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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Um dia destes ponho os patins ao facebook

Ao ritmo de dez posts por dia, B.D entristeceu às três de uma manhã. B.D “em baixo”, lia-se. Ao que parece alimentava - e queria que nós, amigos virtuais, o soubessemos - a vontade de desaparecer completamente à boleia dos Radiohead. Esse foi o último post do dia – já o penúltimo, a fonte da posterior solidão, dizia, “Bem... Eu já cá venho.”  Pouco faltava para as duas da manhã. É possível que B.D tenha papado episódios daquelas séries que toda a gente saca e chega a ver temporadas inteiras num dia, que entusiasmo do caralho. Depois apercebeu-se de que era tempo de voltar a sentir-se alguém. Uma hora e onze minutos chegava mais do que o suficiente para que se lembrassem dele. Quantas novidades teria? Fez login no facebook. Please wait.. Nada. Ninguém gostou ou sequer se importou o suficiente para frisar que não gostava do regresso dele à actividade online. F5 F5 F5 F5 F5 F5 F5 F5 F5 F5 F5. Zero. Sinais nenhuns do avisozinho vermelho com a chegada da novidade. Um comentário e dois ou três likes seriam o mínimo da decência. Mas não: nenhum interesse no B.D. Cruel. Ofensivo. B.D sentiu-se exposto. Só. Num bom dia B.D conseguiria ter eco de quase todos os seus posts, inclusive de meninas. Sentia ser algo que lhe validava a condição. Mas assim não. Naquela noite B.D ficou sozinho na mesa – foi o único a quem ninguém puxou para dançar. F5 F5 F5 F5 F5. Tudo parado, igual. “Não estou aqui, isto não está a acontecer”, pensou, lembrando-se do Thom Yorke. “B.D em baixo”. Tenho pena dele.