"The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing but burn, burn, burn like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars." J. Kerouac
sexta-feira, 8 de maio de 2009
É sempre de ouvir em repeat #23, 24 e 25
Banda: Beirut
Disco: Gulag Orchestar
Data: 2006
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Canção: In the Mausoleum
Banda: Beirut
Disco: Flying Club Cup
Data: 2007
fei
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Canção: The Akara
Banda: Beirut
EP: March of the Zapotec/Holland
Data: 2009
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quarta-feira, 6 de maio de 2009
É sempre de ouvir em repeat #22
Compositor: Al Di Meola
Intérpretes: Al Di Meola & Paco de Lucía
Disco: Elegant Gypsy
Data: 1977
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Versão: Algures na Alemanha
Data: 1981
Algúem nos comentários a este vídeo diz sentir um eargasm quando o Paco acelera. Silêncio, que se vai ouvir o flamenco, ou o jazz, ou a mais bela peça acústica de que me lembro assim de repente.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
É sempre de ouvir em repeat #21
Canção: A Marcha d'Os Golpes
Disco: Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco
Data: 2009
Editora: Amor Fúria
Já se esgotou o tempo de ser só uma impressão, coisa à superfície. Fervilha por aí uma geração de criatividade sem fim, disposta a fazer pelo pop/rock português coisas como há muito não eram vistas. Esta malta é talentosa e trabalha que se farta. A canção que aqui aterrou é intocável, furiosa, extremamente saudável para o menino e para a menina, e um belo isco para um melómano se lançar à procura do resto - leia-se: o disco de estreia Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco dos novíssimos Golpes, que tem saída para as lojas prevista "poucos dias" após o concerto de lançamento no Alquimista, da última sexta-feira, 1 de Maio. "Poucos dias" depois, cheira-me, é amanhã. Sigamos-lhes o rasto, vá, que eles e companhia ilimitada bem o merecem. Tanto que este vídeo já me pediu um perdão que de pronto foi aceite.
- Moço, desculpa lá isto de fazer de conta.
- Ora essa. Vai em paz, e que o rock te acompanhe.
- Amén.
- Nem mais.
MySpace: aqui
sábado, 2 de maio de 2009
Umm, dois segundos, três vezes
É parecido noutra sala, não me lembro qual, mas falta um detalhe: a breve alavanca dos assentos, aquela que nos desce durante umm, dois segundos e tac, pára na mais-que-perfeita posição para se visionar um filme, apresenta nos Cinemas Londres um barulhinho de porta a ranger em casa abandonada. (pode não ser exactamente assim, mas preciso de um título). Aconteceu três vezes comigo este ano. Eis o meu mini Indie Lisboa 2009.Green Waters, Mariano de Rosa, Argentina (2009)

Comédia psicótica. Juan é, ou gosta/exige que o vejam como a figura tutelar da família, o Pai, com capitulares. Depois aparece um easy rider de sorriso pepsodent e as meninas da família, encantadas, esquecem as convenções e saltam de olhos fechados para a novidade. Bottom line, papás à antiga: cuidado com as férias em família. Sobretudo se já crescer na vossa filha adolescente o mesmo rabo que a mãe tinha há 20 anos, quando a pediram em namoro. Mariano de Rosa faz questão de nos explicar isso mais do que uma vez.
Dernier Maquis, Rabah Ameur-Zaïmeche, Argélia/França (2008)

Há muito que não ouvia aplausos tão sentidos nos créditos finais de um filme. O patrão fora ao chão minutos antes. Melhor tivesse tratado os trabalhadores, em vez de lhes construir uma mesquista para comer e calarem o salário mínimo, eles, que conviviam no emprego com ratos gigantes. No fim, Ameur-Zaïmeche, que interpreta o patrão, pousa nas mãos do espectador o desenlace: chegará alguém para derrubar as barricadas erguidas no último plano? Ou tomarão os trabalhadores conta da fábrica de paletes? E fazendo-o, haverá consenso nas tarefas de uns e outros, direitos e igualdades respeitados? Lembrar-nos-emos d'O Triunfo dos Porcos? O patrão chama-se Mao. Como é que vai ser?
The Happiest Girl in the World, Rade Jude, Roménia (2008)
Retrato desencantado dos “15 minutos de fama”, espécie de Little Miss Sunshine à romena. “Bebe!, Bebe!, Bebe!”, ordenava, fora de si, o realizador de um anúncio publicitário a uma bebida à protagonista deste, Delia, míuda de outros ritmos que não os de Bucareste, que assumia sem particular furor o papel depois de ter ganho um automóvel pelo envio de cupões. Podia ter corrido melhor. Para ela – nós, espectadores, ríamos o riso dos tontos com tanta trapalhada na rodagem do anúncio e da relação dela com os pais, que a levaram da uma pequena localidade onde viviam rumo à capital. Mais uma fita irresistível na-já-não-tão-nova-quanto-isso vaga de cinema romeno. Ah!, o pai da míuda veste fato e calça sandálias com meias azuis.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
nenuco
a única dor no rabo dos 27 é não os ter para sempre - embora o morrison, a janis e companhia pudessem ter uma ou duas coisas a dizer sobre isso; porta-te bem, reflecte sobre os passarinhos que voam e até já.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
There's more to the picture, than meets the eye
Festejava-se o 25 de Abril num bar tipicamente algarvio, o Ireland’s Eye, seriam umas 02:00, quando chegou o S., acabado de acordar, para o encore, depois de a todos se ter adiantado, logo pela tarde, e sozinho começar os festejos, ou aliás na companhia de uma garrafa de Jameson. Poucos como o S. levarão tanto à letra a ideia de se ser livre, e portanto domar plenamente o eu. O dos outros, também. E assim foi que me puxou o braço para um breve monólogo quando o T., que esmurrara de satisfação o balcão até sangrar feliz de dois ossinhos assim que o DJ lançou os “Contentores”, foi chamado ao palco, sentando-se virado para as costas de uma cadeira e daí zurrar fado para merecer as atenções de uma senhora que ali cantara Charles Aznavour há umas semanas. Repetia ontem a presença, ela, sem dúvida pela liberdade, mas sem a cantoria. “Andei eu a comer uma guia de 300 quilos para isto”, queixava-se em horário de pequeno almoço o S., sem especificar demasiado. Quem não percebia muito bem o seu lugar naquilo tudo era a L., habitual farol das nossas noites cantadas no Boogie - outro estabelecimento boémio de contornos absolutamente algarvios na zona - e arredores, e naquela noite lamentavelmente relegada à discrição de uma mesa lateral, escura, onde não chegava o cabo de qualquer microfone através do qual se pudesse fazer a revolução. Quando não está a cantar a L. fala muito baixinho, talvez por saber, e respira fundo, que só temos ouvidos para ela, mas aquele Mestre de Cerimónias não parecia querer fazer dela o farol do karaoke dos outros, pelo que, sem cantar, a L. fazia ouvir o seu descontentamento como poucas vezes já o presenciáramos. Algo de significativo, percebia-se. Estaria tudo resolvido, porém, logo depois de a L. virar para o estômago, com movimentos de pescoço pendulares, muito rápidos, uma pequena substância espirituosa, servida uma e outra vez. Espécie de encantamento. Por esta altura, certo das minhas responsabilidades na A2, duas manhãs de domingo por mês, deixei a revolução na Praia da Rocha no rasto do casal que ali entoou de mãos dadas a canção “Depois de Ti”, composta e interpretada pelo lendário Tony Carreira, com Y a seguir ao Ton. Tema, aliás, poucas pessoas o sabem, que constituiu uma terceira senha na marcha que derrubou a ditadura, além das mais comerciais ‘Grândola Vila Morena’, do Zeca Afonso, e ‘Depois do Amor’, onde o Paulo de Carvalho podia disfaçar melhor as influências que levaram à escolha do título. Tudo, claro, para quem conhece a que ritmo batem os corações dos capitães de Abril, segundo as românticas coordenadas 'Foi um Amor Proibido/Como tanta gente tem/Eu já tinha alguém/Eu já tinha alguém'. Já em casa, cheio, sintonizei o meu rádio imaginário na canção que se segue, e com ela adormeci; exemplo, aliás, que muitos pais deveriam seguir, e a preceito ajudarem a adormecer as criancinhas, em vez de as assustar com histórias sobre lobos maus.quinta-feira, 23 de abril de 2009
A valsa de Don Andrés e restante orquestra catalã
Coleccionar inúmeras alegriazinhas de modo a poder celebrar três grandes farras, Taça do Rei, Campeonato Espanhol e Liga dos Campeões, pode muito bem ser o destino do Barcelona, equipa de seda condenada a escrever nesta época uma história sem igual. «Isto é demasiado bonito para que se detenha. Temos pela frente algo maravilhoso para viver», disse o técnico dos catalães, Pep Guardiola, após golear esta noite o Sevilha por 4-0 na 32.ª jornada da Liga doméstica - ah!, com o Messi de fora. Soubesse o ex-médio que as coisas iam correr assim – bilhete para a final da Taça, líderança do campeonato com seis pontos de avanço e todos os recordes de vitórias, pontos e golos à mercê, e presença nas meias-finais da ‘Champions’ - e talvez, com o capital de que goza no clube, tivesse entrado mais cedo nisto de treinar o belíssimo Barça.
Afinal, é apenas a época de estreia do Guardiola no banco de suplentes, dirigindo uma equipa, e, de preocupações, apenas ganhou uma: pedir aos seus jogadores que reentrem em campo com o mesmo apetite com que o deixaram, ao intervalo, invariavelmente a uma distância já inalcançável do adversário. Gosto de futebol. Mesmo. E, felizmente, dá-me para rir quando leio alguma imprensa espanhola desvalorizar os sucessivos correctivos que o Barça infringe nos seus adversários espanhóis, Sp. Gijón, Atlético de Madrid, Almería, Málaga, Valladolid, Sevilha, Valência, Deportivo e Numancia, é à vez, 9 equipas já foram goleadas num total de 19, com seis jogos por disputar, sob o argumento de que estes olham para o jogo seguinte - o Real Madrid apanha as sobras do Barcelona -, deixando-se ganhar.

Conheço-o bem: vem do mesmo saco onde se vai buscar outro - “Ah, eles só correm contra nós” -, acenado para justificar desaires pelos que nunca se enganam e raramente têm dúvidas. No admirável mundo ‘blaugrana’, entre outros, podemos encontrar o melhor jogador do mundo: o Messi. Só falta oficializar. Depois, num grupo de quatro ou cinco com talento que sobra para rivalizar pelo estatuto que, por certo, o argentino roubará ao Cristiano Ronaldo na próxima gala da FIFA, mora um dos meus jogadores preferidos de sempre, o Xavi, e também o Iniesta, espécie de irmão mais novo daquele. Aos dois minutos do jogo com o Sevilha já Don Andrés tinha incendiado o Camp Nou com um golo perfeito. Depois entregou de bandeja os outros três.
Li por aí alguém chamar-lhe o “génio generoso”. E também me parece, abrindo o plano, que, por estes meses, ser adepto do Barcelona deve ser tão aborrecido como ir a um concerto do Kusturica com os No Smoking Orchestra ou ser o escravo sexual da Rachel Weisz.