um pardalito ou a um tordo, soubesse eu quem cantava), como é que o farias?
- Epá, parece vindo daqueles spas.
- E tu? - perguntei ao meu homónimo do marketing.
- Pra mim é música de elevador. Porquê, 'tá a irritar-te?
- Pelo contrário, prefiro isto a muitas bandas.

(Para mais informações, ver aqui).

segunda-feira, 9 de março de 2009

Bogotá dos pequeninos


O senhor barbosa não gesticula quando se expressa, mas fá-lo com os olhos muito esbugalhados; talvez por isso force uma atenção dos seus interlocutores que verdadeiramente não está a ter. Fumava ao meu lado, muito, tanto, e notei-lhe a atenção dividida: encaminhava as palavras para mim, que o ladeava, a par do meu irmão, mas concentrava o olhar nos movimentos precipitados de um grupo de quatro mulheres que haviam chegado àquele irish pub há poucos minutos, e se havia aninhado ali junto a nós, o que despertou um sentimento de repentino entusiasmo no outrora entristecido anfitrião do karoke. De coração espaçoso, o carlos é primo do jorge palma, e já teve piada, mas apaixonou-se, de modo que perdeu-a – está ainda no first flush com a companheira, é o paraíso, e teme-se que um dia lhe dedique um tema do joão pedro pais.

Com o empenho dos bons, o senhor barbosa relatava-nos de que modo iniciara a sua manhã de quinta-feira. «Fui levar a minha mulher à escola e eles ainda lá, parados à porta do continente. O comandante da PSP de Portimão disse-me que, no total, chegaram a estar lá 70 polícias». A fonte policial lamentou ao senhor barbosa que, estando devidamente protegidas as saídas pelo terraço, frente e traseiras, os seis encapuzados que assaltaram a ouriveraria do continente, em portimão, se tivessem lembrado de fugir por uma das várias portas de saída que o parque subterrâneo de estacionamento propicia - hipótese que escapou a todos os elementos das forças de autoridade envolvidas, que chegaram a disparar para o ar, atingindo de raspão o bico de uma gaivota distraída.

Juntando-se à conversa, com sinais de evidente desconforto estampados no rosto, após uma noite mais longa, o barman Ricardo vestia o mesmo casaco de ganga que trajara na véspera, e também tinha algo a dizer. Contou ter saído da Praia da Rocha «às 07h, todo de lado», e, a caminho de casa, ter reparado num «aparato descomunal» junto ao continente, com ruas fechadas e um polícia em cada buraco. O Ricardo confidenciou-nos o quanto achou por bem, no momento, travar o carro junto de um polícia e perguntar-lhe que raio se passava.

«Não posso dizer, isto é um assalto», ouviu de resposta, enquanto se aproximava da zona vedada, em marcha lenta, logo pedindo licença a um outro agente para lhe deixar passar rumo ao epicentro dos eventos. «Faça favor, colega», ouviu o Ricardo, agradecendo por entre soluços e ameaças aziagas de um sempre inoportuno vómito.

quinta-feira, 5 de março de 2009

É sempre de ouvir em repeat #14

Tema: Swing
Músico: Django Reinhardt
Disco: Jazz in Paris
Gravação: 1939



Disgusting things are going on, disguised as 'entertainment'. We have no sympathy for fools who want to transplant jungle music to Germany. In Stettin, like other cities, one can see people dancing as though they suffer from stomach pains. They call it 'swing'. This is no joke. I am overcome with anger. These people are mentally retarded. Only niggers in some jungle would stomp like that. Germans have no nigger in them. The pandemonium of swing fever must be stopped… Impresarios who present swing dancing should be put out of business. Swing orchestras that play hot, scream on their instruments, stand up to solo and other cheap devices are going to disappear. Nigger music must disappear. Do amoroso senhor ‘Buschman’, nome com que se intitulou o autor deste amoroso artigo, publicado a 6 de Novembro de 1938 num amoroso jornal de Stettin, ontem Alemanha, hoje Polónia, se espera que não fosse exactamente um apreciador do belga Django Reinhardt, um dos mais aclamados guitarristas de jazz de sempre, que exibia um bigode minhoca e era pouco ariano, no sentido em que nascera cigano. Raciocino, talvez com prudência: Se o swing possuía de raiva o senhor ‘Buschman’, talvez este, por força da sorte, pudesse ter caído nas boas graças do senhor Goebbels, que durante a II Guerra baniu o jazz, empacotando-o como “americano nigger kike jungle music” - “um ruído irritante, politicamente inaudível”. Tendo sido o senhor Goebbels ministro da propaganda do senhor Adolfo no III Reich, não será despropositado pensar que os dois, juntamente com o senhor 'Buschman' - homem Bush, em inglês -, se poderiam entender muito bem nas mais descontraídas horas de lazer, e que a nenhum eu convidaria para a consoada lá de casa, que eu e o meio tio procuramos transformar numa festa de pessoas que dançam como se tivessem dores de estômago, mas, dá-se o caso, apresentam um ar menos enjoado do que se adivinharia.

quarta-feira, 4 de março de 2009

O Vaticano está preocupado com os camionistas, alas


Conduzir um camião por essa estrada fora pode ser um acto profundamente solitário, mas os camionistas não estão sós: terão sempre o Vaticano.

Exausto, no fecho de um árduo dia de reflexão e pesquisa sobre o paradeiro de Deus, de quem se diz estar de férias, o secretário do Conselho Pontifício Para A Pastoral Dos Migrantes E Itinerantes Que Anualmente Congratula Através De Grandes Farras Ecuménicas Realizadas Nas Humildes Mas Acolhedoras Fronteiras Da Santa Sé Os Muito Devotos Peregrinos A Fátima Que Prudentemente Se Engasgam Nas Pragas Que Rogam Sempre Que Acordam Depois de Sonhar Com Joelheiras, Arcebispo Agostinho Marchetto, com dois tês, fez saber ao mundo que o Vaticano, nomeadamente o Papa Bento XVI, está atento às dificuldades da boa e fiel paróquia camionista, que chega a percorrer em 15 dias o eixo Fátima-Compostela-Roma-Fátima sem dormir, com um olho na estrada e outro na cruz pendurada ao espelho retrovisor, a dar, a dar, e que o acaso por vezes faz cair em cima de uma notável colecção de revistas J, religiosamente empilhadas da primeira à última edição no tablier do camião, de modo a fugir de sonhos, sobretudo dos que envolvam joelheiras.

“Aqueles que realizam viagens longas enfrentam um vasto leque de desafios e problemas que requerem uma aproximação pastoral diferente e específica. Esses problemas são essencialmente físicos, pessoais, morais, sociais, introspectivos, económicos, políticos, intestinais, culturais e espirituais. Essencialmente, só para sintetizar”, concretizou o prelado.