terça-feira, 13 de julho de 2010

O melhorzinho do (meu) Alive!10


Para 2011 quero os Radiohead, uma tenda Super Bock maior e o Sporting campeão, se não for pedir muito.

Devendra Banhart

O bicho cortou o cabelo e já parece deste mundo. A música dele também, o que poderia não soar exactamente a elogio, mas acaba por ser. Isto se, para tal, tiver a coolness de fazer uma cover da não mui indie ‘Tell it to my heart’, da Taylor Dayne, dedicando-a à mãe. Há muita coisa na dita música alternativa que tem tudo menos de prioritária, talvez o Devendra tenha percebido isso. No te calles rapaz.

Florence and the Machine

Além de certamente ser responsável pelo fim de muitos casamentos sólidos, apenas por existir, esta miúda – 23 anos, ridículo - faz tudo certo em palco. Irresistíveis, as canções dela já nasceram para ser um triunfo ao vivo, com os coros do tamanho da vida e os repetidos ó-ó-óoos, mas sendo a ana dos cabelos ruivos versão supermodelo com voz de fada a cantá-las tudo ganha uma outra dimensão. Nesta música, dividida por dois vídeos, a malta perdeu de tal forma o controlo numa fase inicial que, deixando-se levar, criou e mutilou uma sequência de palmas em meio minuto. Dá para ver no primeiro vídeo que a própria Florence teve dificuldade em ligar a letra ao ritmo. Mas o que se perdeu em controlo ganhou-se em felicidade bruta, e, no fim do dia, é para isso que cá estamos. Por isso deixo aqui o segundo vídeo. Hora para levantar voo: 1m48s.



The Maccabees

Vá, é um bocadito fácil elogiares uma banda que entra em palco duas horas depois de teres entrevistado o vocalista - um moço sete estrelas, ainda por cima, que te oferece uma cerveja antes de carregares no rec e de seguida te convida para o acompanhares a ver os Hurts, como se fossem amigalhaços de sempre, o orlando weeks e tu, que depois chamas uma amiga tua, igualmente fã dele, e os três falam e tiram fotos, tudo normal, tudo fixe, e depois ficam os dois que já se conheciam porque o artista se despede com um até breve como quem nem gostaria que assim tivesse de ser. Mas quem conhece os Maccabees sabe do que eles são capazes, e por isso não há cá favores. Perto de mim, a meio do concerto, entusiasmado, um rapaz perguntou-me: ‘estes são espanhóis, certo?’. Respondi: ‘de londres, são de londres’. O amigo dele já lhe tinha dado um toque para correrem rumo ao palco Optimus, a 30 quilómetros deste onde estávamos, do Super Bock. Tocavam na outra ponta do recinto os Biffy Clyro. Acabou por ir sozinho.



Pearl Jam

Mesmo com o Eddie na fossa, agarrado a uma garrafa de vinho durante o concerto, mesmo a dar música quando pediu aos surfistas que apanhassem uma onda por ele assim que pudessem, pois de manhã já estaria a cruzar o Atlântico rumo a Seattle, rumo a casa, três semanas depois, e não poderia apanhá-las ele próprio, mas horas depois apanhou-as mesmo, pelos vistos na Ericeira, deixando-se fotografar, foi uma experiência que me tornou pequeno o peito, mais uma coisa resolvida no meu tempo. Cantar a Black entre 45 mil, uff..



LCD Soundsystem

Deus existe: tem 40 anos, barba cerrada e sabe tudo sobre isso de soltar o diabo nas pessoas quando tal se justifica. É um bom Deus e merece a caixa alta. Pena que não tenha ficado em palco até de manhã.

terça-feira, 6 de julho de 2010

‘… isn’t this where we came in?’


Vem aí o roger. Março de 2011. Nove meses. Duas noites. Tudo o resto se tornará irrelevante. Do lado de cá será vê-lo a erguer e destruir um muro. Do lado de cá os mais diversos tipos de heróis a chorar por dentro ou por fora e de preferência ambos durante uma jornada que desejariam sem regresso. Do lado de cá os que gostam pouco, muito ou demasiado, unidos na certeza de que isto não voltará a acontecer. Diante de nós o desenhar de um círculo perfeito, irrepetível, como me lembrava há dias um amigo, alarmado por me saber ainda sem bilhete na mão. Mas isso era há uma semana.

sábado, 3 de julho de 2010

gestão à porto

o demente bem que avisou,


mas a esta nem o professor bambo chegava...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

girls wanna rock



Ninguém no seu perfeito juízo pensará que as meninas electrelane se inspiraram ferozmente na linha de guitarra do kids wanna rock do bryan adams para compor este tema do mui recomendável disco the power out, que é de 2004 mas nada tem a ver com os arcade fire - quer dizer, não seria cool isso de andarem a ouvir o senhor adams, elas gostavam de citar nietzsche e o senhor adams passou a carreira a dizer que ia correr para as miúdas, que fazia tudo por elas e então vá, que lhe perdoassem qualquer coisinha. Que estou eu para aqui a insinuar, seria impossível, eh!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Tomorrow Never Knows

(1966)

(2010)

A inglaterra sagrou-se campeã do mundo em 1966 à custa da alemanha, em londres. Vitória polémica. Festa rija. Única, até e desde então. Seis dias depois os beatles lançaram o revolver, onde encontramos esta maradice genial que tinha a sua dimensão de aviso à nação da rainha - que é como quem diz: com os alemães ninguém faz farinha. Hoje sabemos - disseram-nos os Diabo na Cruz - que os loucos estão certos.


sábado, 26 de junho de 2010

theo parrish: spinning since 1986


O theo parrish está para a música electrónica como, sei lá, o tchaikowsky, o liszt ou o chopin estão para a clássica. Daquelas mãos sai o que eu gostaria que um filho meu ouvisse quando fosse a uma discoteca. Assistir a um set dele, como ontem na cave do lux, entra na (des)ordem do delírio. Era ver a expressão estampada no rosto dos poucos subterrâneos que por lá passaram.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

ontem



se ao menos pudesse ter sido mais de mim, e tu menos dos outros, sobre mim curvado, com a barriga dorida, teria agora mesmo, nesta noite, a mesma que a (quase) todos varreu da rua há mais tempo do que te poderás lembrar, a noite que nos entregou nuas as frias ruas de uma noite reveladora, de caça descontrolada, o calor da pele no chão frio, as palavras que se me atropelavam para que as ouvisses no formato inconveniente do que tem de ser, o sobressalto no tempo em que os corpos não enganavam, tudo exposto, se ao menos pudesse ter sido mais de mim, e tu menos dos outros, sobre mim curvado, com a barriga dorida, teria agora mesmo chegado às lágrimas de tanto rir enquanto me lembrava de um momento que nunca tive, mas gostaria de ter tido, contigo.