
Entre outros motivos mais ligados ao instinto, comecei a entrar no jazz dos anos 30, 40 e 50 por causa das imagens – cada músico retratado parece estar a ter o tempo da sua vida ali em palco, acho que pensei nunca ter visto pessoas tão felizes como o louis armstrong (foto em cima) ou o lionel hampton ou o oscar peterson (foto em baixo), sorrisos tão grandes, tão livres como aqueles que as objectivas eternizaram.

O meu interesse redobrou quando fui atrás das histórias de vida de cada um e, espanto, deparei-me com um rasto profundamente triste. Pensei, ‘hum... tenho de ter isto na minha vida’. É preciso também não esquecer que a música pop(ular) da época não era outra senão o jazz. Chegou a Nova Orleães de barco, pela boca dos escravos africanos, ainda na forma de blues, e depois ganhou forma no contacto com o ragtime americano. Basicamente era o que o povo ouvia. Só hoje, nestes estranhos tempos, é que tocar corneta e afins passou a ser coisa de gente fina.



