"The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing but burn, burn, burn like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars." J. Kerouac
Ninguém no seu perfeito juízo pensará que as meninas electrelane se inspiraram ferozmente na linha de guitarra do kids wanna rock do bryan adams para compor este tema do mui recomendável disco the power out, que é de 2004 mas nada tem a ver com os arcade fire - quer dizer, não seria cool isso de andarem a ouvir o senhor adams, elas gostavam de citar nietzsche e o senhor adams passou a carreira a dizer que ia correr para as miúdas, que fazia tudo por elas e então vá, que lhe perdoassem qualquer coisinha. Que estou eu para aqui a insinuar, seria impossível, eh!
A inglaterra sagrou-se campeã do mundo em 1966 à custa da alemanha, em londres. Vitória polémica. Festa rija. Única, até e desde então. Seis dias depois os beatles lançaram o revolver, onde encontramos esta maradice genial que tinha a sua dimensão de aviso à nação da rainha - que é como quem diz: com os alemães ninguém faz farinha. Hoje sabemos - disseram-nos os Diabo na Cruz - que os loucos estão certos.
O theo parrish está para a música electrónica como, sei lá, o tchaikowsky, o liszt ou o chopin estão para a clássica. Daquelas mãos sai o que eu gostaria que um filho meu ouvisse quando fosse a uma discoteca. Assistir a um set dele, como ontem na cave do lux, entra na (des)ordem do delírio. Era ver a expressão estampada no rosto dos poucos subterrâneos que por lá passaram.
se ao menos pudesse ter sido mais de mim, e tu menos dos outros, sobre mim curvado, com a barriga dorida, teria agora mesmo, nesta noite, a mesma que a (quase) todos varreu da rua há mais tempo do que te poderás lembrar, a noite que nos entregou nuas as frias ruas de uma noite reveladora, de caça descontrolada, o calor da pele no chão frio, as palavras que se me atropelavam para que as ouvisses no formato inconveniente do que tem de ser, o sobressalto no tempo em que os corpos não enganavam, tudo exposto, se ao menos pudesse ter sido mais de mim, e tu menos dos outros, sobre mim curvado, com a barriga dorida, teria agora mesmo chegado às lágrimas de tanto rir enquanto me lembrava de um momento que nunca tive, mas gostaria de ter tido, contigo.
Na noite em que curtimos os golos mexicanos como qualquer irlandês que se preze, vale a pena recuperar uma célebre máxima que, por oposição, define o desporto-rei: "Andebol, basquetebol, mão; futebol, pé."
Por esta ou aquela razão - ver os jogos quase sem som deverá ser uma delas, que a mim não me lixam com isso de enxames gigantes de abelhas furiosas a zumbir sem piedade junto do próximo -, os primeiros pontapés na bola do mundial têm funcionado como o perfeito sedativo para me deixar dormir. O uruguai x frança (0-0) então parecia uma conversa a dois com selo do manoel de oliveira e aleluias dos críticos de cinema. A entrada em cena da selecção treinada por um deus de barba e fato cujo sucesso depende exclusivamente do que conseguir inventar o rapaz da bola cozida à chuteira esquerda foi a primeira excepção. A nigéria já ficou para trás. Mas será o messi – a argentina é o messi -, que hoje (ontem?) jogou como o prodígio que é, mesmo sem ter marcado golos, suficiente para que a malta das pampas levante a taça, 24 anos depois?
Piada seca fácil, com direitos de outro autor: o guarda-redes da inglaterra (robert green) pode ter 30 anos mas ainda está bem verdinho.