"The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing but burn, burn, burn like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars." J. Kerouac
quinta-feira, 30 de julho de 2009
É sempre de ouvir em repeat (nas fériaaaaaaaasssss) # 39 e 40
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(onde se prova que isso do wally ser um desenho inanimado é letra - firme e hirto no post de baixo; aqui aos pulinhos)
terça-feira, 28 de julho de 2009
FMM: vinte horas no paraíso
Já as gaivotas se cumprimentavam, trocando novidades junto ao mar, quando, no carro, sem forças, ouvi as últimas palavras do Bob Marley em 'Redemption Song'. Olhei o relógio, 07:30. Parecia a forma perfeita para os esquizofrénicos DJ do Bailarico Sofisticado dizerem, "Xau canalha fixe, voltem para a tenda, ou caravana ou carro ou toalha de praia ou praia sem toalha de praia, xau, durmam como vos for possível depois deste festival maravilhoso, durmam tortos, de lado, de pé, nus, ou aliás como o sol deixar, 'tá cá um bafo, e quando acordarem isto vai parecer tudo um grande sonho, como no cinema, e quando vos perguntarem se foi verdade vocês responderão que de nada se lembram. E será mesmo assim". Como qualquer espertalhão, tomei decisões em menos de nada. Olhei-me no espelho, vi pele de tomate e olheiras gigantes na tentativa frustrada de emprestar alguma majestade ao momento, dei à chave e ataquei 150 quilómetros de sol australiano rumo a Lisboa. Eu e a cerveja enganámo-nos duas vezes no caminho e quase nos deixámos dormir ao volante umas, vá, trinta. Lá cheguei - parecia impossível -, duas horinhas de sono e roda batida para a redacção. Já li por aí que a festa em Sines continuou. (Então era este paraíso que eu andava a perder.)Melech Mechaya, depois de tostar na praia

Bibi Tanga & The Selenites, antes de jantar
Pisava merda de novo. James Blood Ulmer, depois de jantar
Morninho, a malta queria era parvoíce, não leves a mal.
Jazz e heavy-metal a copular como dois coelhos famintos.
Lee 'Scratch' Perry, todo fora

Speed Caravan, "Onde é que 'tás?; "'Tou aqui!"
Se dúvidas houvesse de que Sines é uma espécie de Meca.Banho de créditos: Mário Pires
sexta-feira, 24 de julho de 2009
terça-feira, 21 de julho de 2009
Quem quer viajar entre Lagos e Alvor num colchão de brincar?
Por ter feito anos durante a semana, festejando-os derrubado na cama depois de ter partilhado demasiadas garrafas de rosé com um cliente na véspera, o Nelas convidou a malta para um sábado na vivenda dele, a partir das 13:30. Menu para curar ressaca: piscina, grelhados, minis e mojitos. No que me toca, tinha marcada uma caracolada com o meu irmão para o final dessa tarde, pelo que apostei na primeira e nos últimos, não necessariamente por esta ordem. A noite anterior fora longa, começando numa prova de vinhos que nos custou três euros e acabando a dispersar de uma discoteca em ladies night logo após dois caramelos terem andando à pancada porque um cortejou a matulona que o outro cercara primeiro. Há um acordo tácito nisto da rapinagem em pista de dança: ninguém ataca a mesma 'presa'. O ar pode ser de todos, mas a matulona é minha, reclama aquele que primeiro se insinuar. Não perguntem.quarta-feira, 15 de julho de 2009
Vinte segundos
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Um rascunho sobre o Alive!09
9 de Julho
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Silversun Pickups: Aposto duas minis como a baixista é mãe de três filhos a caminho dos seis, vai à missa ao domingo e no final do dia ouve Smashing Pumpkins às escondidas.
Delphic: Nada mau para quem lançou um single.
Air Traffic: Bah.
Tv On The Radio: Banda mais cool do festival?
Klaxons: Eles próprios nem queriam acreditar no festim que desencadearam.
Crystal Castles: A Amy Whinehouse é uma menina de coro ao pé da Alice Glass.
Metallica: A primeira vez é sempre aquela base de dados.

Créditos: Rita Carmo
10 de Julho
(despachado.)
11 de Julho
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A Silent Film: A música mais bonitinha, assim ao lado da 'Crash into me' (DMB)?
Ayo: Reggae na voz que o Michael Jackson tinha quando cantava com os irmãos.
Los Campesinos!: Espero que alguém tenha tido o bom senso de filmar alguma parte do concerto e publicá-la na net. Eu não tive.
Chris Cornell: Vá lá que deixaste o Timbaland no estúdio...
Black Eyed Peas: Também gostamos muito de ti, Fergie.
Autokratz: E aqui o lampadinha a perder tempo com Black Eyed Peas!
Likke Li: Que ninguém ensine a uma sueca como se fazem canções pop. Podem é ligar à Everything is New e explicar-lhes uma ou duas coisas sobre alinhamentos de bandas em festivais de música.
Dave Matthews Band: O concerto do festival? Não tocaram foi a 'Bartender', sacanas. Não cabia lá em quase três horas?

Créditos: Rita Carmo
Menção especial aos Homens da Luta - E o povo, pá?
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Adeus Amélie

Na verdade, sendo mais preciso, a linguagem musical ontem privilegiada no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, no encerramento de uma mini-digressão que passou por Figueira da Foz e Famalicão, vem sendo cada vez mais utilizada nas actuações ao vivo do músico. Ainda que de formação clássica em piano e violino, Yann Tiersen integrou vários grupos rock na sua juventude. Dust Lane, disco a editar no final do ano que serviu de mote ao concerto no CCB, é, 14 anos depois do trabalho de estreia, La Valse des Monstres (1995), o registo que devolve o compositor às descargas eléctricas.
Para trás ficam as paisagens melancólicas dedilhadas ao piano, ou abraçadas ao acordeão. Por outras palavras: toda uma reputação.
O violino, esse, ainda estrebucha, aqui e ali, mas nas poucas vezes em que o músico dele se apoderou - sensivelmente as mesmas em que deu uso à sua voz sofrível - foi para o utilizar como instrumento de ataque a canções de rock experimental, não para fazer soluçar os espectadores. Atentos como estátuas, aqueles pareceram surpreendidos ao testemunhar o novo rumo que Yann deu à sua carreira - qualquer coisa de que os Sonic Youth ficariam orgulhosos.
"Toca a Amélie!"
À cerca de hora e meia de actuação faltaram praticamente todos os hinos do autor de Rue des Cascades (1996), pelo que melhor será falar no que o quarteto que o acompanhou não esqueceu. Junto de Stephane Bouvier (baixo), Dave Collingwood (bateria), Christine Ott (teclas e o psicadélico ondas Martenot, um instrumento electrónico dos anos 30), e Robin Allender (guitarra), Yann (voz, guitarra e violino) espantou a assistência mais desprevenida com o ruidoso bloco de cinco primeiras canções do alinhamento.
Desconhecidas, decerto ficarão associadas a quem de direito assim que Dust Lane estiver disponível nas lojas.

Na recta final da quinta faixa entrou em acção o aguardado violino. Prenúncio de regresso ao último disco de estúdio, Les Retrouvailles (2005), ou até do seu mais recente trabalho, Tabarly (2008) - terceira banda sonora para filme assinada por Yann Tiersen?
Nem por isso. O violinista de formação clássica só se mostrou como tal a sensivelmente meio do concerto, numa versão do tema originalmente escrito para piano, 'Sur le Fil', do albúm Le Phare (1998) - mais tarde aproveitado n'O Fabuloso destino de Amélie.
Descabelado como se pede a um artista indie, avançado um passo, recuando dois, esquerda, direita e de novo esquerda, inquieto, Yann ofereceu ao público um solo arrepiante. Este devolveu-lhe a ovação da noite. Dali em diante, cada vez mais intensas, as descargas eléctricas comandaram canções de queda livre, esporadicamente cantadas por todos os músicos, excepto o baterista.
"You fucking rock!", ouviu-se da assistência.
Tímido - há coisas que nunca mudam -, Tiersen deixou-se ouvir apenas três vezes entre músicas. Nunca foi além de um imperceptível "obrigado" de olhos fixos nos pés. Também poucos esperariam que cuspisse fogo pela boca.
Aguardava o público, isso sim, por, enfim, ouvir os arranjos originais de uma das bandas sonoras de culto da década. "Toca a Amélie!", suplicou alguém, quase para dentro, com o tom de voz conformado de quem sabia que esse pedido não seria satisfeito.
Mas foi precisamente com o tema 'La Valse d'Amélie', ainda que atacado com arranjos de guitarra distorcida, que Yann Tiersen fechou uma actuação curta, de alto risco, mas conseguida. O legado rock do músico bretão contrói-se dentro de momentos.

