segunda-feira, 9 de junho de 2008

Eles andam aí (e o Verão também)


The Ting Tings - We Started Nothing

Os ingredientes necessários à composição de um hit de Verão são conhecidos: junte-se um vídeo cheio de cor a três ou quatro pares de pernas femininas devidamente bronzeadas e eis o milagre. E se ainda houver tempo para nele dispor um grupo de amiguinhos entoando a uma só voz um emocionante hino à felicidade balnear, tanto melhor.
Assim de repente chocamos de frente com o entusiasmado “Aserejé” das espanholas Las Ketchup, faixa rainha do 2002 piroso-dançante que abriu terreno à chegada da boy's band romena O-Zone, responsável por uma admirável explosão poliglota das pistas de danças em 2003. Dragostea Din Tei (para os entendidos) (ou Numa-Numa-iei, para gente como eu) foi o ruído que então intoxicou as pistas de dança.
Entretanto tive a felicidade de, no início deste ano, ouvir aquela que logo presumi ser uma forte candidata a canção azeiteira de banhos 2008: “Baila el Chiki Chiki”, do espanhol Rodolfo Chikilicuatre, é uma homenagem à reflexão por detrás dos primeiros parágrafos deste texto – um monumento dentro do género. E tudo se tornou muito claro quando percebi que o representante de Espanha no Festival Eurovisão da Canção 2008 não seria outro que não este Rodolfo, que iria cantar a sua Chikitada. Curiosidade das curiosidades, a esquizofrenia colectiva que a música do rapaz tem gerado nos espanhóis, sempre tão próximos do bom gosto na música que escolhem para representá-los no dito festival, não teve reflexos na edição deste ano: ficou atrás da canção portuguesa, algures perdida na segunda metade de uma tabela composta por 25 finalistas.
Isto para introduzir The Ting Tings, duo de Manchester formado por Jules De Martino e Katie White, que surpreendentemente ameaça tomar conta das pistas de dança europeias neste Verão. Motivo: "We Started Nothing", novíssimo disco de estreia dos ingleses que já afastou Madonna do trono no top de vendas britânico em menos de um mês de edição (a portuguesa saiu a 02 de Junho).
Temas como “That’s not my name”, amálgama progressiva de ritmos para ginastas indie a dar-a dar, com uma antena electrónica minimal virada para os esquisitinhos e outra pop mais próxima dos deslumbrados (alguém se lembra de North American Scum – LCD Soundsystem?) ou “Shut up and let me go”, pózinhos funk num produto tão catchy quanto acutilante – acerta nas ancas – são bons exemplos do que se pode esperar deste disco, obra de uma das bandas sensação do Reino Unido no momento. É estar atento, eles andam aí.

1 comentário:

djazzistik disse...

Está muito fixing, de facto.. mas vê lá se ouves esta balada funk de 1983/2008 e diz-me se não passavas um ganda verãos.. 'Squeeze Me' dos Kraak & Smaak ;)