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domingo, 14 de fevereiro de 2010

Panda Bear: só faltou o mimo


Respeitem as ideias do rapaz!, reclamavam uns, de peito feito. Concordo, mas nem uma amostra do Person Pitch?!, devolviam outros, insatisfeitos com o espectáculo a que acabavam de assistir. Para os mais distraídos, como eu, que ao escrever isto também faço questão de ter onde voltar para recordar como foi, aquele consistiu no curto desfile - nem uma hora - das novíssimas canções de Tomboy, quarto disco ainda por editar do Noah Lennox, baterista dos Animal Collective e exclusiva razão de ser do projecto a solo Panda Bear, que sexta-feira e sábado passou pelo Lux. Temos álbum, pela amostra, com preciosidades como aquela que fica publicada aí em baixo, mas também queríamos mimo – leia-se: uma passagem por qualquer faixa do estratosférico Person Pitch, das melhores coisas que se fizeram em 2007 para tanta e tão boa gente. Ainda assim, o pouco que faltou no espectáculo do Panda Bear, na sala de baixo, houve de sobra na de cima com Dâm-Funk: Damn!, que pinta de DJ set. Na primeira vez que visita Portugal, meses depois de Toeachizown ter assaltado escaparates e pistas de dança, o irrequieto connaisseur de tudo o que cheira a funk levou-nos noite dentro numa deliciosa festa cool, Lisboa mascarada de Los Angeles, de regresso aos anos setenta e oitenta.



(não sei se o título da canção já está definido, se será mesmo o que vem associado a este vídeo)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Arctic Monkeys: os rapazes da net estão crescidos


Enquanto músico, já o sabemos, Alex Turner tem mais para dizer do que tempo de canções para o conseguir. A maior virtude que lhe descobrimos ferve precisamente aí: consegue mesmo esse equilíbrio de virtudes, já que o Alex cantor raramente diminui o raio de acção do compositor – aplica-se a lógica contrária. Melodia e letra fluem par a par. A corda da métrica nunca rompe. É, por isso, simultaneamente um observador nato, um compositor dotado de um talento transbordante - imagina-se uma biblioteca engraçada lá em casa -, e um vocalista convincente. Tudo isto, e pelo peso de que o jovem de 24 anos goza na banda, confere a esta um estado de graça que não garante espectáculos de público ganho ao primeiro acorde, mas ajuda. Ontem foi assim: ou porque a base de fãs dos Monkeys conhece efectivamente o trabalho destes - nem sempre isso acontece, não é Sigmund? -, ou porque, no limite, a malta fez o trabalho de casa. Tudo isto na certeza de que as explosões diabólicas de som dos ingleses, um rock de energia punk com reflexões profundas sobre trivialidades, nem sempre foram distribuídas da melhor forma pelos cantos do Campo Pequeno. A acústica não é mesmo o forte daquela (agora só por vezes) praça de touros e de estupidez, olé.

Ao final da segunda música do alinhamento, 'Brianstorm', já Alex Turner acenava à multidão de expressão e gestos vagarosos, como uma diva de passagem pela província que é escoltada por batedores da polícia. Ou então de quem andava ali a reboque de outras substâncias mais, digamos, exóticas. “Thank you, you are too kind”. Aquele humor britânico. De lata de cerveja na mão, três discos e quatro anos depois dos Arctic Monkeys rebentarem no Myspace, Alex Turner surge confortabílissimo em palco na sua versão ‘entertainer’ ‘goofy’, de rainha a pavonear-se para gáudio dos seus súbditos, loucos por lhe descobrir um piscar de olhos que seja, e lá por dentro, ele, Alex, a Rainha, com inteiro desdém por todos eles. Claro que ninguém o leva a sério – começando pelo próprio.

Além do aspecto mais leve dos seus espectáculos ao vivo, os Arctic Monkeys também já se preocupam em apanhar a malta desprevenida com explosões de confettis. Houston, we have a band. O resto, ao contrário do que diz o outro, não são peanuts: é música, muita e boa. Na terceira passagem dos Monkeys por Lisboa, um dia depois de actuarem no Porto, o terceiro disco (Humbug, 2009) foi tantas vezes tocado como o segundo (Favourite Worst Nightmare, 2007)) e o esmagador primeiro (Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, 2006), e a notícia está na (óptima) receptividade que isso mereceu de um Campo Pequeno à pinha. Os rapazes estão a deixar esse frenezim adolescente que é o punk em detrimento de um rock com menos velocidades, mais denso, negro – Josh Homme na produção, por supuesto -, e a coisa resulta, ainda que ao vivo as diferenças se diluam. Resumindo: poucos actos falhados, muita canção entoada a cinco mil vozes – ‘I Bet You Look Good On The Dance Flor’ e ‘When the Sun Goes Down’ à cabeça, mas também os singles de Humbug ‘Crying Lightning’ e essa delícia pachorrenta chamada ‘Cornerstone’ -, enfim, tempo ganho, sem deslumbramento mas ganho.

p.s: menção honrosa ao talentoso baterista Matt Helders, a quem farei a vontade e passarei a tratar por ágil besta, nome que vinha impresso no bombo que espancou sem piedade durante hora e meia.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Adeus Amélie


Esqueçam o compositor requintado que assinou as bandas sonoras dos filmes O Fabuloso Destino de Amélie (Jean-Pierre Jeunet, 2001) e Adeus Lenine (Wolfgang Becker, 2003). Yann redescobriu a electricidade dos tempos em que ainda não era conhecido por Tiersen, e assentou como rocker. Dos bons.

Na verdade, sendo mais preciso, a linguagem musical ontem privilegiada no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, no encerramento de uma mini-digressão que passou por Figueira da Foz e Famalicão, vem sendo cada vez mais utilizada nas actuações ao vivo do músico. Ainda que de formação clássica em piano e violino, Yann Tiersen integrou vários grupos rock na sua juventude. Dust Lane, disco a editar no final do ano que serviu de mote ao concerto no CCB, é, 14 anos depois do trabalho de estreia, La Valse des Monstres (1995), o registo que devolve o compositor às descargas eléctricas.

Para trás ficam as paisagens melancólicas dedilhadas ao piano, ou abraçadas ao acordeão. Por outras palavras: toda uma reputação.

O violino, esse, ainda estrebucha, aqui e ali, mas nas poucas vezes em que o músico dele se apoderou - sensivelmente as mesmas em que deu uso à sua voz sofrível - foi para o utilizar como instrumento de ataque a canções de rock experimental, não para fazer soluçar os espectadores. Atentos como estátuas, aqueles pareceram surpreendidos ao testemunhar o novo rumo que Yann deu à sua carreira - qualquer coisa de que os Sonic Youth ficariam orgulhosos.

Os mais preparados podem muito bem passar a seguir o músico bretão como se o concerto que este deu no CCB tivesse o impacto fresco de uma primeira vez; os restantes ter-se-ão sentido como cobaias no final do encore, regressando a casa com a sensação de que não teria sido para aquilo que dela saíram.

"Toca a Amélie!"
À cerca de hora e meia de actuação faltaram praticamente todos os hinos do autor de Rue des Cascades (1996), pelo que melhor será falar no que o quarteto que o acompanhou não esqueceu. Junto de Stephane Bouvier (baixo), Dave Collingwood (bateria), Christine Ott (teclas e o psicadélico ondas Martenot, um instrumento electrónico dos anos 30), e Robin Allender (guitarra), Yann (voz, guitarra e violino) espantou a assistência mais desprevenida com o ruidoso bloco de cinco primeiras canções do alinhamento.

Desconhecidas, decerto ficarão associadas a quem de direito assim que Dust Lane estiver disponível nas lojas.

Na recta final da quinta faixa entrou em acção o aguardado violino. Prenúncio de regresso ao último disco de estúdio, Les Retrouvailles (2005), ou até do seu mais recente trabalho, Tabarly (2008) - terceira banda sonora para filme assinada por Yann Tiersen?

Nem por isso. O violinista de formação clássica só se mostrou como tal a sensivelmente meio do concerto, numa versão do tema originalmente escrito para piano, 'Sur le Fil', do albúm Le Phare (1998) - mais tarde aproveitado n'O Fabuloso destino de Amélie.

Descabelado como se pede a um artista indie, avançado um passo, recuando dois, esquerda, direita e de novo esquerda, inquieto, Yann ofereceu ao público um solo arrepiante. Este devolveu-lhe a ovação da noite. Dali em diante, cada vez mais intensas, as descargas eléctricas comandaram canções de queda livre, esporadicamente cantadas por todos os músicos, excepto o baterista.

"You fucking rock!", ouviu-se da assistência.

Tímido - há coisas que nunca mudam -, Tiersen deixou-se ouvir apenas três vezes entre músicas. Nunca foi além de um imperceptível "obrigado" de olhos fixos nos pés. Também poucos esperariam que cuspisse fogo pela boca.

Aguardava o público, isso sim, por, enfim, ouvir os arranjos originais de uma das bandas sonoras de culto da década. "Toca a Amélie!", suplicou alguém, quase para dentro, com o tom de voz conformado de quem sabia que esse pedido não seria satisfeito.

Mas foi precisamente com o tema 'La Valse d'Amélie', ainda que atacado com arranjos de guitarra distorcida, que Yann Tiersen fechou uma actuação curta, de alto risco, mas conseguida. O legado rock do músico bretão contrói-se dentro de momentos.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Andrew Bird ou o prodigioso fato escuro que assobia muito bem


Foto: Rita Carmo (a maior)

Fila para a sala 1 do São Jorge, 21:35: confundo a Soraia Chaves com a Soraia Chaves.

Sala 1 do São Jorge, 21:45: entra um fato escuro pelo palco. O público, que não é louco, tem dificuldade em perceber como é que entra pelo palco da Sala 1 do São Jorge um fato escuro, assim, sem mais. Só quando este chega junto da plateia é que os espectadores percebem que não vem só: traz dentro de si um vulto descabelado que, pé ante pé, caminha de olhos fixos no chão. Sem os levantar demasiado, acomoda-se num pequeno perímetro repleto de instrumentos musicais e socorre-se do primeiro: um violino. Espanto: dedilha-o como se de um cavaquinho se tratasse. Temos artista.

Sala 1 do São Jorge, 21:52: é aqui, depois de gravados em pedais de efeito vários arranjos de guitarra eléctrica, violino e uma sequência de palminhas clap clap (silence) clap que terá feito corar o David Fonseca – é difícil imaginá-lo noutro lado que não ali, no meio da rapaziada que encheu o São Jorge pela segunda noite consecutiva -, que as coisas ficam mais bonitas. O vulto tem voz e apresenta-se em açoriano - “Bua nuite” -, primeiro, e inglês - "My name's Andrew, pleased to meet you" -, depois. Ah, e já canta. O terceiro tema, ‘A nervous tic-motion of the head to the left’ (The Mysterious Production of Eggs, 2005) chega antes das 22:00, e só se percebe que a plateia lhe conhece a letra porque descubro dezenas de bocas a sussurrar com os mesmos trejeitos. As emoções ficam retraídas. Adivinha-se uma noite plácida. Acreditem quando vos minto que isto é verdade.

Foto: Rita Carmo (show dxi bola)

Sala 1 do São Jorge, 23:02: Há muito que o vulto chamado Andrew já descalçou as botas e, de olhos fechados, vem dirigindo uma orquestra de vários outros vultos muito parecidos consigo e aliás inexistentes, sob a prodigiosa orientação de el comandante, O assobio. Assim de repente, lembro-me que cantou 'Oh No', 'Effigy', 'Natural Disaster', 'Fitz & Dizzyspells' e 'Tenuousness' do mais recente disco, Nobel Beast (2009). Também reparei que jurou amor eterno a Portugal (ovação massiva) e ao fado (ovação de sete pessoas que vestiam de negro e calçavam meia branca descoberta na perna traçada). E que tocou violino em bicos de pés demasiadas vezes para não estar a testar uma eventual descolagem. Já disse que também assobia como algumas aves gostariam? Por motivos práticos, passarei a denominar o vulto que se chama Andrew de bailarino-violoncelista que assobia muito bem.

Sala 1 do São Jorge, 23: 34: Afastámo-nos do São Jorge sem fazer a mínima ideia de que a noite continuaria no Irish Pub do Cais do Sodré durante uma taça de tinto, uma sandes de frango catita e uma imperial que o talão confundiu com uma pint. Na massa cinzenta, uma ideia colorida: o bailarino-violoncelista que assobia muito bem outrora conhecido por vulto que se chama Andrew perdeu-se algumas vezes durante o concerto – génio, claro; louco, óbvio; humano, também; dava jeito que a banda que o costuma acompanhar em digressão tivesse igualmente viajado até Portugal -, fez pouco disso, ignorou alguns temas que o público bem pediu, mas fez o que quis da grave e pouco esforçada voz num alinhamento de brilhantes musicas primaveris, pensadas, interpretadas e correspondidas em contra-mão. Não sei se é folk ou pop ou até clássica a música que ouvi ontem à noite. Mas é boa. Muito. Nada mau para um fato escuro.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O carnaval dos Balcãs contra-ataca

Como o Natal, também o Carnaval poderá ser quando um homem quiser. O mote encaixa com precisão no conjunto balcânico Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra, que ontem, na ressaca da Páscoa, repetiu no Campo Pequeno, em Lisboa, o festim celebrado no Coliseu da capital portuguesa em 2008.

Sem qualquer trabalho editado desde Time of The Gypsies (2007), a banda liderada por Nenad Janković, aka Dr. Nele Karajlić, que inclui o premiado realizador Emir Kusturica desde 1994, revisitou quase 30 anos de carreira com a descontracção que em solo nacional se pode conceder aos intocáveis Xutos & Pontapés. Talvez por isso, meia hora de atraso não tivesse sido motivo suficente para atrapalhar a boa disposição do público que ontem quase lotou o Campo Pequeno, onde já mora um tecto - e ainda bem, Abril.

Um pouco mais do que música
O menu musical era conhecido: um caldeirão de sonoridades tradicionais dos Balcãs, com evidentes influências da cultura cigana, onde se percorre os caminhos do punk, folk e jazz pelo manejo frenético de muita corda e muito sopro. Frequentemente, com passagens pelas raízes da música popular grega e turca – o longo domínio otomano no sudeste europeu assim o justifica. Êxitos como ‘Unza Unza Time’, ‘Bubamara’, ‘Pitbull Terrier’ e ‘Fuck You, MTV’, logo transposto para o menos consensual 'Fuck You, USA', foram entoados (e dançados) como se disso dependesse a salvação de cada um.

Mas a música da banda é apenas um ponto de chegada para onde corre, ou dança, uma narrativa que conhecemos em filmes de Kusturica como Underground (1995) e Gato Preto, Gato Branco (1998), cujas bandas sonoras foram compostas – e ontem amplamente recuperadas – pelos No Smoking Orchestra, originalmente intitulados Zabranjeno Pušenje. Não surpreende, por isso, que o inesgotável Nele Karajlic – apresentou-se vestindo um maillot azul com asas de morcego – incentivasse diversas invasões de palco, onde a distracção circense e as míudas giras mereceram o devido valor.

(Cinquenta anos de pele bonita para quem me encontrar)

Kusturica, sempre discreto, foi apresentado como Eric Clapton e Maradona, e abriu canções com os mui conhecidos riffs de 'Smoke on the Water' (Deep Purple) e 'Shine On You Crazy Diamond' (Pink Floyd). 100 minutos e um encore depois já se ouvia o hino soviético – banda sonora de cada fecho e começo de um concerto da banda. E apostamos: terá sido por metros constrangimentos logísticos que não foi visto um porco em palco a tratar de um carro podre à dentada. Mas haverá tempo para isso.

Créditos: a Rita Carmo é de longe a maior

sábado, 21 de março de 2009

O curto voo de Nathan Fake

A tão aguardada estreia do inglês Nathan Fake em Portugal, na discoteca Lux, em Lisboa, teve momentos de absoluta comoção. Um final precoce, também. Cerca de 80 minutos de actuação soou a pouco para muitos dançarinos. Less is more, sentiram outros. O saldo pede mais.

Uma rápida pesquisa no YouTube pela faixa ‘Long Sunny’, do primeiro trabalho de fôlego de Nathan Fake, Drowning in a Sea of Love, de 2006 (8.4/10 pela Pitchfork), leva-nos a um vídeo amador onde se poder ler um comentário publicado em inglês. Tradução: «Esta canção lembra-me a primeira vez que matei alguém».

Não é caso para tanto. Os instintos que na madrugada de sexta-feira se enraizaram nos pés dançantes da Lux – semi-vestida durante a hora e vinte minutos que durou o live act do prodígio de Norfolk, Inglaterra – ficaram-se, quando muito, por um estado inócuo.

Há uma dimensão vertiginosa nas composições de Nathan. Aos 25 anos, recusa ser rotulado de DJ, e percebeu-se com que autoridade. Alguma crítica especializada acusa-o de actuações para dentro, desfasadamente experimentais, de esquecer as pessoas.

Pista rendida
Pouco disso, porém, se viu no piso inferior da Lux. No primeiro minuto de actuação já Nathan Fake mostrava ao que vinha, arrasando a pista com minimais linhas de percussão e de synth, entrecruzadas, em muitos casos, pelo elemento humano: samples vocais. Mosaicos acriançados, desfeitos; de olhos fechados, celebrou-se na Lux um febril adeus à juventude.

Protegido do príncipe do minimal, James Holden, por cuja editora gravou o primeiro longa-duração, e verá chegar aos escaparates o segundo, Hard Islands, em Maio, Nathan, que nasceu e cresceu a leste do fervilhar electrónico de Inglaterra, longe da agitação, faz música idealista, de olhar positivo, quase ingénuo, estancado no horizonte, desenhando paisagens verdejantes, intermináveis, a fugir da cidade.

Pontos altos da madrugada, ‘You are Here’ (Drowning in a Sea of Love), de uma pacífica percussão à triunfal tempestade eléctrica das teclas Casio, e ‘Underburg’ (EP Watlington Street, 2004), onde se trilha os caminhos do house progressivo, são faixas com algo de primitivo – e, por isso, de fuga.

A actuação de Nathan Fake na sala de Santa Apolónia teve o mérito acrescido de ter escapado a momentos bocejantes, mesmo desdenhando o muito pedido single de 2004, ‘The Sky was Pink’. No final, insaciável, o público pediu o que não teve: mais.