quinta-feira, 11 de julho de 2013

domingo, 7 de julho de 2013

Deitámo-nos...


a)      em espreguiçadeiras de praia, besuntados de óleo johnson.
b)      numa cama cheia de rosas e acordámos aos espirros.
c)      num calhau gigante, no mato, nus, a ver (as) estrelas.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

03:07

Um casal discute aos gritos na minha rua, no calor da noite - calma, portistas. Não demora muito até aparecer a polícia. (Alguém a chamou, compreendo). Dois agentes entram no prédio devido depois de deixarem o carro parado no meio da estrada com os quatro piscas e a sirene azul ligados. Chega um taxi que no banco de trás transporta uma passageira que tem mais que fazer. Já não oiço o casal; passo a ouvir a passageira. Segundo percebo, não aceita ter o caminho barrado. Um, dois, três minutos. O taxista apalpa a buzina. Não há sinal dos polícias. Quatro, cinco minutos. Buzina de novo apalpada. Seis, sete minutos. Os dois agentes da polícia lá saem do prédio devido e dirigem-se para o carro. A passageira do taxi abre a porta à passagem dos polícias e deixa-os com os ouvidos a arder. 

"Vou ter de pagar mais porque o vosso carro estava no meio do caminho!", queixa-se, com voz de poucos amigos.

O polícia condutor tenta acalmar a passageira. "Se a senhora precisasse de ajuda também gostaria que fossemos rápidos a acudir." 

Erro: ainda ouviu mais. Acto contínuo, o agente baixou as orelhas, escondeu-se no carro, meteu a primeira e seguiu caminho, ladeado pelo colega. Vi o carro da polícia afastar-se com a sirene azul ligada, logo seguido do taxi em cujo banco de trás a passageira gesticulava como um especialista em mímica que pretende traduzir o discurso da Teresa Guilherme num dia mau.

domingo, 9 de junho de 2013

O maior dos Caetanos



Andava a minha avó Vivi na escola quando o avô dela, o Manuel Caetano, empurrou sozinho um barco para o mar. Aconteceu na praia dos Cavacos, ali pelos anos trinta, antes de ela emigrar para Angola. Sentado à beira de uma barraca, a ver atrapalhados seis homens, seis, o Manuel Caetano avançou, meteu-se de costas debaixo do barco e lá venceu a maré vazia. À volta dele aplaudiram e deram de vaia. Nunca mais se esqueceram dele. Tremiam de medo, só de lhe ouvir o nome. Foi o maior dos Caetanos.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Hey, benfica: este é o presidente da república!


Que tenham estranhado o hino português, acho normal: só o André Almeida tinha obrigação de o conhecer; que não tenham esperado pela entrega da Taça de Portugal ao Vitória, também não me faz grande espécie: a grande maioria dos jogadores que vestiam de encarnado tem origem no lado de lá do Atlântico, e provavelmente estariam com pressa para fazer o check-in no aeroporto; agora terem deixado o meu vizinho de Boliqueime de mão estendida por não o reconhecerem enquanto presidente da república portuguesa... tss, tss. "Bolo-rei para todos" não vos diz nada?!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Alegria


Pedi peixe no forno e dei cabo daquilo na esplanada. Acompanhei com duas minis. Que coisa tão boa. Peixe no forno é uma das iguarias mais subvalorizadas da nossa gastronomia, seguido de perto pelo "Doce além de bom" da minha mãe e das bifanas n'O Típico, na Praia da Rocha.

Já de café bebido, puxei do "i". Repleta de bonequinhos com cara de poucos amigos e gente ao lume ou pendurada pelo pescoço, a foto de capa era alusiva à nomeação urgente de oito exorcistas por parte da Igreja de Espanha, alarmada que está com o aumento de pedidos de ajuda relacionados com influências demoníacas. Fiquei a saber, aliás, que a diocese de Madrid ponderou criar uma linha telefónica para atender pessoas perturbadas. A ideia foi tratada com carinho, mas descartada. Ao longe, na praça, uma banda tocava "Where is My Mind", dos Pixies. Os instrumentos faziam-se ouvir com precisão e a voz da vocalista fazia-se ouvir demasiado. Um golfinho estremeceu à superfície, no Tejo. Era a vocalista tão discreta a disfarçar a adolescência como um espanhol a falar inglês. Paguei, elogiei a cozinheira - bigode assimétrico - e fui espreitar o que se passava.

Como é suposto, a praça estava cheia de velhotes a jogar às cartas nas zonas mais protegidas do sol, cortesia das árvores que por ali abundam, mas hoje também se via povoada de gente nova. Pensei que seria a entourage da banda que ali fazia o soundcheck para o concerto que deverá acontecer daqui a bocado, dada a intermitência com que tocavam.

Não resisto à reacção dos mais desprevenidos, distraídos ou desabituados a um soundcheck. Tudo a olhar uns para os outros, a coçar a cabeça. É um dos meus passatempos preferidos.

Alguns metros diante do palco formava-se um círculo cada vez maior de miúdas, primeiro em pé, depois sentadas. Muitas delas vestiam roupas escuras, botas e meias de renda. Bebiam cerveja e trocavam beijos. Um casal. Dois. Perto do grupo, uma cigana vendia-impingia balões. Um deles, do Mickey, derreteu a filha de uma princesinha algures da Europa de Leste que se tinha sentado ao meu lado, junto da mãe, esta talvez da minha idade - rosto pálido, belo e cansado. A mãe não lhe comprou o balão.

Ao fundo, uma banquinha da JCP, com folhetos a protestar contra os cortes do Gaspar. Ouvi uns putos semi-bêbados (4/5 imperiais) imitar um cântico comum às claques do Sporting.

"Braços no ar!
Todos de pé! Vamos cantar!
Camões allez!

Camões allezzzzzz (...)"

Fiquei perturbado. Serão estes os miúdos os homens de amanhã?! - questionei. "Tá tudo fodido", conclui.

A tudo indiferente, um puto fintava as pessoas aos S enquanto a irmã baixava as calças no centro da praça para fazer xixi. Os pais estavam por ali. Pareceu-me uma família equilibrada: o puto corria atrás da bola, a qual pontapeava com a força possível; o pai corria atrás do puto, reparando estragos com sorrisos; a mãe corria atrás do pai, a ralhar por ele não ralhar com o puto; a irmã corria atrás da mãe, já com o xixi feito, mostrando os dentes a toda a gente, satisfeita.

A dada altura o puto desinteressou-se da bola porque encontrou a princesinha algures da Europa de Leste. Aproximou-se com curiosidade e fez olhos grandes. A princesinha riu-se muito. Depois, irremediavelmente apaixonado, o puto levantou a blusa para lhe mostrar a barriga e desatou a pular. Ainda estava aos pinotes quando me vim embora.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Mulheres que amam, quanta coragem.
Da dor ao prazer a perfeita viagem.