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| Invenção Colectiva, René Magritte (1933) |
Em cada ideia um espectáculo de pirotecnia. A piada mais afiada: minha, tua, de quem apanhar.
A estratégica autocomiseração. A gargalhada para baixo, para o lado, para qualquer direcção menos na de quem a faz rir.
O vício, a facilidade de ser feliz (e para os outros o contágio de presente).
Astúcia na pose. Aqui agradável. Saber estar. Ali tresloucada. Disponível para se deixar ir. Sempre à altura do momento.
Viver o sonho quando outros sonham a vida.
A máscara certa no momento oportuno. Actriz. Portuguesa. Tanto.
Pouco talento na arte da mentira. Confiável.
Pé de dança fácil.
O melhor sentido de humor.
O mesmo radar de interesses.
O mesmo tipo de perdições.
A mesma cura.
O vinho. A revolução.
Companhia perfeita;
Corpo compacto, harmonioso, escondido.
Maçãs do rosto na primeira fila. Seios pequenos e bonitos. Pele seca.
Sem vaidade.
Poucos cavalos a galopar no peito. Observadora ao detalhe. Esperteza felina.
Os primeiros cabelos brancos (“não vejo nada, és maluca”). Os primeiros traços de preocupação no rosto. A paz que é pedido de socorro amordaçado atrás das lentes.
A curva de Miss Reef no lombo. Dunas sem publicidade. Nunca tão sedutora quanto possível. Pudor sobre o prazer.
Mais bela com mais pele à vista.
Falta-lhe o cheiro de mulher.

