quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Olhá bolinha!


Cumprido que está um prazo de dois dias ou coisa assim, o Castelo encerrou as inscrições para o grande concurso que conduz à conquista de uma bola de berlim, com creme, ainda por cima do dia. As legendas candidatas a descrever a fotografia do post anterior, confessamos, excederam as melhores expectativas – em quantidade, densidade e parvoíce. Por outras palavras, arranjaram-nos um belo sarilho: o que fazer se tanta gente merece receber o título de grão-mor do respeito escocês? A situação é bicuda, salvo seja, mas foi encontrada uma escapatória justa: haverá prémios para todos. Já a bola de berlim, como combinado, será mastigada pelo grande vencedor.

Resultados:

“?” (M.J.) - Prémio ‘o maior almoço de sempre'.

“Flutuadores” (Berbiganito) - Prémio 'javardeira 1.0'.

“E tudo a corrente levou” (Martini) - Prémio 'Jeff Buckley’.

“Paz antes do suicídio” (Pink Poison) - Prémio '(indicador na boca) shhhtt…'.

“Peace of mind” (Cat) - Prémio 'It’s oh so quiet… it’s oh so still'.

“Here comes the sun, little darling!” (Di) - Prémio 'George Harrison meets Sasha Grey'.

“Under the thoughts”; “Diving in peace”; “Frio na barriga” (Ana Roman) - Prémio 'Sancho Pança'.

"Ao largo, pusemo-nos a boiar de costas e, na minha cara voltada para o céu, o sol afastava os últimos véus de água que me escorriam para a boca". (Ana) - Prémio 'Ler é sexy'.

“Com duas bóias dificilmente vou ao fundo” (Chirola) - 'Prémio javardeira 2.0'.

“After the storm” (Soninha) – Prémio 'Revelação'.

e… 'Prémio bola de berlim':

"I can still hear you when you drown" (Tiago)

Clap Clap Clap ao Tiago, obrigado a todos pela participação e cuidado com o sol ali entre o meio dia e as quatro (L)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

"Welcome Home", por Benoit Paille


Quem oferecer a melhor legenda a esta fotografia (cliquem nela para ver tudinho como deve ser) ganha uma bola de berlim. Temos com creme (fuck ASAE). Furto efectuado a um canadiano, este, que de si próprio diz isto: "I am a self-proclaimed genius."

Regulamento do concurso:

* convém que haja pelo menos dois concorrentes, mas se só houver um também entregamos o prémio.
** o prazo de inscrição acaba depois de amanhã ou coisa assim.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Andas com apetites? Aiuê, lê isto pá!


Era uma vez o meu estômago dorido depois de um dia de trabalho, a caminho do Amore Mio, um restaurante italiano que fica ali entre a Praça do Chile e a Alameda. A meio caminho, no largo do mercado de Arroios, reparei numa casa castiça, que de fora tinha mais jeito de café do que propriamente de restaurante. Espreitei e gostei do que me pareceu ver. Tudo bonitinho, muito clean, mas com uns quadros fogosos na parede. Iko’s. “Deve ser grego”, pensei, projectando logo a hipótese de um dia ali jantar.

Ontem foi o dia. Combinei com um amigo e mal entrámos no restaurante apercebi-me de que estávamos muito mais perto de Luanda ou Maputo do que de Atenas. O espaço é pequeno (24 lugares sentados) e acolhedor, com decoração a evocar as raízes dos donos, que, soubemos depois, são moçambicanos. Fiquei logo maravilhado com os lindíssimos e coloridos batiques espalhados pelas paredes, a lembrar-nos que África é cor, exagero, mãe.

Enviei logo mensagem à minha: “Maluquinha vou comer moamba! Já te digo se valeu a pena.”

Como me aguentava em pé à boleia de benurons, depois de uma daquelas noites boas de suores frios e facadinhas na garganta, ainda pensei em seguir o mau exemplo do meu amigo, que geralmente bebe água à refeição, coma o que comer. Depois reflecti melhor e com receio de ir parar ao inferno pedi meia garrafa do tinto da casa, cujo nome escandalosamente não recordo - era bom, ué!


Da ementa integralmente africana, onde constavam sobretudo pratos de Moçambique, mas também angolanos e de São Tomé, pedi então moamba de galinha e acompanhei-a com farinha de mandioca, feijão com óleo de palma, arroz de côco e uma salada de tomate picante cujo nome tinha umas 20 letras e era qualquer coisa como sarabalalulusalalala.


Naquele momento vi os meus pais a dançar descalços num baile do Lobito, entre amigos, numa roda, com aqueles mano a mano em que homem e mulher descem lentamente até o rabo encostar nos calcanhares enquanto se desafiam ao modo de “anda cá, mostra o que vales”. (Não vale cair).

No Iko’s, cujo nome deriva daquele pelo qual responde o dono, Frederico, tudo é pensado para satisfazer o cliente. Ao contrário do que se possa esperar, o prato que nos chega à frente não vem a arfar de piri-piri. Queres picante? Pedes e pões. Foi o que fiz, sempre na esperança de um dia me habituar àquilo, à imagem do que acontece com toda a minha família, mas não há remédio. Mal despejei umas gotas de gindungo na minha moamba e levei uma perna à boca... torneira aberta. Ao meu lado o meu amigo ria muito à minha pala, porque no caril de caranguejo dele não se passava nada, mas quando lhe dei a provar um canto do meu prato especialmente atestado ele ficou vermelhão e a passar guardanapos na testa e não parou de se queixar até ao fim do jantar. A vingança serviu-se quente, muahahaha.

Se ainda não falei do atendimento é por mera distracção. É afável, atencioso, sábio. A moçambicana que nos atendeu tinha o maior sorriso do mundo e sabia dizer o nome da salada sem se atropelar a meio caminho. Pedi-lhe duas vezes para dizer o nome e não errou. Há gente com muito talento.

Antes do jantar tínhamos pedido de entrada um prato com queijo de ovelha derretido, que a mim pareceu qualquer coisa como um divinal pão com alho e queijo, mas sem massa. O pão que acompanhava o queijo podia ser mais saboroso – do dia, claro, mas integral, ou perto disso.

Com aquilo tudo fiquei de três meses e o meu amigo, que naturalmente já os tem, cresceu para seis. Mas porque a nada se poupa, ele ainda pediu uma mousse de caju que lhe soube a iogurte – “não encontro o sabor do caju”. Eu, que geralmente prefiro sobremesa líquida (água da escócia) à sólida, pedi apenas um chá de menta e fiquei ali cinco minutos a inalar os vapores para matar ácaros. Pagámos menos de 20 euros cada. E durante aquele tempo todo o plasma da casa dividiu-se entre um canal de música (MCM), um DVD com uma reportagem sobre a cultura de Maputo e o cabazo de Portugal ao Luxemburgo. Gostei muito. Até o lavatório da casa de banho é giro. A cozinha está aberta até às 23:00 durante a semana e à sexta e sábado ainda dão mais uma abébia extra. Mas não apareçam ao domingo. Esta gente merece descanso.

Site: aqui.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Ouvi dizer


Serviço individualizado

Funcionária de loja de centro comercial: Olá, boa tarde, posso ajudá-lo?

R: Podes. Quero uma t-shirt amarela, mas simples, sem merdas.

FDLDCC: Ah, claro. Siga-me.

(sigo-a)

FDLDCC: Temos esta, gosta?

R: Gosto, mas fica-me larga de certeza. Não tens uma versão mais encolhida?

FDLDCC: Não, só um número acima ou dois abaixo.

R: É um bocado larga. Mas vou experimentar.

FDLDCC: Isso, faça isso. Mas experimente aqui, temos um espelho. Se você fosse mulher iria para o provador... mas como não é... experimente aí.

R: Claro, homem que se preze mostra a barriga de cerveja ao povo.

(risinhos)

(experimento)

R: Está larga.

FDLDCC: Oh que pena...

R: Era mesmo isto que andava à procura, tss tss.. Não faz mal, obrigado pela atenção.

FDLDCC: Oh lamento muito. Gostava imenso de poder satisfazê-lo.

Gaitán

O Benfica está a jogar contra o Arsenal e o comentador fala no Gaitán. A minha avó fica agitada e prepara-se para discursar.

V: Quem sabe se esse Caetano não possa ser o filho do filho da minha tia que vivia nas costas de Algés quando eu estava em Lisboa à espera de poder ir para Angola. Se o filho se chamava Caetano o filho do filho também pode ser Caetano.

(Eu e o meu pai piscamos o olho um ao outro e vá de botar lenha)

R: O Gaitano, Vivi?

V: Sim, quem sabe não possa ser ele. Nunca tive conhecimento de haver outro Caetano no mundo.

R: Mas este é argentino Vivi.

V: E então? Pode ser e pode não ser.

(corro a abraçar a Vivi).


Why I Love Soph .

r.: bom dia!

s. ruisinhoooo

bom dia

a bolsa aqui tá tudo louco

e desesperado, a perder dinheiro

r: sério?

tudo ao telefone e aos gritos?

s: e depois perguntam-me se eu tou bem...e eu claro...não tenho dinheiro..não perco nada

r: lol

s: sim

e televisões em todo o lado

cheio de gente histérica

e eu bué tranquila

imagina

lol

r: mas tu trabalhas numa bolsa?

s: eu trabalho na bolsa de valores

darling

faço reportagens em brasileiro e espanhol remember?

r: eu esqueço me sorry

falas bem espanhol?

tipo mt rapido tralarararararaara mm rápido?

s: não muito rápido

tenho de sorrir também.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Bruges


Gostava de poder dizer que fui eu a tirar esta foto mas obviamente que isso não aconteceu e aliás não encontro as minhas

A minha vontade era hoje estar em Bruges. É uma cidade com uma beleza antiga, mas sem estar coçada ou cheirar a mofo. Para um sulista simplório como eu, habituado a conviver nas ruas com a mais versátil porcaria e discussões espectaculares que terminam com raptos, tiros ou beijos, pode irritar de tão limpa, serena e organizada que é. Como tem pouca agitação nocturna, como o povo é contido, como não há exagero que envolva pulsação, pode ser vista como um postal, beleza morta. Pode. Não é o meu caso: férias são férias. 

Aqueles que moram no encanto que é Bruges, considerada a Veneza do Norte por ser penetrada por muitos canais, gostam que a cidade seja aquilo que parece: um delicioso monumento flamengo, um gigante bairro medieval pontuado por arquitectura gótica, uma homenagem ao bom gosto, uma puta fina para a qual olhas sem poder tocar, e aprendi isso mesmo num passeio de bicicleta à chuva.

Por lá ficámos acomodados duas ou três noites num hostel encavalitado num dos bares mais movimentados da cidade. E com duas barmaid que até perturbariam as hormonas (?) do Papa. Na primeira manhã saímos do hostel, à chuva, procurámos uma casa de binas, à chuva, alugámo-las enquanto chovia e à chuva pedalámos o dia todo, frequentemente atrás de  um cavalo [ver foto ao canto superior direito do blogue] que puxava um coche turístico e borrifava a atmosfera com um colossal cheiro a mmmerda.

A dada altura já tínhamos pedalado tanto numa determinada direcção que achámos por bem inverter o sentido. Estávamos num parque bonito. Tínhamos chegado até ali respeitando uma das várias ciclovias que cortam a cidade, e, no ponto em que decidimos o retorno, começava ali ao lado (ou acabava, consoante a perspectiva) uma outra via – esta para peões, ou pessoas. Claro que dei a volta por ali, desviando-me a abrir entre a malta, pessoas como pinos. O que não esperava era que, acto contínuo, um revoltadíssimo pai de família de 3,40 metros de altura saísse disparado na minha direcção com vontade de me distinguir com valentes pontapés honorários no cu pelo mérito de não respeitar a mão do trânsito sem motor. Apesar de ir montado nele próprio, o bicho ganhava terreno de forma preocupante enquanto vociferava em neerlandês coisas que adivinhei serem contra a minha mãe, e portanto injustas, que ela não tem culpa dos meus disparates. Lá me consegui afastar, contra-argumentando, “moooce, tás maluco dé!”. Daí que gostava de deixar aqui um conselho, já tardio para a Di: se forem a Bruges, evitem a contramão; a bem do vosso respeitável traseiro.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Enjoy the Silence

Não me lembro bem quando comecei a ouvir aquilo que interessava, talvez uns oito anos, mas sei onde. Foi na casa dos meus pais, na garagem do país. Eles dormiam no andar de cima, enrolados à esquerda, havia o quarto do meio, onde dormiam as visitas e hoje durmo eu, quando lá vou, every now and then, e por fim o quarto do lado direito, onde dormia com o meu irmão. Entre as nossas camas de corpo e meio com colcha de fundo branco e desenhos às bolinhas coloridas repousava na mesa de cabeceira, frequentemente por mim cabeceada, um pequeno rádio leitor de cassetes. Entre outras qualidades que o meu irmão tinha, faço bold a esta: ouvia e continua a ouvir boa música. Nunca foi “indie”, aquilo que chamam a quem vai atrás da coisa nova, mas dentro do que a público acontecia, do que passava na rádio, as escolhas dele pareciam-me ter emoção de ser.

Faziamos programas de rádio. Ele, quase oito anos mais velho e o motivo pelo qual estou a escrever isto, na medida em que a dada altura, bloody bored, pediu “um mano para brincar”, era o locutor/DJ; eu, o ouvinte e comentador que nem idade tinha para saber o que era uma mulher. Inseríamos as devidas cassetes dentro do devido leitor sempre à devida hora, quando o meu pai já roncava e a minha mãe acordava-o só para ter a hipótese de adormecer primeiro – ele nunca a acordaria, está quieto -, embora raramente conseguisse. No limite o truque dela era não lavar os pés antes de se deitar, virando a almofada para o fundo da cama e coiso. “Agora vá, ressona que eu quero ouvir”.

Amo os meus pais.

Nos nossos programas de rádio clandestinos, sempre sussurrados madrugada dentro, os protagonistas deviam ser muitos, mas só me lembro dos R.E.M., The Cure e, last but not least, Depeche Mode, sobretudo com a Enjoy the Silence - cujo teledisco, vim a saber anos mais tarde, foi parcialmente rodado na Praia da Rocha, onde pontifica o 'tudo ou nada' desde que me conheço (?).

Miguel, talvez 16 anos: “Caros ouvintes, convosco, Enjoy the Silence”.


Miguel, talvez 16 anos: “Caro Rui, o que tem a dizer sobre a música?”

Rui, talvez oito anos e voz de gás hélio: “É fixe!”

domingo, 31 de julho de 2011

Depois da vertigem

Mulheres há que mereciam mais respeito da minha parte. És culpado se sentes culpa, escusas de tentar dar a volta. Tira um curso de serenidade, bebe água a noite inteira, faz qualquer coisa. Problema: (ainda) acredito que o momento é tudo e tenho dúvidas sobre amanhã. Já outras não merecem metade do respeito que de mim têm, ainda que se tentem enganar a si próprias, convencendo-se do contrário. Os The National dão sempre música a este tipo de reflexões. Gostava de os ouvir menos vezes. De uma forma ou de outra acho que isso acabará por acontecer: ou aprendes ou deixas de querer saber.