"The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing but burn, burn, burn like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars." J. Kerouac
Deixarmo-nos levar por cada nota, nada desperdiçar, sentir tudo. Erráticos em frente: a corda parece estreita – é preciso tomar lições de abismo -, mas ei-la firme. Confiemos nela, é o que temos, estamos bem.
Quando os Pulp lançaram isto, em 1994, os Pulp do Jarvis Cocker e da adolescência do meu irmão, que viria aliás a tornar-se, em parte, na minha, os Pulp das canções perfeitas para se ouvir sete, oito vezes seguidas e depois abandoná-las, virar as costas sem lhes sussurrar adeus, como à nossa amante, aquela com quem só nos reunimos para o melhor, e mais tarde regressar, quando os Pulp lançaram isto, dizia eu, talvez conhecesse o meu melhor amigo há quatro ou cinco semanas. O rapaz achava que ter-me por perto era a melhor coisa que lhe podia acontecer e, vai daí, escondeu que gostava do Benfica porque me sabia ferrenho - ui, intratável - do Sporting. Aguentou a personagem durante um ano – o mesmo em que gostámos sempre da mesma rapariga, uma e outra vez. Um dia esperámos por uma delas no portão das traseiras da escola, onde a mãe desta lhe costumava esperar num carro branco que na minha memória já não tem marca, e fizemos-lhe uma serenata à laia de UHF. Éramos três e havia outro miúdo apaixonado que ficou a ver tudo atrás de uma árvore, sem coragem de se juntar a nós. Partia tudo, a miúda. Escolhemos uma sexta-feira para no dia seguinte não termos de lhe mostrar o nosso rosto cor de sangue - o tempo mói a vergonha. Arriscámos um refrão quando ela passou e logo vimo-la desaparecer para dentro do carro branco como se fugisse da morte. Eu e ele, meu amigo antes e depois de se assumir como benfiquista, adepto de artes marciais que se exibia menos do que então gostava só porque eu nunca gostei demasiado de pavões, resistimos aos choques frontais causados por disputarmos a atenção das mesmas meninas e só fomos separados mais tarde, mais perto destes dias, pela distância. Só esta, sempre tão subtil a fazer aquilo que melhor sabe, deitou quase tudo a perder. Hoje já pouco nos liga; restam as canções, e os nossos cacos que nelas vivem.
20. Chaka Demus, Jamie T 19. My Girls, Animal Collective 18. Let's go Surfing, The Drums 17. Trepanation Party, Voxtrot 16. Sparrow Looks up at the Machine, The Flaming Lips 15. What I Can Say, The Horrors 14. I’m Not Done, Fever Ray 13. Love Lost, The Temper trap 12. Sheila, Atlas Sound 11. Daniel, Bat for Lashes
10. La Superbe, Benjamin Biolay (O melhor vídeo, de longe).
20. Nobel Beast, Andrew Bird 19. Stória Stória, Mayra Andrade 18. Primary Colours, The Horrors 17. It’s Blitz!, Yeah Yeah Yeahs 16. A Strange Arrangement, Mayer Hawthorne 15. Merriweather Post Pavillion, Animal Collective 14. Reservoir, Fanfarlo 13. Middle Cyclone, Neko Case 12. Phoenix, Wolfgang Amadeus Phoenix 11. Humbug, Arctic Monkeys
10. Kings & Queens, Jamie T 9. Fever Ray, Fever Ray 8. Actor, St. Vincent 7. Veckatimest, Grizzly Bear 6. Conditions, The Temper Trap 5. xx, the xx 4. Tarot Sport, Fuck Buttons
3. The Age of Love, Sa-Ra Creative Partners
Sexo. Sons superiores, imensos. Um festival de música negra num dos mais interessantes projectos do momento.
2. Embryonic, The Flaming Lips
Qualquer coisa como o tipo de música que o Jim Morrison se teria lembrado de fazer se ainda estivesse por cá. A Karen O dos Yeah Yeah Yeahs e os MGMT são convidados especiais. Canções de quem está a olhar da lua para cá - um melancolismo, digamos, lunar?
1. Logos, Atlas Sound
Bradford Cox, esse génio workaholic, disse até já aos Deerhunter pela segunda vez e, a solo, inventou um disco de pop futurista, surpreendente do primeiro ao último acorde. Temas meticulosamente produzidos de fazer cair o queixo. Um espanto.
Como na lista dos discos, também a das canções reúne tudo o que não tenha 2009 metido ao barulho. Essas entram noutras contas.
20. Bright Tomorrow, Fuck Buttons (2008) Ruído gutural para meninos.
19. The Great Escape, Patrick Watson (2006) O Patrick senta-se ao piano e o resto deixa de existir. 18. Bros, Panda Bear (2007) Podia ser um belíssimo EP.
17. Do You Want To, Franz Ferdinand (2005) Um descontrolo contagiante, talvez destacado no belíssimo repertório dos Franz por ser dos mais tolinhos descontrolos contagiantes. Há muitos e bons. Longa vida à Escócia.
16. The Greatest, Cat Power (2006) A mulher mais bonita da música fez das músicas mais bonitas que conheço.
15. PJ Harvey & Thom Yorke, This Mess we’re In (2000) Génio conhece génio e os dois fazem uma canção genial.
14. White Winter Hymnal, Fleet Foxes (2008) Música de lareira, veste a época e é de uma beleza fantasmagórica – o medo atrai.
13. Crane Wife 3, The Decemberists (2006) Adorável.
12. Me & Mr. Jones, Amy Whinehouse (2006) Damn sexy music.
11. Behind the Yashmark, Esbjörn Svensson Trio (2002) A melhor peça de jazz que ouvi de uma banda que lamentavelmente já não poderemos ver ao vivo, uma vez que o líder morreu este ano, imaginem, a fazer mergulho.
10. Elephant Gun, Beirut (2007)
Celebração à vida.
9.Haiti, Arcade Fire (2004)
Magia.
8.How to Disappear Completely, Radiohead (2000)
Rendo-me, enfim, à bandeira da obra, ainda não consigo é dizer o mesmo da obra - Kid A.
7. Fireworks, Animal Collective (2007)
Como quase tudo aquilo em que o Noah Lennox se mete, primeiro estranha-se, depois faz parte de nós, é a banda sonora de tantos dias. A sensação com que se fica é a de que, quando terminaram esta faixa, os Animal Collective eram uma banda feliz.
6. Blind, Hercules and Love Affair (2008)
Hino dançável da década.
5. Pogo, Digitalism (2007)
Ups, este é que é (o vídeo é que não).
4. The Past is a Grotesc Animal, Of Montreal (2007)
Encomendei um livro vagamente erótico directamente de França por causa disto – 'nough said. Pena é que o YouTube não deixe ouvir tudo, bah.
3. Magick, Klaxons (2007)
O irresistível caos (o vídeo também, não tenho culpa e aliás chove tudo lá fora neste domingo que já não é).
2. Maps, Yeah Yeah Yeahs (2003)
A balada da década, vinda de um trio que até aí nunca tinha tocado a menos de 300 à hora.