sexta-feira, 6 de novembro de 2009

encontrar num centro de emprego de lisboa uma amiga de portimão que nasceu um dia antes de mim e a quem terei dado o meu primeiro beijo

Eu - Olá!
Ela - Oi!, há tanto tempo! Que fazes aqui?
Eu - Vim pra me lerem a mão. Será a direita ou esquerda?
Ela - Oh, parvo, diz lá, a sério.
Eu - Vou mudar pra estágio profissional e tenho de me inscrever aqui.
Ela - Mas continuas no mesmo sítio?
Eu - Sim. Olha, acho que faz um ano amanhã. Ou depois.
Ela - Ah, ok.
Eu - E tu, também continuas onde estavas?
Ela - Eu?
Eu - Sim, tu.
Ela - Fui demitida ontem.
Eu - Porquê?
Ela - Problemas internos.
Eu - Chato, isso.
Ela - Mas agora tenho um projecto. É tão ambicioso, tão ambicioso - nem imaginas.
Eu - Pois não. Qual é?
Ela - Oh!, não te vou dizer, não é?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sa-Ra: da Califórnia, com amor

Durante anos produziram os trabalhos dos outros. Kanye West, Erykah Badu, John Legend, Iggy Pop, Herbie Hancock. Chegado o tempo - 2009 - de fazerem, de raíz, o primeiro disco de originais - há outro, sem esse estatuto, que remonta a 2007, mas, que escrevo eu, não o conheço -, os Sa-Ra apresentam Nuclear Evolution: The Age of Love, uma orgia superior de música negra em que a soul emerge sempre como o elemento que, bem sentidas as coisas, fecunda. (Posso muito bem ter acabado de inventar a pior metáfora de sempre). Um êxito instantâneo, tipo os textos do JPC sobre culinária e a dança dos corpos que a M. evoca e a paixão descontrolada que o J. tem pela relação som-imagem e por secretos de porco preto. Este 'Love Czars', fffffuu, é de tirar o fôlego.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

pela estrada fora


olhos nas guias contínuas da berma e mão no volante, nevoeiro e noite dentro, o nevoeiro que chega sem aviso noite dentro, para assombrá-la, dirão os do copo meio vazio, para torná-la mais irresistível, dirão os outros, nada se vê em todo o alentejo, ali em frente roda um condutor que não desliga os quatro piscas, deve ter receio que o vejam tarde de mais, rodamos a 70; outros, dementes, voam por nós à velocidade da demência, mas eu sigo-te de perto, a ti, o dos quatro piscas - o caos da cidade grande ficou para trás e estou contigo nisto, oiço o revolver dos beatles e sei que ambos queremos sair bem disto, queremos poder contar a quem nos queira ouvir, ou ler, não tanto que acabe já, só mais um pouco, prolonguemos a dúvida - é uma espécie de banho, ficaremos bem.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

hey judd


o zé quer impressionar a malta na segunda leva: tem tantos militantes como independentes e, nas caras novas, tantos homens como mulheres: quatro - entre estas uma sindicalista, uma escritora e uma actriz. avante!, camarada.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

uma coisa absurda



não sei se há uma música má no novo dos temper trap, quer dizer, é tudo assim.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O Mourinha não pesca nada disto



Foi na apresentação do filme Parlez-moi de la pluie, cujo título em português se transforma em Deixa Chover. Presente no São Jorge, onde o seu mais recente filme foi apresentado na abertura da Festa do Cinema Francês, a belíssima Agnès Jaoui respondeu a perguntas sobre o título - "escolhê-lo foi uma dor de cabeça e, no fim, nada tem a ver com o filme" -, sobre a hipótese de ter realizado uma comédia agridoce para gente madura - "vá, pode ser" - e à entrevista que lhe fez o Jorge Mourinha, publicada no Ípsilon, onde se lê, com base no visionamento do filme, que "Agnès Jaoui está zangada com os políticos franceses". Resposta para cinéfilo ouvir: "Ele não percebeu nada".