sexta-feira, 11 de setembro de 2009

noites daquele branco branquinho

... havia festa no miradouro de são pedro de alcântara em volta da roda de choro de lisboa, e haverá poucos miradouros como aquele, assim, a oferecer castelo e sé e a insinuar o tejo, que de noite é mais imaginado daqueles lados do que propriamente visto, e depois passou talking heads no bar que por ali abriu; a noite esteve belíssima, daquela beleza ofuscante, capaz de fazer corar o dia mais vaidoso, branca como o dostoievski imortalizou; amigos de hoje e de ontem, mocas a condizer e a inês, claro, a inês que era o motivo de tudo aquilo e anda a sofrer por antecipação uma mudança de vida - em boa verdade, já gastou por cá metade da dor -, a inês que cortou o cabelo e estava uma gata de cinema com os amigos e as mocas e a inês que agora tem uma capa de jornal só para ela; noites brancas sem despedida, é pisado mas também não gosto delas, e a inês que ronrona no ombro próximo quando vira o copinho que resultou da ideia fixa "só mais um" e há-de ver o cinema paraíso em cardiff, ou noutro lado qualquer, se é que ainda não o viu, para nos créditos finais abrir uma janela, todos queremos que a inês abra janelas, e gritar a pulmões cheios: "Alfredo!"

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Betty é outra coisa


All About Eve, Joseph L. Mankiewicz, 1950

Lloyd, o escritor - The general atmosphere is very Macbeth-ish. What has or is about to happen?

Margo, a actriz - What is he talking about?

Bill, o namorado da actriz - Macbeth.

Karen, a mulher do escritor - We know you. We've seen you like this before. Is it over, or is just beggining?

Margo, a actriz - Fasten your seatbelts: it's going to be a bumpy night.

domingo, 6 de setembro de 2009

Já nem falo dos outros; de quantos remates precisa o melhor do mundo para fazer um golo?

Lição do dia: uma baliza de futebol de onze com as medidas oficiais tem 7,32 metros de largura por 2,44 de altura.

Nota: O Liedson está dispensado da aula.

sábado, 5 de setembro de 2009

Uma noite em Lisboa

Queijo amanteigadíssimo de Azeitão com broa mal nos sentamos à mesa, esfomeados como supermodelos? Sim. Caipirinha de aperitivo, sem açúcar - a nossa é diferente? Vai lá enganar outro. Plumas de porco preto tenrinhas, menos salgadas do que os secretos, desfazendo-se a pedido dentro da boca? Claro. Empurrá-las com um Periquita, tinto, para homenagear Azeitão à séria? Óbvio. Bolo de brigadeiro para fechar? Só se tiveres um estômago de aço, depois de tanta confusão que para lá enfiaste – mas pedes a sobremesa na mesma, chama-se gula. Serviço: atenciosidade + educação + simpatia + charme = há guardas prisionais mais delicados. (Ou então dá mesmo azar ir à Adega Já Fumega, Rua Campo de Ourique, número 13, a uma sexta-feira).

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- copo obrigatório na bica pelo meio -

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Marginal ao Bairro Alto - rua Poiais de São Bento, 37 - e, verdadeiramente, a tudo o que mexe dentro do género na noite de Lisboa. Há muitos, muitos anos. Para dançar já sabemos como é, como sempre foi: na pista de dança até às 02:00 e depois onde os nossos pés estiverem estacionados, ou para onde nos empurrarem. Deixaram a malta a penar pela rua das cidades/países/continentes do Cais do Sodré durante Agosto, em desespero para que cinco bares-discoteca cumprissem juntos o papel de um, mas isso já lá vai. A porta azul-garagem reabriu. Ontem: Joy Division, The Killers, The Gossip, Editors e por aí fora. Vida eterna ao bigode retorcido do D’artagnan e sua toca profana.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

É sempre de ouvir em repeat # 43

O surrealismo já era: I'm going away é o álbum mais acessível dos Fiery Furnaces até à data, diz O NME. Ainda não o varri por inteiro, mas esta música é a mais bonita que ouvi nos últimos tempos, digo eu. (O vídeo deve ter sido filmado por um japonês aspirante a wong kar-wai lá do bairro).

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

É sempre de ouvir em repeat # 40, 41 e 42



jj é doce ao primeiro ao contacto. Há um EP do bicho. E ninguém sabe quem o bicho é.



Estas teclas perseguem-me o dia todo, e podia agora mesmo fazer uma analogia com melgas, dada a perseguição, mas não faria grande sentido porque, enfim, até a bióloga mais querida se deve sentir realizada quando esmaga uma.



Pela amostra, muito cuidadinho com o novo disco do projecto com o melhor nome do mundo, e arredores. (Agradecimentos ao oráculo do costume).

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Volta ao Minho, dia três

09:00 é muito cedo para mim, é mesmo, e agora lembrei-me que ela é, ou era, a cara chapada da vocalista dos Texas, lembrei-me do quanto me desorganiza querer colar os calcanhares ao rabo antes de dormir para os primeiros escorregarem lentamente até à posição muito direita do morto, ou o mosquito que goza comigo há duas noites sem que o consiga apanhar, daí escrever o relato do terceiro e último dia no Minho já hoje, a ver se o encontro aqui por cima, desprevenido, o cabrão, mais esperto que sei lá o quê. Confiámos no GPS para rumar ao Gerês. Um erro aqui, outro ali, mas foi-nos bem útil. O Ricardo acha que eu me comovo com o óbvio, e tem 97,7% de razão. Uma língua torta de azul límpido entre montanhas e clique, clique - o tolinho age como se nunca tivesse visto tal coisa. 2% dos 2,3 que faltam cabem no cartaz da oficina da Citroen de Viana do Castelo. Os outros 0,3 entram nas lagoas que encontrámos Gerês acima, até à cascata de Portela do Homem, na fronteira. Tão acima que, salvo melhor solução em território português, estacionámos em Espanha, na Serra do Xurês, regressando a pé cerca de um quilómetro ou dois para enfiar a pata nas águas cristalinas, quase frias, do rio Homem. Andar por ali, de rocha em rocha, apenas para ver de perto um rio entre pedregulhos que se despenha numa lagoa é claramente estúpido, tal o perigo - uma miúda espanhola escorregou numa réplica da cascata maior e, bem, ouch! Mas nós, animais extremamente racionais, fazemo-lo à mesma, que só se vive uma vez e aquilo é giro à brava. A estrada que nos levou a Portela do Homem era tão sinuosa, tão íngreme, que arriscámos dar a volta pelas belíssimas estradas galegas rumo a Paredes de Coura, onde, como há um ano, estava agendado novo jantar na casa da família do Sr. Carlos, dono da cervejaria Solar dos Mouros, ali nos primeiros metros da Calçada lisboeta do Poço dos Mouros. Chegámos ao sítio de Chão, onde o Sr. Carlos mora, já com o Sporting a perder com o Nacional. A viagem foi longa, umas duas horas?, e, na verdade, o clube que por estes dias só me dá alegrias esquisitas não precisa de muito tempo para ficar atrás dos outros. O amor é fodido, já diria o MEC. Como na cervejaria, a Dona São, mulher do Sr. Carlos, apostou em fazer churrasco para um regimento de infantaria. Come mais Rui, olha tanta comida. Pois isso vejo eu Dona São, já azul, olhando de ladeiro para o Sr. Carlos, que nunca me deixou ter o copo vazio de Alvarinho verde branco - o suspeito do costume. A Carla, filha, ia para Ponte de Lima ver Daniela Mercury. Com o assentimento do Ricardo, a Célia acha que eu me ando a fazer à mocinha. Não percebo. Seguindo o rasto de Colin McCarlos, já com uma sarda considerável, descemos e subimos e curva contracurva até Sapardos, onde a grande festa anual de Nossa Senhora de Fátima atraía centenas de casais que ali chegavam em carros de matrícula francesa. As mulheres, pintadíssimas; os homens, de patilha fina em diagonal e cruz dourada ao pescoço. Cabeças de um cartaz monocéfalo: Função Publika, pois então. Com vários membros novos, entre os quais um argentino chamado Carla, esta big band teima em arrastar multidões no querido mês de Agosto. Covers de Bombocas, Queen e Roberto Leal fizeram parte de um repertório versátil, como a enumeração adivinha, mas não esgotaram um espectáculo farto em surpresas. "Vamos oferecer uma bengalazinhas cintilantes e uns balõezinhos amarelos de borracha", anunciou, de repente, um membro espanhol da banda, elevado numa plataforma que apareceu no meio do público, tal como em 2008. Porra, pensei, feliz, isto é Portugal! O fogo de artifício que interrompeu a actuação meteu os narizes em sentido e colheu aplausos apoteóticos. E nós, já depois de o Sr. Carlos, escapando à mulher, me ter levado por um braço para beber um último copo, mal sabendo eu, zonzo de tanta coisa junta, que este seria de penálti, voltámos a Antas, Esposende, que havia um comboio para apanhar no Porto pela manhã. Dormi - tentei dormir - quase uma hora sentado, não fosse a bílis tecê-las. Um punhado de horas depois já me encontrava na redacção, sentado em frente a um computador, tac tac tac num domingo sem pessoas. A tradição ainda é o que era.