quarta-feira, 31 de março de 2010

sporting: 1 de abril forever


sou tão distraído que nem reparei no óbvio: não foi só a hora que adiantou, também o dia saltou um degrau. já é 1 de abril! agora cá isso de a sad ter noticiado esta noite à cmvm que o carvalhal vai embora no fim da temporada, quando ainda faltam seis jornadas para acabar o campeonato e temos o quarto lugar preso por molas de corda partidas... pfff.. ahahaha.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Não sabia que os jornalistas de música escreviam sobre os fool’s gold numa mesa redonda

A (o?) wikipédia é fixe e foi nela (nele?) como de costume que encontrei algumas críticas especializadas sobre o primeiro disco dos fool’s gold, trabalho homónimo de 2009 que, já agora, dedico a todos aqueles que conduzem em lisboa. (inicialmente tinha escrito mais cinco parágrafos desavergonhados em que lambia o rabo à (ao?) wikipédia e aliás acabei de mudar o título inicial em que lhe jurava amor eterno). Detalhe que logo me saltou à vista: de entre as 11 críticas ali linkadas, oito referiam “vampire weekend” no texto, seis faziam-no até à segunda linha, quatro não esperavam para lá da primeira e até houve um caso em que o texto começou com, adivinharam, “vampire weekend”.

BBC – segunda e terceira palavras.
Boston Phoenix – esqueceram-se.
Drowned in Sound – também.
Filter – idem.
The Guardian – primeira e segunda palavras.
NME – quinta e sexta palavras.
Pitchfork – segunda linha, 17.ª e 18.ª palavras.
Prefix Magazine – 16.ª linha, aborrece-me contar.
The Times – primeira linha, 8.ª e 9.ª palavras.
Uncut – 25.ª linha, aborrece-me contar.
XLR8R – quarta linha, aborrece-me mesmo contar.

Um dia falo mal dos jornalistas de música como pretexto para postar aqui uma malha que faria dançar os meus pais descalços numa praia de luanda.

Hoje é o dia.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Ideias de domingo (aham.. segunda)

Há muito tempo que não vejo um bom filme. Desde o basterds do tarantino, provavelmente. Sinto falta disso. Ando de pescoço e queixo esticados por cima do grande rebanho, pestana aberta a tentar perceber de quem é a culpa - já tinha lido quando era puto que pensar é estar doente dos olhos e já agora acrescento que também infecta o resto. Será do meu horário de morcego? Talvez da inércia? Hum... quando descobrir aviso. Como tal, e porque não gosto de ler sobre os filmes antes de os ver, procuro chegar até eles através das melhores bandas sonoras. Se as houver. A notícia está aqui: se raramente vejo coincidir os meus gostos musicais com os da academia de hollywood, que já conseguiu premiar canções às quais só dou o tempo que demora um bocejo, este ano tudo foi diferente. Banda sonora ("Up in the Air", Michael Giacchino) e canção (‘Weary Kind', "Crazy Heart", T Bone Burnette/Ryan Bingham) entraram cá dentro à primeira audição e hoje é um óptimo (com ‘p’) dia para revelar que por lá se acomodaram. Escova de dentes, essas coisas. Não espero menos dos filmes que ainda não vi.



sexta-feira, 19 de março de 2010

para o ano há mais

quem transformou isto,

nisto,

foi este.

"o meu querido sporting" - crédito: simão sabrosa -, clube que mais se chicoteia em toda a esfera terrestre, sobretudo quando as decisões se aproximam ou alvalade enche, e se possível em ambos os casos, caiu nos oitavos da liga europa à custa do atlético de madrid, onde mete dó ver jogar praticamente sozinho um tal de kun aguero, que passa por ser o genro do maradona e esta noite marcou os dois golos dos espanhóis - o segundo dos quais a fazer lembrar os lamentáveis tempos em que o grande artista foi menino de ouro num jogo com nove golos.

pagava para ver as peladinhas lá em casa nas patuscadas de família;

sem quaisquer troféus pelos quais lutar esta temporada, ainda com dois meses de competição pela frente, resta ao sporting corrigir erros de um passado recente e preparar 2010/2011 como uma grande equipa de futebol, e, no sofá, tentar o suportar o enjoo de assistir aos intermináveis festins dos vermelhinhos; joga-se muito para aqueles lados - tanto que o benfica, e ao escrever este nome acabei de ganhar e aliás merecer uma borbulha na testa, é, cheira-me, o principal favorito a ganhar tudo aquilo que ainda puder; "euroliga" incluída, como diz o outro.

p.s: não sei quem atirou a primeira pedra, mas o salema garção é um perfeito anormal e o simão continua a não ter aquela coisa a que se convencionou chamar de .. epáa.. qual é o nome mesmo... ah!, sim!, carácter.

quarta-feira, 17 de março de 2010

a rosa de oslo

quase metade das vezes que te vi nos últimos três anos foram no aeroporto de lisboa, de manhã, tu de partida com o coração na boca e eu a querer absorver tudo de ti uma última vez, de novo uma última vez, calado, atento a cada detalhe teu. (noto que já não tens as narinas nervosas de fera imediatamente antes de atacar a sua presa),

depois viramos costas: tu choras entre malas e corredores largos e frios rumo ao teu voo e eu, pesado, arrasto-me de volta à rotina e sinto-lhe a dentada forte - não sei para onde vou mas percebo que tenho de demorar a chegar,

já no alto continuas a tentar perceber o que te leva a cruzar oceanos e recordas

o monte de adoráveis disparates que nos alimenta desde que tentaste acabar com um namoro meu porque me querias ‘salvar’,

o relógio que me roubaste para que, enfim, deixasse de ter pressa,

o dom quixote que três anos depois me devolveste por segundos e logo regressou à tua mala, e dela talvez para o teu jambé, de novo à tua guarda as aventuras do cavaleiro da triste figura que de espada em riste desafiava moínhos de vento, montado no seu fiel rocinante, de novo tu, guardiã da minha sanidade,

sei que vais continuar a florir, neste ou noutro jardim.

sexta-feira, 5 de março de 2010

o vocalista dos local natives é o filho perdido do sete estrelas da pedra sobre pedra - sigam a cruz e encontrem o tesouro

escrever em verdana no word é assim de repente uma das três coisas que não me davam especial gozo quando morava em portimão e que lisboa deixou com a etiqueta de fora; a saber: [comer] queijo (1), cebola (2) e escrever no word com um tipo de letra que não o times new roman (3); o times new roman é o joão pedro pais dos estilos de letra do word e o verdana é the boxer rebellion ou local natives.





X

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

amanhecer sobre a lagoa com flamingos


Uma folha em branco: com esses olhos grandes não especialmente bonitos e o rosto a ruborizar perguntas-me para que serve uma folha em branco e eu lembro-te que ainda tenho no quarto as pétalas secas da rosa que te ofereci na noite em que os meus amigos te conheceram e amaram e de ti quiseram saber tudo, e eu sorria mas achava melhor o contrário, para o bem deles e aliás teu e afinal meu, sempre a sós com o ego no final do dia, ainda que o evite,

as pétalas mortas da noite da rosa horas antes de amanhecermos pela primeira vez, tu, eu e a ausência de espaço, só a brisa quente e selvagem do primeiro bocejo, lençóis maltratados e corpos, a tua pele revoltada que tanto afecto pedia, tudo junto e resumido a suores de verão precoce e vontade de ficar,

não é que as guarde, as pétalas mortas estão para ali misturadas no canto poeirento daquela estante que faço questão de nunca limpar, a dos filmes que nunca viste ou irás ver para lá da segunda cena, pelo menos comigo por perto, o teu peito aos pulos e as mãos descontroladas conduziam-te para longe da estante de onde nunca saíram as tuas pétalas mortas, protegidas entre os circos do fellini e o bang-bang do leone, não!, os teus tiroteios eram outros, e a folha em branco, respondo-te, a folha em branco serve para te lembrar isso mesmo, substituiu-te sempre que não estiveste cá para que te pudesse gritar por cima das canções que tanto gostaria que tivesses gostado enquanto faziamos tremer a cama e o terço apertado nas mãos da vizinha, a santa que me olhava fixo nos olhos e nunca me negou oregãos, que é para isso que os vizinhos servem e sabes como eu gosto deles, dos oregãos, e a minha vizinha ouvia-te, claro, ela, o prédio e metade da rua ouviam o que de ti saía como gloriosas explosões pirotécnicas atrás de igrejas em feriados religiosos na aldeia profunda, a sós ou com alguém do outro lado da parede gritavas como uma peixeira de mãos nas ancas com unhas vermelho-berrante já na praça a vender a sua bancada antes de o marido se deitar, torto, vestido, inútil, e achava maravilhoso o sangue que em ti corria e gritava-te que via naquilo tudo uma doença só para te ouvir responder que melhor seria fodermos a cura,

perguntas-me, sei que o fazes, que raio significa isso de amanhecer sobre a lagoa com flamingos, e estampá-lo numa folha branca, qual o significado e para que merda te serviria isso ou uma folha em branco ou qualquer coisa, e digo-te que essas palavras formam o título da fotografia de uma viagem à América do Sul de uma rapariga com quem estive seis horas em 26 anos, roubei-lhe o título da fotografia da viagem que não fizemos porque sempre fugiste com os teus pontos de interrogação e voltaste com as tuas certezas, e o meu refúgio do caos na folha em branco,

teu amigo, não sei se quero ser teu amigo, esse pensa em ti sem corpo e eu dispo-te sempre, estejas a um metro ou a um ano, e faço-o desde que deixaste no meu quarto a tua adorável camisolinha vermelha para teres sem dúvida de voltar, e sabias que a subsequente mensagem à laia de dez cêntimos era um pedido de corpo e não de desculpa pelo suposto incómodo, e não a memória a falhar-te, eras tu e tudo e mais e tanto no jogo que arrastámos, tu e as tuas pernas de 20 anos com o mesmo tacto que deverias ter aos 10 e o teu caminhar barulhento em tacões autoritários quando te afastavas e eu ficava a observar-te da cama, sem cinema porque sem cigarro e fumo no canto da minha boca, apenas silêncio e músculos exaustos, e eu ficava e tu escapavas quarto e casa fora apressada com o teu beijinho falado a transbordar de culpa já a descer as escadas rumo ao carro, de novo a sós com a tua insensatez, tu com a culpa toda e o teu ruído que te impedia de me ouvires dizer que a tua culpa era também a minha, talvez te sentisses melhor se o soubesses e percebesses que não podia ser assim, não de novo, não tudo outra vez e fugir do reflexo do espelho até ao doentio regresso, não isto de hoje me interrogar em que tom de preto me olhas.