O tempo uniu o meu irmão ao Inverno. Não escrevo isto para
que soe bem, ele gosta mesmo de frio e chuva, de um certo ambiente de fim de
mundo. E tanto gosta ele de tais encantos que, a custo, moído por uma noite
longa, lá tirou o corpo da cama numa tarde pouco agradável e foi mexer os ossos
para o passadiço de Alvor. Eu fui atrás, desconfiado. A minha mãe também. A habitual confusão de atletas, casais e cães naquela zona
que envolve a ria de Alvor dava lugar a coisa nenhuma. À primeira vista
estávamos sozinhos - enganei-me -, o que não me surpreendeu, dado que chovia e
bem. Já no passadiço, e portanto à chuva, cruzámo-nos com
dois cães que brincavam. Ao ver-nos passar por eles, acompanharam-nos em
silêncio, muito dignos, durante centenas de metros. De fato de treino, o meu
irmão ria-se; de calças de ganga, eu apercebia-me que já tinha o tecido bem colado às pernas. Mais à frente cruzámo-nos com um casal de
estrangeiros. A minha mãe ficara no carro. “Está a chover”, constatou. Voltámos como volta quem esteve meia hora à chuva. O meu irmão, satisfeito,
conseguira despertar o corpo moído ao mesmo tempo que contemplava a natureza
sem cor ou temperatura humana - perfeito. Eu, que me tinha portado bem na
véspera, ganhei pingos no nariz e a voz do Richard Hawley.
"The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing but burn, burn, burn like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars." J. Kerouac
segunda-feira, 1 de abril de 2013
sexta-feira, 22 de março de 2013
Obviamente Bruno de Carvalho
Gosto do Couceiro, mas vou votar no Bruno de Caravalho.
Há qualquer coisa naquele ar de "quero, posso e mando" que molda com mãos de oleiro o Bruno de Carvalho ao cargo de presidente de um clube de dimensões bíblicas como o Sporting Clube de Portugal. O Bruno de Carvalho é aquele puto arrogante, sempre chateado com o mundo, que namora a miúda mais gira da turma. O Couceiro, o puto porreiro, questiona, "mas que tem ele que eu não tenha?!", mas não encontra uma explicação que o próprio entenda. No fim das aulas é com o outro que ela sai de mão dada. (Pouco popular, o Severino acumula negativas nos testes e falta frequentemente às aulas para se meter a fumar com um amigo atrás do pavilhão).
Será Bruno. Tem de ser. o roquetismo está por horas. A brigada do croquete vai dispersar. A pouca vergonha vai acabar. O Sporting voltará a ser servido, não a servir. Foi para ver chegar as eleições de amanhã que me fiz sócio: um dia, se isto correr mal, como diz um amigo, terei o consolo de ter feito algo pela vontade de mudar.
sábado, 16 de março de 2013
quinta-feira, 14 de março de 2013
Fazer muito com pouco
"Fixe a capa do metro com o fumo branco. Muito à frente". Miguel Coelho, meu irmão, ser pensante absolutamente imparcial na análise das coisas na medida em que há um ano quase deixou de me falar quando o Sporting Clube de Portugal meteu cinco no saco do Guimarães e, para a chamada de desporto da capa do maior jornal do mundo, escolhemos a vitória por 2-1 do Benfica em Paços de Ferreira.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Mexam-se!
Querem
andar bem da vida, mente e corpo fresquinhos ao mesmo tempo que poupam
dinheiro e chatices? Epá
façam desporto. Deixem-se de merdas. Fora lesões normais para quem, mais
ou menos a sério, sempre jogou à bola, nunca tive problemas. Ria-me de quem
dizia que doía aqui, doía ali. “Mexe-te!”, respondia.
Dá-se
o caso de que fiz um torcicolo a jogar à bola na manhã de 17 de Novembro, coisa
normal, ainda assim mais agressivo do que esperava. Fiquei cerca de
um mês sem praticar desporto e voltei a mexer as pernas na véspera de Natal,
uma corridinha tranquila até à praia antes de encher a boca de fritos. Voltei à praia de manhã, para reparar estragos, desta vez com tio e primo. Fizemos duas séries de meia hora a correr num ritmo palerma para
quem, como eu, não mexia os ossos há um mês – quer dizer, seria sempre palerma. Comecei
a sentir dores no joelho direito durante a segunda série, após um banho de mar, e cheguei a casa já a
arrastar-me. Mal conseguia andar nos dias seguintes e fui ao hospital. A lesão
não era grave, mas requer fisioterapia, que ainda não comecei porque estou mais
preocupado com as dores nas costas que me afectam há algumas semanas e que automaticamente me expulsam da cama cinco ou seis horas depois de me deitar. Tenho um
problema de coluna desde os 18 anos, devido a uma trapalhada com uma mota, mas
a prática física constante fortalecia-me a zona e o problema não se
manifestava. Até parar. Regressei ao hospital a pensar que seria dos rins – já tive
duas crises -, mas não: deve ser coluna. Teria de ver um especialista para confirmar. Acontece que também
não fui ver o especialista porque devido a este despertador natural ando a
dormir poucas horas, o que poderá muito bem ter contribuído para as dores
pulsantes que passei a sentir na fonte esquerda e que me têm ocupado o espírito - enxaquecas, possivelmente.
De
modo que aceitem o conselho de quem vos escreve com humor de cão: MEXAM-SE!
(p.s: Mãe, Pai, se me estão a ler, tudo tranquilo!)
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Amour
A cena mesmo é ver o Amour ao sábado à noite no King com o
tecto do cinema a estremecer durante duas horas devido a um bar que funciona
ali no edifício e passa techno de feira.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Petróleo em Alvalade
Categórico. Normal. A melhor formação do mundo a ser a melhor formação do mundo. Ver consecutivamente os leõezinhos a fazer travessura destas e depois tentar perceber o que tem acontecido a este Clube no que toca à gestão da equipa profissional deve ser tão fácil como infiltrar-me na Mossad, rezar cinco vezes por dia virado para Meca e ninguém estranhar.
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