sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Owitho - Um retrato da Ilha


Grande parte dos estudantes que me acompanharam no meu curso de Comunicação na Católica eram muito semelhantes. Tinham carro, iam para casa depois das aulas, estudavam muito, cabulavam mais, tudo de 15 para cima, nunca faltavam às aulas, raramente saíam à noite, vestiam-se e penteavam-se da mesma forma e estou quase a adormecer só de me lembrar. Depois havia gente como a Maria. A Maria foi um de três caloiros – acresce o Bruno, da Madeira, e, portanto, eu – que fez asneira no dia de recepção ao caloiro e subiu ao palco para ser praxado à frente de centenas de miúdos num dia em que ninguém é praxado. Na altura ela tinha o cabelo estilo pós-choque eléctrico. Parecia um miúdo andrógino punk. Depois cresceu, foi ficando mais mulher e continuou a fazer a diferença. A Maria tem sardas e traz o mundo no sorriso, grande que não há. Esteve seis meses a fazer voluntariado em Moçambique e de volta trouxe um festival de recordações fotografadas. No foco dela... rostos (Owitho). Pessoas. É o que lhe interessa. É o que deveria interessar. São ondas de paixão que precisavam de ter ressonância no coração das pessoas, que é onde a arte deve ser avaliada - ainda com ela em África disse-lhe que aquilo dava uma exposição. Uma das boas. E vai dar, com a boa vontade de quem quiser soltar o mundo nos lábios da Maria.

Todas as informações: aqui.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

No need for words now

Não terei a grandeza de lhe dizer pessoalmente. Não agora, pelo menos, não já, assim, sem enterrar uma ou duas coisas. Quero que ela saiba que sempre lhe irei tirar a roupa com os olhos, cortejá-la à descarada, fazer com que se sinta desejada e tenha aqui uma ilha para a qual possa fugir sempre que queira, ou pelo menos pensar que sim, e manter vivo um pedaço nosso. Não quero que ela saiba que, deste lado, quando fiquei a saber, cortando a franja do egoísmo, ciúme ou o termo que resuma aquele sentimento que nos cega quando sabemos ser de outro quem um dia foi nosso até fui atingido por um certo estado de satisfação. Melhor: de serenidade, paz. Agora sei, pela pressa que ela sempre teve em construir a dois, pela lealdade sem reservas que tem com quem está, por ser quem é, que nunca voltaremos a ser um do outro. E isso custa, primeiro. Depois sabe bem.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Perdoa, perdi-me na confusão

Tenho andado distante mas um dia digo ao JP Simões que o conheci numa genial entrevista conduzida pelo odiável do Bonifácio no tempo em que o Y ainda era ipsílon, talvez em 2007, não tão longe quanto isso. Um dia esqueço a infidelidade e os pássaros na mão e a voar e digo ao JP Simões que sim, conheci-o com 39 graus de febre porque levei o suplemento de cultura de sexta-feira do Público para o Hospital de São José na medida em que tive a serenidade de antecipar o grau de entretenimento oferecido naquele antro de vegetação. Um dia deixo-me de merdas e abordo o JP Simões e digo-lhe até que ponto a minoria que o persegue passa a perna à grande fatia que o ignora. Um dia digo-lhe que o conheci com 39 graus de febre e julguei que ele com palavras iria salvar o mundo. Um dia faço isso e também me entrego de vez a quem a mim se dá. Olho por olho. Sem reservas. Deixo de me dar hipótese de me arrepender de não ter feito os possíveis para ser feliz. Um dia faço isso.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

domingo, 11 de setembro de 2011

Sai um penálti! (ou não há dois sem três)

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, o Cardozo já bateu 347.768 penáltis desde que joga no clube de carnide

Há bocado vi um rapaz levar com merda de pombo no abdómen, ali no marquês de pombal. Tudo certo. Qual não é o meu espanto, porém, quando chega de limousine um senhor vestido de preto, rodeado de meninas de saia curta, e assinala penálti. Não sei de onde mas apareceu o cardozo logo de seguida e pim, lá para dentro. Achei aquilo muito estranho mas fiquei a observar os acontecimentos. E logo de seguida já o mesmo rapaz azarado estava a levar outra vez com merda de pombo, mas agora à queima roupa, raspando-lhe do ombro para lhe acertar violentamente na cabeça. Tenho para mim que o pombo deve ter comido cabidela fora de tempo. Ora, ainda por ali, o senhor de preto assoprou de novo o apito e apontou para o círculo do castigo máximo, muito convicto. Ainda perguntei a um polícia porque motivo era penálti se estávamos no marquês de pombal e o caso era apenas para lamentar a pouca sorte do rapaz que levou com a merda de pombo no abdómen e na cabeça, mas o agente respondeu-me com autoridade, “pshhée!, sentido, está a falar do esselbê!” e eu devolvi “sim xôr polícia, mas, permita-me: toda a gente deve ser tratada de forma igual e parece-me que o clube de carnide joga com 14 esta temporada e do outro lado da segunda circular a cartilha dos árbitros é prejudicar logo que se possa, transformando “roscas” em atrasos intencionais e assobiando para o lado em entrada violentas ao rinaudo, que tem a fama e os outros o proveito, isto só para falar deste jogo na mata real...” e ele bateu com a botifarra direita no chão e gritou “pshhhttt quieto ou vai dentro por desrespeito à autoridade!” e eu dassss ala que se faz tarde e fui trabalhar.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Girls



Dilúvio bíblico na A2, caravana a 70 à hora, 300 quilómetros de contas à vida, uma canção gigante.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Unspoken



Comentários no YouTube a esta faixa do melhor DJ do mundo (que o Nicholas Jaar fale agora ou se cale para sempre).
 
• "Helps my heart heal"
• "masterpiece"
• "I feel like my Heartbeat needs dillutin'!!! - Plain Beautiful........Could make Satan grow a set of Wings!!"
• "if god wrote this song then who's running heaven?"
• "De las canciones más orgásmicas!"
"what happens when you listen to it more than once a day?"
"that's fucking deep man, just made me cry a little.."
• "oh.... wow."
• "this shit blows my mind"
• "this is the best song by him, in my opinion"
• "sad that music like this never gets to peoples ears"
• "Four Tet is a genius... This song travels my mind into distant worlds, and after it ends, i start feeling a huge void... And i need to start it again, and again..."
• "9 Minutes & 30 seconds of bliss, but still years too short"
"Reality bends when i listen to this song"
• "I dont know whether to laugh or cry"
• "this is just straight fuckin' sick"
• "best 10 mins of my day."
"I'm trippin balls"
• "everyone needs to listen to this song"
"speechless"