
... havia festa no miradouro de são pedro de alcântara em volta da roda de choro de lisboa, e haverá poucos miradouros como aquele, assim, a oferecer castelo e sé e a insinuar o tejo, que de noite é mais imaginado daqueles lados do que propriamente visto, e depois passou talking heads no bar que por ali abriu; a noite esteve belíssima, daquela beleza ofuscante, capaz de fazer corar o dia mais vaidoso, branca como o dostoievski imortalizou; amigos de hoje e de ontem, mocas a condizer e a inês, claro, a inês que era o motivo de tudo aquilo e anda a sofrer por antecipação uma mudança de vida - em boa verdade, já gastou por cá metade da dor -, a inês que cortou o cabelo e estava uma gata de cinema com os amigos e as mocas e a inês que agora tem uma capa de jornal só para ela; noites brancas sem despedida, é pisado mas também não gosto delas, e a inês que ronrona no ombro próximo quando vira o copinho que resultou da ideia fixa "só mais um" e há-de ver o cinema paraíso em cardiff, ou noutro lado qualquer, se é que ainda não o viu, para nos créditos finais abrir uma janela, todos queremos que a inês abra janelas, e gritar a pulmões cheios: "Alfredo!"