quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Um Castelo na Escócia Song Awards 2010

Claro que amanhã ou mesmo hoje agora esta lista poderia ficar virada do avesso. Aos anti-listas: é só uma lista; aos pró-listas: o mesmo. E dedos cruzados contra os desamores. E mão direita é penálti.

20. Swim, Surfer Blood



19. Stylo, Gorillaz



18. Bowls, Caribou



17. Tree by the River, Iron and Wine



16. Simple Things, Shit Robot



15. Acts of Man, Midlake



14. Silver Soul, Beach House



13. Bloodbuzz Ohio, The National



12. Memory Boy, Deerhunter



11. Angela Surf City, The Walkmen



10. Monster, Kanye West



9. Sprawl II (Mountains Beyond Mountains), Arcade Fire



8.  Getting Nowhere, Magnetic Man feat. John Legend



7. Walk in the Park, Beach House



6. I Found a Whistle, MGMT



5. Love Cry, Four Tet



4. Losing my Patience, Shit Robot



3. England, The National



2. Zebra, Beach House



1. Siberian Breaks, MGMT

 

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

As velas ardem até ao fim

Ela observava-nos. Duas vezes a nossa idade, vida artificial em redor dos olhos amargurados, borracha das trincheiras de pele, fazia-se acompanhar de uma ausência de homem, alguém que não estava bem ali, um projecto de qualquer coisa por acontecer. Observava-nos e sorria o sorriso malvado de quem conhece todos os recados que os corpos transmitem. Dos olhos senti-lhe uma atenção de voyeur de bem com a sua condição, de pulso tranquilo. Uma serenidade que perturba e fascina. Mais do que nos ler, senti que nos via. Que entrava em nós e confirmava os planos em sintonia. Que disso retirava um gozo descontrolado. Doentio. Bom. Fiz por manter o entretenimento. A todos agradava. Terá visto em mim quem nela viu em tempos o suficiente para a seduzir. Lembrou-se de se sentir desejada. Ao meu lado via-se num espelho com metade do tempo. Por vezes tropeçava num detalhe do seu mundo próximo, o telemóvel, o copo de vinho, a saia rebelde, mas logo a nós regressava, a nós que era o nada fitado com um propósito maior. Levantámo-nos. Percorreu o corpo dela num jeito de urgência e esticou as fontes de espanto. Denunciou as trincheiras em redor dos olhos. A amargura que nenhuma vida artificial pode esconder. Sorri-lhe até sairmos de cena.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Das cavernas

Para mim homem é de mulher. Devo ser um tanto antiquado. Ou hipócrita. Todo tagarela pelas liberdades individuais e saio com esta. Talvez porque até ver via tudo à distância. Ou porque a malta era discreta. Um certo círculo de segurança. Mas ontem fui ao frágil. Pela primeira vez num espaço que se define por virar as convenções sexuais do avesso. Totalmente do avesso. "Anda lá pá, aquilo é fixe e tu sabes de ti". Homens, demasiados, quase todos organizados em grupos a atirarem-se contra as paredes aos pares, triângulos e quadrados numa estranha luta de cães. Não gosto de entrar em bares ou discotecas cujo ambiente não é definido pela música que lá passa. Não gosto de entrar em festas para as quais não sou convidado. Onde me sinto intruso. A mais. Desculpem lá a falta de modernismo.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Lisboa sob escuta


Mulher entre 50 e 60 anos marcha rápido pelo interior da estação de metro da Alameda. Encaixa o telemóvel no ouvido e faz por ter a certeza de que não passará despercebida.

“Olá! É a Celeste da televisão!, vou para o João Baião! Ontem foi o Marco Paulo! Conheces o Marco Paulo?!”

Duas amigas passeiam-se pela Morais Soares. De olhos na montra de uma loja de roupa, uma delas rompe o silêncio.
“Ele fica acelerado quando me cai na garganta.”

Agora que acabou, ela explica à amiga como foi no início.
"Éramos muito apaixonados. Se é que me entendes."

Acaba o filme. Créditos finais. Ele quer saber.
"Gostaste?"
"Não é assim nada de especial."
"Mas come-se.."
(beijo).

domingo, 5 de dezembro de 2010

Aceitam-se sugestões para substituir as reticências ali em baixo


Ela: sou uma puta.

Ele: o quê?

Ela: uma puta.

Ele: que disparate, porque dizes isso?

Ela: acabei com o meu namorado há um mês, mas reatámos na semana passada e estou aqui contigo. Bebi muito. Sou uma puta.

Ele: (…)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Interrogo-me se a juliette binoche será próxima da mulher do kiarostami


"Acaba!, acaba!, acaba!", pedi de mim para mim durante aquela que viria a ser efectivamente a última cena do Cópia Certificada. Falhei no Munique e no Gran Torino. Desta vez fui inteiramente feliz. E a Binoche é uma actriz do caneco. E um mulherão. E recomendo isto vivamente.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Coliseu de Lisboa e The Walkmen foi…


hipóteses:

a) um domingo perfeito.
b) um copo de vinho do porto.
c) adorável.
d) um encontro de amantes que se reúnem para o melhor.
e) todas as anteriores.

resposta: óbvia.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Como é que fazes uma lista das tuas canções favoritas dos Beatles, como fizeste dos Radiohead, se amas (quase) todas?


err... não fazes.

Apenas destaco aqui a ‘Nowhere Man’ do Rubber Soul (1965) porque é uma das mais importantes. Se o Revolver (1966) é o disco em que os Beatles abandonam o 'yeah, yeah' da adolescência para se tornarem numa banda de estúdio e reinventarem a música, o Rubber Soul é aquele onde sopram os primeiros ventos de mudança. Na 'Norwegian Wood (This bird has flown)', por exemplo, onde o Harrison introduz pela primeira vez um instrumento indiano (sitar) numa canção pop, ou nesta 'Nowhere Man', pela abordagem filosófica - o John Lennon gatinhava para o surrealismo.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ouvir este álbum vai melhorar a vossa vida


"Since I Left You" (2000) soa àquelas paixonetas de Verão com prazo de validade, 15 dias, menos, que acabaram sem ter tido tempo para o erro, que até hoje vimos crescer dentro de nós como então eram, perfeitas. 18 meses a ouvir e a misturar de 1000 a 3500 samples – já encontrei por aí referências a ambos os números - entre mais de 100 discos resultou numa espécie de banda sonora de infância condensada em 18 faixas intensas, sorridentes, prodigiosas e, talvez mais importante, dado tratar-se de samples, únicas. Autores: The Avalanches, australianos que de tanto amor por lojas de vinis em segunda mão fizeram algo, redireccionaram energia, lançaram um disco. Foi há dez anos. Foi o primeiro. Seria também o último, até ver. Percebe-se o dilema: que se segue à perfeição? Neste caso, tanto quanto percebo, já que nunca ouvi falar dele até há poucos dias, assiste-se ao lento crescimento do melhor álbum praticamente desconhecido que já ouvi.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Aconselha-se ao leitor idealista que ataque sem misericórdia o autor deste texto

'jovens saíram à rua contra a idade da reforma (e havia ganza)'
Sofremos com a vulgaridade dos tempos. Não há causas fixes pelas quais lutar. Até a guerra que tivemos foi fria. Uma seca. Aos jovens que por estes dias dominam as manifestações em França contra o governo liderado pelo marido da senhora bruni resta contestar desemprego e precariedade, temas chatos, e fazem-no porque fica bem, não que se trate de um problema que os atinja - a PS3 não escapa -, mas porque consta que a malta saiu ali à rua no Maio de 68 e um dia podem estes ser lembrados por fazer o mesmo. Só fica bem. E uns dias sem aulas é um espectáculo. Lembro-me bem disso.


'intervalo na revolução'
Basta ver as expressões dos jovens nas fotografias que têm saído na imprensa internacional, as expressões dos estudantes preocupadíssimos com o aumento em dois anos da idade da reforma, as expressões e a postura dos jovens junto de carros tombados e a arder e de vidros partidos de lojas de malas e simpatias de espelho. Obviamente que não me refiro a quem verdadeiramente sofre na pele já de crocodilo com esta decisão do governo liderado pelo marido da senhora bruni, não me refiro a quem pensou e tornou possível a greve geral sem imaginar que a mesma se iria tornar numa janela de oportunidade para que animaizinhos sem jaula vandalizassem a ideia que lhe deu razão de ser. Mas os animaizinhos, esses, não me ganhavam nem com tortura de cebola junto aos olhos.

Entretanto...


'deixamos tudo para trás, angela?'


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A minha canção favorita dos Radiohead é...


A New Musical Express foi para a rua e convidou vários músicos de bandas britânicas a cuspir a respectiva música favorita dos Radiohead. Por maioria de consenso ganhou a ‘Everything in it’s Right Place’. Fã herege que sou, discordo; reconheço que gosto mais hoje do Kid A do que ontem, e provavelmente mais amanhã do que hoje, mas estou longe de achar que foi a melhor coisa que eles deitaram ao mundo, tal como esse tema desse álbum. Em baixo estampo a reduzida lista das minhas favoritas - uma decente deveria levar 30 ou 40, e não 10, mas amanhã é dia de trabalho -, depois de um fim de semana inteiro a ouvir a discografia (vá, uns 80%) do quinteto, e o mesmo é dizer que neste momento precisava assim de uns 15 dias regados a rum numa praia caribenha para recuperar de tanta tristeza cantada.

10. Stop Whispering, Pablo Honey (1993)



O jovem Thom quer fazer-se ouvir, quer que o deixem ser, está a começar a sentir-se incomodado com a chatice na qual uma vida de adulto se pode tornar. Aparentemente simples, esta canção do álbum de estreia tem muito menos eco do que merece: não só pela irónica descrição da fragilidade emocional que empurra jovens como ele, o que nos dá uma pista segura de que como virá a tornar-se num compositor do caneco,

Dear Sir, I have a complaint


Can't remember what it is


It doesn't matter anyway
It doesn't matter anyway

como pela deriva instrumental que encerra o tema, mais experimental, mais noise, mais próxima do que viria a ser a interminável descoberta dos Radiohead pela novidade em tudo o que lhes soe a música, aquilo que nestas quase duas décadas os demarcou do grande rebanho do rock, pop, electrónica e ferrinhos - instrumento que termina o disco de onde vem a música aí em baixo.

9. Let Down, Ok Computer (1997)



Linda, dé! Adoro a sensação de fim ali a meio e ah! afinal ainda há mais.

8. Lucky, Ok Computer (1997)



Há sempre uma mensagem a retirar das letras dos Radiohead. Mais ou menos acessível, mais ou menos codificada, ela está lá, mas raramente nos puxa pela manga da camisa, suplicando a mesma atenção que a melodia. Não. Como outros temas, Lucky observa-nos de longe, quieta. Misturada na multidão, limita-se a abanar o rabo. Só depende de nós ir atrás para ver no que dá. Neste caso, ambicioso riff do Johnny Greenwood ali no refrão à parte, parece-me haver por aqui uma ode à possibilidade de o homem afinal triunfar sobre a máquina, de que nem tudo está perdido. Num dia bom, acreditará que a sua vontade vai prevalecer. Num dia bom há uma saída. Mas como em grande parte das canções dos Radiohead, no fim recebemos um aviso - 'despachem-se, é mais tarde do que pensamos', ou, neste caso, "we are standing on the edge.."

7. The Tourist, Ok Computer (1997)



A velocidade que nos impõem. Casa, metro, trabalho, noitada para esquecer, ressaca para lembrar, casa, metro, trabalho, reforma, cama, sepultura. Já foi, já passou. Parece que é só isto. Mas enquanto por cá andarmos haverá sempre a música que encerra o Ok Computer como resposta. Nesta versão quem vemos chorar é o intenso Thom, mas, se estivermos atentos à forma como atacou o solo final, o Johnny Greenwood não deve estar melhor por dentro - afinal de contas foi ele quem escreveu isto.

6. How to Disappear Completely, Kid A (2000)



O Thom Yorke a agonizar com um microfone pela frente, em negação, a tentar convencer-se de que consegue despistar os demónios que o perseguem, que consegue estar e está noutro lado, em paz, melhor, não ali, não assim: é a isto que soa o pânico em câmara lenta, assim grita um génio entristecido. Tenho para mim que é uma das canções mais representativas do que é ser Thom Yorke, e ele também - já pediu para um dia ser lembrado por esta música, se por uma tiver de o ser.

5. Black Star, The Bends (1995)



Gosto de melodias. O jazz, por exemplo: sou fã, sobretudo daquele vertiginoso que dispensa a voz, mas não vou à bola com tudo. Preciso de alguma harmonia; alguma melodia, mesmo que pouca. Na Black Star, mesmo que a história dos amantes que se separam devido à má fortuna, nunca devido a erros pessoais - isso nunca, isso não existe, isso não existe, isso não existe - já me tivesse apanhado, a melodia é tão conseguida, tão fácil de se gostar, que, enfim, é isso, gosta-se. Muito.

4. The Bends, The Bends (1995)



A canção inteira à espera de uma explosão que ameaça mas não aparece, e quando ela chega, aqui num ataque a três guitarras e um baixo, trata-se de um dos momentos mais gloriosos que conheci dos Radiohead quando o Thom enche o peito e anuncia ao mundo "I wanna live/ breathe/ I wanna be a part of the human race!". Se instrumentalmente é intocável, a canção alterna entre o seminal e o razoável ao nível da escrita, e assim explico o motivo pelo qual é possível encontrar músicas aqui por baixo desta - no sentido de que portanto estão acima, bem entendido.

3. Street Spirit (Fade Out), The Bends (1995)



À medida que esta lista avança, torna-se cada vez mais difícil explicar porque motivo trocaria este tema por aquele, ou não. Humm.. ou não. Street Spirit (Fade Out) embaraça-me, faz-me sentir vergonha por não passar de um mero humano, movido a necessidade básicas, ao contrário deste colectivo munido de poderes mágicos. Aqui se faz o elogio de uma voz fabulosa como aquela que o Thom Yorke tem, um falsete tão perfeito que ao próprio irrita. Só o Jeff Buckley lamenta igual. (Vai daí talvez melhor). Numa canção que se for sobre o que parece é sobre morte, em pleno Glastonbury, o Thom Yorke, infeliz oráculo de boas intenções, aconselha-nos "Immerse your soul in love!" e despede-se da forma mais acriançadamente feliz que algum dia pude testemunhar. Eu, que nunca o vi nem ouvi. This fake plastic fan.

2. National Anthem, Kid A (2000)



Radiohead, o mais diabólico dos baixos, a mais nervosa das baterias, free-jazz? Este é o meu hino nacional.

1. Fake Plastic Trees, The Bends (1995)

Tudo o que os Radiohead têm de bom, comprimido numa balada quiet-loud sobre este mundo de faz de conta em que se assume a impossibilidade de o compreender e, braços em baixo perante a pessoa por quem largaríamos tudo, se diz coisas como "If I could be who you wanted, all the time, all the time".

terça-feira, 12 de outubro de 2010

... pero que las hay, las hay!


Se estiver a tirar formação pela empresa durante o horário laboral, sem porém o cobrir na totalidade, se isso implicar que tenha de sair de Lisboa a partir das 18:30 rumo a Carnaxide sobre quatro rodas, se chegar ao trabalho uma hora depois, pára-arranca, pára-arranca, pára-arranca, inferno, inferno, inferno e tiver pela frente duas horas e meia para esfolar os dedos no teclado, ou o teclado com os dedos, se souber disso e optar por trabalhar quatro horas, regressando a casa ao bater da meia noite, se, na procura de estacionamento, ignorar um lugar relativamente longe da minha rua e cinco segundos depois investir numa marcha-atrás suicida porque mudei de ideias, se fizer isso e estacionar o carro na dita vaga e demorar-me a meter os espelhos para dentro e regressar vagarosamente e reparar que ao longe se detém um carro num cruzamento com duas miúdas sorridentes lá dentro, se me aproximar e, espanto, constatar que ao volante vem ela, ladeada pela melhor amiga, se isto acontecer no exacto cruzamento onde há cerca de um ano pensei tê-la visto, também ao volante, também de quatro piscas ligados, mas no sentido inverso do trânsito, coisa que entretanto me negou sem contudo me ter convencido, se caminhar rumo àquele preciso cruzamento, naquela precisa hora, sem ter sequer jantado, e se depois me perder no tempo e em tudo o que a distância esconde e é preciso descobrir, se isto não abalar estruturas, que raio o fará?

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Palavras leva o vento

A baixinha de lírio no cabelo que me convidou para um passeio perto do sossego cinco minutos depois de me pedir que lhe tirasse uma fotografia é demasiado parecida com a irmã mais velha de uma amiga da faculdade a quem um dia sugeri uma viagem de balão, percebi ou decidi há bocado, uma destas. À macaca com a memória depreendo que, sobre isto, sendo irmãs, uma não saiba da outra, até porque na faculdade a mais nova tinha namorado militar, coisa que a minha moça não era, militar, mas podia. O pudor da manhã seguinte, versão família.

A ser verdade o que de repente se me chega como tal.

Vinte e quatro horas em cima disso, nas proximidades, onde a violência menos ameaça a noite, percebi que conheço três morenas muito parecidas. Tenho por hábito confundir todas elas, especialmente quando escurece em redor das coisas. A mais velha foi minha professora na altura em que o marido era meu treinador de futebol. Lamentavelmente já se separaram e nos últimos tempos o meu ex-treinador passou a companheiro ocasional de copos. Nos desencontros da noite, receio que a minha ex-professora, cada vez menos obediente à curta rédea da dúvida, possa vir a torná-lo num problema de tamanho, digamos, familiar.

Prometi-me juízo.

A mais nova voltou a apanhar-me na idade esta semana. Ontem caminhava na minha direcção. Aos S. Anda cá. Recebo-a nos braços. Toma lá disto, chuack, dois beijos e parabéns com atraso. Como de costume nas noites em que já vê pouco e só se ouve a si própria, fez por ter a atenção de quem por ali estava, sobretudo das amigas: agarrando nas mamas à segunda tentativa, abanou-as e exclamou com orgulho, “27, 13 e meio cada uma!”. Nunca lhe faltou esperteza. Já a morena do meio, em cujo ombro ontem julgava ter tocado – era o da mais velha -, mostra as sardas mais bonitas e aquela serenidade boa de mãe. Evoca-me o último tango em paris. Não faço ideia porquê. Mas agora que penso nisso ela é mais ruiva do que outra coisa. E a morena dos 13,5 + 13,5 também pintou o cabelo há pouco tempo, ficou igualmente ruiva por opção. E se confundi o ombro da morena mais velha com o ombro da morena do meio, se já escurecera em redor das coisas quando isso aconteceu, quem me garante que não lhe tenha confundido a cor do cabelo?

Arrastado para os sonhos, tento manipulá-los, dar-lhes a volta, esquecer que o recomeço cansa.

Perco.

Ahahaha.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Sonho do ano?

Se o álbum Teen Dream (2010), dos Beach House, fosse uma lingua, seria a francesa: bela e triste. Um sufoco. É uma percepção que se ganha e fica. Aconteceu comigo, de Janeiro a Outubro. Ainda não é tempo de avançar com listas de favoritos mas...

sábado, 2 de outubro de 2010

Unsung, not enough credit, folks ain't hip



Gente descabelada a voar sobre ninhos de cucos na noite do incógnito que fechou com strawberry fields.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Respondendo a quem já me fez esta pergunta e não percebeu a resposta


Entre outros motivos mais ligados ao instinto, comecei a entrar no jazz dos anos 30, 40 e 50 por causa das imagens – cada músico retratado parece estar a ter o tempo da sua vida ali em palco, acho que pensei nunca ter visto pessoas tão felizes como o louis armstrong (foto em cima) ou o lionel hampton ou o oscar peterson (foto em baixo), sorrisos tão grandes, tão livres como aqueles que as objectivas eternizaram.


O meu interesse redobrou quando fui atrás das histórias de vida de cada um e, espanto, deparei-me com um rasto profundamente triste. Pensei, ‘hum... tenho de ter isto na minha vida’. É preciso também não esquecer que a música pop(ular) da época não era outra senão o jazz. Chegou a Nova Orleães de barco, pela boca dos escravos africanos, ainda na forma de blues, e depois ganhou forma no contacto com o ragtime americano. Basicamente era o que o povo ouvia. Só hoje, nestes estranhos tempos, é que tocar corneta e afins passou a ser coisa de gente fina.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

The happy Hollywood ending sounds nice but... in real life, Laika died.

Longe das horas em que a cama sempre pareceu pequena, naquele instante, perante o oceano branco do monitor nu, percebeu que já não contava estar a ocupar o pensamento com aquele corpo macio de cobra. Não era daqueles que faria tudo igual. Teria ficado com ela mais um pouco na manhã em que a viu arrastar-se pelo soalho de madeira, suplicando-lhe, agarrada à sua perna direita, que não fosse, que não a deixasse ali, caída, entregue à insuportável companhia de si própria, exposta ao cruel tribunal do espelho, que não apunhalasse de morte o que deles restava ao bater da porta whaaaaam bam!. (A brutalidade com que ela se magoou). Quando estavam juntos sempre pensou que ela teria de estar interessada para ser interessante, e coisas dessas que não entendia porque motivo ela não entendia, mas tudo esquecia ao descobrir-lhe as costas perfeitas sob o tecido-privilégio, devagar, o toque na pele de menina-mulher, ao perder-se em cada centímetro carnudo daquelas coxas de bailarina adiada, fortes e suaves além da compreensão. Percebeu tarde que não teria de ser de outro modo. Hoje lamenta reconhecer os grandes progressos que a auto-estima dela fez desde que a cama voltou a parecer grande.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Se o Izmailov fosse jogador do Porto seria titular sábado contra o Olhanense


Como noutros casos, noutras paragens da nossa querida sociedade, o do Izmailov é um gato escondido com o rabo da Jennifer Lopez de fora. E de discreto o rabo da Jennifer Lopez nada tem. Como noutros casos, o Sporting geriu a (grave) lesão do rapaz com a caçadeira destravada na direcção dos próprios pés e, claro, sai tão prejudicado disto como ele, que não pode jogar futebol mas também não pedala de borla no ginásio. Como noutros casos, sabe-se lá devido a que ordem cósmica, o Sporting ficou sem o contributo de um dos melhores jogadores que já teve nos últimos anos, com quem a massa adepta criou uma afinidade rara e de quem já agora sou fã desde o primeiro dia. Como noutros casos, sem que algo o fizesse prever, o jogador avisou que 'não', já 'não podia mais', e um pára-quedista de fatiota circense bateu no peito e em nome dos céus gritou que 'sim', 'sim podes', 'sim deves', 'não és ninguém', 'não acredito em ti', 'obrigo-te a jogar'. Como noutros casos, ao Sporting bastou o Sporting para se enfraquecer, abrindo caminho a um festival de decisões erradas de parte a parte. Como noutros casos, desde que o Figo partiu para Barcelona por altura da revolução francesa, o número sete amaldiçoou a carreira de um craque do Sporting. Como noutros casos, olho para norte e não vejo, nem consigo imaginar, coisa alguma que se aproxime desta trapalhada que pelos vistos terá continuidade com o regresso daquele joelho direito à faca, ou da faca àquele joelho direito, parecendo óbvio que se perderam demasiados meses até, no fim de contas, verificar-se este escabroso retorno do Izmailov ao bloco operatório, a mais meses fora de cena, a mais pedaladas no ginásio, a mais falta de talento na equipa, a (cada vez) menos Sporting. Sobre o título ali em cima, há dúvidas?

terça-feira, 21 de setembro de 2010

‎(Sempre houve) boa música no português em que a gente se entende, e outra que podia ser mas nem por isso (ainda) é

B Fachada

Pá, tens ideias porreiras, mas ser ao mesmo tempo letrista, produtor, músico e cantor é fardo para poucos. Duvido que seja para ti. Nada de errado há nisso. Partilhas as tuas coisas com pessoas, elas dão-te opiniões, o resultado final enriquece. Olha à tua volta. É assim que se faz. E tu fazes tanta coisa!

Chegas a dormir?!

Esta aqui, por exemplo, do novo disco ‘Há festa na Moradia’, está tudo certo, gosto, gosto muito,



mas a canção-título, aqui em baixo, pá, tem algum jeito? ‘Ca ganda’ salganhada oh. Escreves bem e vejo potencial no tema, o conceito é bom, mas, pá, fala com as pessoas!, ouve umas coisas dos Animal Collective, informa-te sobre o corta e cola, integra no teu trabalho qualquer coisa não pensada por ti, larga o espelho!



Diabo na Cruz



Têm uma característica comum a muitas das minhas bandas preferidas: um som único, próprio, que os distingue. Como os klaxons. Os national. Os strokes. Mas aqui não há Londres nem Nova Iorque. Há festa tuga de aldeia, ovelhas, xailes coloridos e grandes bigodes sacudidos pelas guitarras da cidade. Todo um penico à beira mar plantado. Aqui casa-se portugalidade e pop-rock. Os Diabo na Cruz são, acho, quem melhor o faz. Sobretudo por isto: escrevem nas horas. Um controlo genial da métrica, letras com graça e seta cravada na virtude. A primeira amostra - 'Os loucos estão certos' - é genial, ouvi-a até à exaustão. Nos últimos tempos tenho ouvido em repeat a 'Dona Ligeirinha', outra delícia. Descobri hoje que tinha aqui por casa o disco de estreia ignorado no meio de outros. O 'Virou' ainda com o plástico por virar. Não me lembro como veio cá parar. Já desconfiava que o tinha. É a inércia, estúpido!

Oioai



"(...) e apareces tu, e a terra começa a tremer.." (wtf)

Aquela sensação desagradável, fora do nosso alcance - já está, ja foi, já a sentimos, é tarde demais, não há recuo possível - de já termos ouvido isto noutro lado, demasiadas vezes. Em melhor. Interpol à cabeça. Mas nem tudo está perdido. Antes já tinham feito isto aqui do andar de baixo. Bem melhor. Vale a pena dar algum tempo aos moços.



Anaquim



Na primeira amostra do primeiro disco, um caldeirão de influências 'vá para fora (mas faça) cá dentro', dizem "abaixo a chibaria!" e do eco tratamos nós - chibos à parte.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Afraid of the house, stay the night with the sinners

Para resumir, o Sporting não joga nada, nada, nada


Rui Patrício: grandes defesas aqui, grandes casas ali - em que ficamos?
João Pereira: fizeste algum cruzamento?
Carriço: se queres ser bom, junta-te aos bons.
NAC: podias não fazer disparate pelo menos numa intervenção durante o jogo? Podias, mas não era a mesma coisa.
Evaldo: o leão ao peito deve pesar três ou quatro toneladas.
André Santos: eras tu (1,79 m) a marcar o luisão (1,93m) no lance do primeiro golo, certo?
Maniche: fazes o que podes para quem vai a caminho dos 33 e tem o zezé camarinha como amigalhaço.
Yannick: a bola atrapalha, é redonda.
Valdés: chileno suave.
Matías: para grandes palcos, grandes jogadores. Ontem era a prova dos nove, mas foste ultrapassado pelos acontecimentos. Só puxas do talento contra a Naval. Dérbis é correria a mais para ti. Não serves para estes andamentos.
Liedson: ainda por cá?
Saleiro: português suave.
Postiga: meia hora, um remate giro.
Vukcevic, o primeiro ala de sempre que joga de costas para a baliza: eh!

Paulo Sérgio, depois do LSD: "O Sporting fez um bom jogo (...), jogou sempre de olhos nos olhos à procura do resultado, teve atitude, mas faltou alguma personalidade para trabalhar melhor a bola".

Futebolisticamente falando, este fim de semana vi...

A táctica do costume no real madrid, seja treinado pelo Mourinho, pelo Schuster ou em piloto-automático: tiro (do Ronaldo) ao boneco (neste caso o Pepe) e fé em Deus (Casillas),



Homens contra meninos a quem devem ter injectado morfina antes do jogo,


E a pior imagem possível - o melhor jogador do mundo abandonar o relvado em maca, mãos no rosto, a delirar com dores, depois de lhe dobrarem o tornozelo e o arrumarem por duas semanas com uma patada maldosa (abaixo os ujfalusis deste desporto, que para nada interessam, e parabéns ao árbitro que lhe mostrou vermelho directo).

terça-feira, 14 de setembro de 2010

“Se isto é música de dança, eu gosto de música de dança”

A frase não é, não podia ser minha, mas fez todo o sentido vinda de quem veio depois do concerto do DJ Shadow no SW’10. Já eu, que o perdi por só ter ido à zambujeira no último dia, de batida para abanar esqueleto fiquei reduzido a esse herói francês da revolução do azeite chamado David Guetta. Uma experiência cruel, especialmente quando se perde a possibilidade de receber ao vivo qualquer malha que seja dessa sucessão de pequenas perfeições chamada Endtroducing..... (1996).

Aposta: o Sam the Kid ouviu este disco antes de criar o "Beats Vol 1: Amor" (2002).


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Fanfarlo: eh!


Há seis anos tinha 20 euros e deixei de jantar para ir a alvalade ver um jogo do Sporting. A entrada custava o dinheiro que tinha comigo até ao dia seguinte. 20 euros. (Eu não sabia mas) seria o fim da era Peseiro. Achei que cada um de nós adeptos-acéfalos-grunhos poderia ajudar a inverter a rota de desaires. Contribuir para a causa. Correu como se esperava: mal. Aliás diverti-me tanto que fugi de volta a casa aos 15 minutos da segunda parte e deitei-me na noite clara, com o jogo ainda a decorrer. Confesso que o meu estômago já se queixava com algum alarme. Hoje não. Hoje sabia que teria o bem bom quando chegasse a casa. Ainda que tenha voado do trabalho para o Lux sem forrar o estômago. Nem uma bifana. Disfarcei com cerveja. Quem não disfarçou que ainda está muito verde para grandes aparatos são os Fanfarlo. Bons em estúdio, sem graça ao vivo. Não foi a mais carnavalesca das reentrés.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Isté muita bom!

Canções de pé na areia que cabem numa caixa de sapatos. A maior passa dois segundos dos três minutos. Quase que deu para ouvir o disco todo há bocado no intervalo do Mystic River. É preciso injectar ar fresco nos pulmões ali a meio do Mystic River para se poder aguentar até ao fim o Mystic River. E eu já vi o Mystic River demasiadas vezes. Mystic River Mystic River Mystic River. Nota-se que ainda não estragaram a cabeça a estes Best Coast, ao contrário de alguns que os ouvem.

Rascunho mais ou menos fiel, uma vez que não gravei o definitivo antes de o imprimir (esperto), de "O pastor Mota e sua Isméria"

Capítulo I

Já levavas um choque na pila, pensou o Anatólio Mota, sem contudo chegar a partilhar esse desejo com o destinatário. Este, um porteiro de discoteca precocemente envelhecido, cujo tronco outrora inchado adivinhava um improvável par de seios, destacado numa camisa cor de salmão, acabara, depois de avaliar a sua figura de alto a baixo, com o jeito de quem troça, de lhe pedir metade de um ordenado mínimo a troco da entrada. Um dos mais notáveis pastores de rebanho de Alegria, aldeia do concelho de Góis, Mota achou que a troca nada tinha de justo mas, dada a sua boa natureza, percebeu que virar costas àquele espaço de diversão nocturna seria o caminho mais curto para evitar conflitos com o colchão, debaixo do qual guardava diversos maços de notas de 20 e até 50. Daí que, optando pelo regresso a casa, na companhia dos amigos com quem passava férias em Lisboa, se tenha despedido do porteiro encomendando-o à respectiva mãe, com promessa de reencontro.

Capítulo II

Anatólio Mota conhecia a responsabilidade. Ensinado desde criança a fazer as coisas bem feitas, cedo começou a guardar as poucas ovelhas do vizinho por forma a ganhar moedas e fazer o que mais gostava: ir ao cinema. Ainda o jovem pastor não era adolescente e já conhecia todos os filmes. Curtos, compridos, antigos, recentes – a todos recebia com igual entusiasmo. Em Alegria e arredores fazia-se eco da existência de um jovem pastor que, ao domingo, depois do almoço, saltava para a caixa aberta de uma qualquer carrinha que por ali passasse rumo a Góis e acorria à sessão da tarde. Os condutores estranharam, ao início, mas depois familiarizaram-se com a companhia do pequeno pastor, ele que nunca abandonava um cajado de madeira que em tempos encontrara num monte. Alguns chegavam mesmo a tocar à porta da casa onde vivia, questionando aos pais se o filho precisaria de boleia para a matinée. Naquela noite, ao deitar, depois de lhe pedirem metade de um ordenado para o deixar entrar numa discoteca, ali, na imensa solidão da cidade grande, longe da sua Alegria, recordou com afecto o dia em que se apaixonou por Isméria. Tudo aconteceu em Casalinho de Baixo: Anatólio Mota vinha de Casalinho de Cima, varrendo os campos de cajado em riste à procura do melhor pasto para o seu rebanho, aquela pequena amostra de gado que tão fácil era de guardar, e quando deu por si estava a fitar de forma enternecida a densa lã da sua amada. Achou por bem chamar-lhe Isméria. Claro que teve de lutar com alguns carneiros elegantes pela atenção daquela que muitos consideravam ser a mais bela ovelha de Góis, mas acabou por levar a melhor. Nos dias de Inverno a Isméria protegia o Anatólio melhor do que um abrigo; no quente Verão era ele que a fazia descer até ao rio e refrescava-a chapinhando a água na sua direcção. Bons tempos, pensou. Mas na véspera de terminar as suas férias em Lisboa, junto dos amigos de infância que ali tinham prosseguido os estudos, não era apenas na Isméria que o Anatólio concentrava os seus pensamentos. Pelos piores motivos, o mesmo acontecia com o porteiro da discoteca. Assim continuou o Mota durante muitos dias, já de regresso a Alegria, e chegou mesmo a ser repreendido por Isméria, que de noite o notava ausente. Certa vez, cada vez mais entendido no ovelhês, Mota foi confrontado e omitiu as preocupações. Baliu que tudo estava bem. Porém, enrolando-se na lã da sua Isméria, mimando-a, chegou à conclusão de que algo teria de ser feito. A situação era, percebeu, insustentável.

Capítulo III

Foi num dia em que viu chover sapos num filme que o pastor, à entrada dos 30 anos, soube o que tinha de ser feito. Na certeza de que o vizinho estava de férias e em breve visitaria a família em Lisboa, pediu-lhe encarecidamente que lhe desse boleia até à capital – a si e ao seu rebanho. O vizinho não teve tempo para ripostar. “Não me faça perguntas. Não irei responder para não ter eu próprio de ouvir o que lhe diria. Confie em mim”, pediu, lembrando-se talvez de ter ouvido aquilo num filme. E assim foi. Um par de dias volvidos, munido do seu cajado de madeira, já o Mota e o respectivo rebanho viajavam pela estrada nacional numa espaçosa carrinha de caixa aberta conduzida pelo seu vizinho, que, horas depois, já dentro da capital, devolvia o mesmo olhar de incredulidade com que lhe fitavam os demais condutores.

Anoitecera.

“Nem uma palha bule”, observou o confiante Anatólio, que nunca duvidou das coordenadas que a rota exigia. A discoteca ficava debaixo de um viaduto, numa zona habitualmente muito movimentada, mas que àquela hora pouca gente descobria. A dada altura reconheceu que a morada era ali mesmo, ao fundo da rua. Agradeceu ao vizinho e sugeriu-lhe que, uma de três, fosse para casa, esperasse por si ou o acompanhasse. Em todo o caso, notou, a terceira opção seria bem mais divertida do que as restantes. Aos trambolhões para lhe saltar da boca, as palavras ficaram onde estavam e, a bem da lógica, o vizinho percebeu que melhor seria engoli-las. Nada perguntou, acompanhando o Mota até à entrada da discoteca sem fila, mas com um porteiro precocemente envelhecido.

- Boa noite, podemos entrar? – perguntou o Mota, educado.

- Mas estás a gozar comigo ou quê? Vai mas é pastar de volta para a serra com as tuas ovelhas antes que te desfaça o nariz e lhes faça a tosquia.

- Meu caro, não têm estas minhas amigas feito outra coisa, que as trato melhor do que a mim, mas, preste atenção, apesar de eu não ter grande vontade de voltar aqui, onde aliás você já me pediu metade de um ordenado para me deixar entrar, elas, as minhas amigas, insistiram. Sabe, baliram-lhes que havia por aqui muita cabra. Gostam umas das outras, é fácil de ver. Se fosse a si não as contrariava.

- Mas tu queres que te parta os ossos ou quê? Dou-te três segundos para zarpares daqui para fora – ameaçou-o de dedo e as estranhas mamas em riste, espreitando o relógio.

A ameaça foi o pretexto que o Mota precisava: um, dois, três segundos depois, puxou do cajado de madeira e esquivou-se ao punho cerrado do porteiro aplicando-lhe, por sua vez, uma valente cajadada entre as pernas. Vergado às dores, no chão, o porteiro foi de seguida atropelado pelo obediente rebanho que seguia as ordens do seu pastor. “Vá, essas patas para dentro da discoteca, vamos embora!”, gritava, aproveitando a passagem da Isméria para lhe dar uma palmada no rabo e piscar-lhe o olho.

Uma vez lá dentro, de cajado e notas de 20 e 50 em riste, o Mota explicou a situação ao DJ e ao único empregado àquela hora de serviço. Prontamente foi encerrada a porta de entrada e, uma vez todos lá dentro, a noite foi de arromba, com muita música, dança e especial destaque para a Isméria, que, diz-se por esses montes fora, deu espectáculo em cima da coluna.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

holy merde!, serei conservador?



Agora que penso nisso, dou por mim a achar que os melhores são sempre os mesmos, os que já eram, e o resto é mais vento.

Os amigos, as meninas, os filmes, as músicas, os músicos.

Há pouco mais de um ano, na única vez em que vi o Yann ao vivo, achei isto. Hoje vejo e revejo os concertos dele e mantenho que a Sur le Fil, ele a adorar e depois a castigar e portanto a amar o violino, uff... isto é que é.

Sempre? Sempre.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Carta aberta ao paulo sérgio


Pediste um pinheiro a caminho dos dois metros, deram-te um arbusto mais baixo que o djaló (1,68 - 1,71). Podia ser pior – sei lá, deixa-me pensar nalguma coisa verdadeiramente bizarra... ah!, já sei, teres recebido o Celsinho de volta.

Ahahahaha.

Mas quando te perguntarem até onde desceu o clube para que, uma vez abordados pelo Sporting, o Trezeguet fuja para o todo-poderoso Hércules e o Morientes tenha deprimido ao ponto de terminar a carreira, frisa que redescobriste o valor do meio campo em losango, que, agora, ao fim de múltiplas experiências potencialmente suicidas de laboratório, já queres ver a equipa com bola, que o Matias passa - aleluia! - a ser o maestro e é preciso um substituto que também saiba pautar o ritmo da orquestra, que este Tales tem nome de história da carochinha e no mês passado não serviu para o Sporting de Braga mas serve para o de Portugal e aliás o Benfica também despachou o Deco e o Estrela da Amadora fez o mesmo com um tal de Ronaldinho, que este Tales é mesmo bom de bola e a prová-lo estão as mais que muitas internacionalizações pela canarinha, que metáforas a relacionar goleadores sem vontade própria e madeira não são mais do que isso mesmo, metáforas, e vai daí por vezes imprudentes, uma vez que Pinheiro até rima com Saleiro – boa?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

se aos 17 anos percebesse alguma coisa de música teria ouvido...

breves reflexões sobre o jesus...

"Canhece 3 ésleys no brasil, digo-lhe mais, canhece todes os jegadores do brasil e da venazuela e do peru, canhece todes, todes, mas..."


... o postiga

Certa tarde de domingo, a passear num parque com a mulher e o filho, o senhor postiga avista um campo de futebol de um clube das redondezas. Amante da modalidade, pega o bebé Hélder ao colo, entra com ele no relvado e aproxima-se de uma das grandes áreas. "Vês esta baliza pequerruxo? Habitua-te às dimensões dela: daquis a uns anos serás ponta de seta e é ali para dentro que tens de chutar as bolas, percebeste pequerruxo?".


e estacionamento.


("pshhé, postiga, tira a mão, postiga!")

sábado, 14 de agosto de 2010

Não há manhãs no Sudoeste


I

Andanças à parte, Pº regressou aos festivais de música uma década depois de ter visto os pagantes (e afins) do sudoeste alentejano despedirem os Oasis à pedrada. 15 minutos de concerto na Zambujeira do Mar. Ele próprio arrisca que terá arremessado o seu calhau. O que certamente o jovem advogado de 29 anos não contava era que, logo após chegar à praia da Nossa Senhora, onde se reuniu com amigos horas antes do arranque do último dia do 14.º Sudoeste com o desejo explícito de ver Beirut e outro mais escondido de colorar um pouco o seu tom de pele translúcido, um pedregulho repousasse escondido na areia bem a jeito de se deixar pontapear por um dedo do seu despreocupado pé, alegadamente o direito. De vermelho, aquele passou a inchado e depois balofo e roxo. Pº mancou toda a noite e regressou à mui catita casa de férias de Pª depois de suportar as dores arrastando-se estoicamente entre palcos, barracas de cerveja e desafogadores de bexiga. Aliás, as dores eram tais que, pela primeira vez desde que a memória o regista, perfeitamente fora de si, terá conseguido não falar do Benfica mais do que o estritamente conveniente. Houve quem agradecesse.

Sempre pronto a disparar o seu português afiado, ao abrir da pestana no meio dia seguinte, de tesoura em punho, N. lembrou a Pº o valor de uma mutilação bem executada. Assumia-se, inclusive, disposto a agir em consonância. Um exagero, como mais tarde se comprovou. Namorada de N., Pª empresta chão e simpatia mas não deixa ordens por boca alheia. É ela que corrije o álcool quando este sugere o continuar da noite para lá do convencional. Quem a rodeia ainda estrebucha, mas acaba por obedecer e seguir em fila-indiana rumo a casa. E shtttt!, nada de balir por causa dos vizinhos. Um rebanho afinal fofo.

Famoso pela sua distraída passagem ao longo da esfera terrestre, antes de chegar à Zambujeira do Mar, R. conseguiu deixar pendurada uma amiga a quem, numa noite de capirinhas em Alvor, prometera dar boleia até ao Alentejo. Na véspera até se portou bem e chegou a casa antes dos amigos. Obrigara-se a acordar cedo, fresco para seguir viagem. Mas não foram tais entendimentos que o impediram de, no dia combinado, acordar às 14h00, uma, duas, três, quatro horas para lá do toque do despertador, arrastando a amiga no interminável eixo Tunes-Portimão-Tunes-Zambujeira do Mar à boleia suada de automóveis nervosos e comboios acaracolados. 50 chamadas não atendidas e dormia ferrado. Na imaginação da amiga chegou a desenhar-se uma catástrofe e por isso ligou a amigos mútuos. Estes, por sua vez, também não conseguiam entrar em contacto com R. No fim, para alívio de todos - menos, aceitar-se-ia com alguma condescendência, da amiga -, tudo não passou de um mal entendido entre a realidade e o teimoso sono de R.

Fª faz os possíveis para não ser abraçável aos olhos de quem a rodeia. Com alguma razão de ser, o mais comum dos mortais poderá achar que o seu talento é, nesse sentido, transbordante. Terminado o festival, já no sonolento regresso à casa de Pª, achou por bem lembrar a Pº que, preparando-se ambos para adormecer em camas diferentes, não estavam estas suficientemente longe uma da outra para se notar que não estavam perto. Num arrepio colérico, sentiu vestígios de cumplicidade. E avisou-o: "Pº. estás muito perto". Com o seu estilo diplomata, Pº disfarçou a vontade de a atirar pela janela e afastou o seu colchão sete centímetros do sofá-cama onde Fª deitar-se-ia. Atento, R. quase se engasgou numa altura em que se esforçava por beber tanto água quanto aquela que pudesse. Recomposto, perguntou a Pª o que poderia ser feito para ocupar a manhã que se avizinhava, mal acordassem. Que o sol entraria com força pela casa dentro, abrindo pestanas. Adorável, Pª, cabelo cor de cerveja, desejou-lhe as boas noites depois de, como quem ensina, ripostar: "Não há manhãs no Sudoeste."

II

Canta-se melhor Beirut quando se está apaixonado ou bêbado, o que, vai daí, dá no mesmo. As palavras saem com mais verdade, os braços esticam-se e os corpos mais próximos abraçam-se para celebrar a vida. Quem, no Sudoeste, os viu sem conhecer, precisou de apenas três ou quatro músicas para entender que a música inventada pelo Zach Condon é de se adorar. Que a mesma tenha provocado algum tipo de reacção à morangolândia que se divertia no parque de diversões da Zambujeira é um feito de não pouco mérito.

eu, tu


procurar onde despejámos tudo o que não foi dito.

a minha melhor mentira, todas as vezes, para ti.

levar a sério o nosso parque de diversões.

nunca ser tarde, nunca ser tarde demais.

o meu melhor sorriso do melhor ângulo.

querer que me leias até nos apanhares.

ser eu menos vezes (um preço barato).

saberes-te beijada quando te olho.

passeares cá dentro, descalça.

tudo o que te disse sem dizer.

o peito a cavalgar sem rédeas.

levar em cheio com a tua luz.

adorar que adores a tua vida.

a tua gigantesca liberdade.

desesperar por te entreter.

perto mas longe mas perto.

demorar-me no teu retrato.

fazer-te poucas perguntas.

preferir que fosses outra.

completar as tuas frases.

o meu melhor número.

chamar-te pelo nome.

rir até poder chorar.

ver tudo mais claro.

sangrar isto tudo.

poder ser foleiro.

dizer-te que sim.

esta avalancha.

fodass.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

'I'd like to say thank you on behalf of the group and ourselves and I hope we passed the audition'


Até há um par de anos tinha um beatle favorito: o McCartney. Foi ele a compor a Blackbird e isso bastava-me. Do Harrison e do Ringo pouco sabia. Pareciam-me peças decorativas, injecções de normalidade na melhor banda que já existiu, comuns mortais como tu e eu. Menorizei-lhes o talento. Reduzi-os ao grande rebanho. Mereço arder no inferno.

Do Lennon alimentei a ideia de ter sido o génio criativo da banda, mas nunca lhe perdoei o facto de ter permitido que uma japonesa de olhar sinistro lhe tivesse desfeito todos os laços. Primeiro os afectivos (fim do casamento com Cynthia, a primeira mulher), depois os profissionais (fim dos Beatles). Esta última rotura é que me lixa. Qualquer coisa como aquilo que um amigo meu prevê que irá acontecer com a nossa amizade. “Vamos chatear-nos por causa de uma mulher”, repete-me.

Hoje, analisando por exemplo o Abbey Road, tenho para mim que as canções do Lennon são as mais afiadas



as do McCartney as mais dramáticas, as que aspiram a ser gloriosas



as do Harrison as mais belas



e as poucas do Ringo as mais descontraídas, deixam-te de bem com a vida



E deixei de ter um beatle favorito. Agora são todos.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Se te disser e fizer as coisas certas, provavelmente não gostarei de ti como gostarias que gostasse

Nunca soube lidar com as miúdas de quem gosto. Não foram muitas, também. Com as outras, as de ocasião, saco das cartas certas assim o momento exija. Faço bluff agora, jogo o ás de trunfo depois. É confortável. Corre bem. É um descanso.

Fitter, happier, more productive,
comfortable,
not drinking too much,
regular exercise at the gym
(3 days a week).


Com as outras, as que de facto me interessam – como aliás se pode atestar pelo maior peso da reflexão que a estas vou dedicar, por oposição às primeiras -, sou um desastre. Com as miúdas que me interessam geralmente penso, atrapalho-me e dou por mim a inventar um número para sair de cena com alguma dignidade. (Esta parte até nem costuma correr muito mal). Por vezes penso em não pensar mas depois vem-me ao pensamento que já é tarde demais. Com as miúdas que me interessam sinto o coração acelerar à velocidade com que perco a graça.

Tipo o Pantani na montanha,




ou o Bud Powell ao piano.



Com as miúdas que de facto me interessam sou dramático e sensível. O meu filme favorito deixa de ser a Laranja Mecânica ou o Voando Sobre um Ninho de Cucos e vejo-me a entrar de dedos entrelaçados com a minha amada numa daquelas comédias românticas com pouco romance e menos comédia. Aquelas que passam na televisão ao domingo à tarde, que se nos agarram à pele com visco. Já sabemos: no limite haverá ali um beijo guardado para a penúltima cena, antes de aparecer um separador com a indicação “five years later...” e surgirem várias famílias a confraternizar num barbecue sem álcool, com o plano depois a fechar na cumplicidade do enternecedor casal principal, que já tem dois filhos extremamente rebeldes no sentido católico do termo, e todos comem e sorriem no melhor dos sonhos americanos possíveis com as caçadeiras de cano duplo a arfar à entrada do alpendre. Esses filmes. Com as miúdas que realmente me interessam sou tão foleiro quanto possível e posso facilmente tornar uma canção charmosa do Sinatra num bicharoco que faria corar de orgulho a dupla romântica Miguel e André, ou Miguel & André, ou aqueles caramelos que um dia abandonaram a caixa do mini preço e se lembraram de partilhar connosco diversos temas de admirável calibre como ‘Falar de Amor (Eu preciso)’, ‘Eu Sempre te Amei’ ou ‘Toda a Vida para te Amar’. Já aconteceu. Às miúdas de quem realmente gosto nem eu me recomendava.

terça-feira, 27 de julho de 2010

três rapidinhas

estes dias de 40 graus derretem-me as estruturas e portanto tem-me dado para ouvir a 'Suffocation' dos Def Leppard, perdão, do mais recente disco dos Against Me!,



ver repetidamente como a poesia no chile é um posto,



e recordar a dupla comprador-vendedor mais convincente de sempre.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

lupa em cima deles


Acabaram os jogos a feijões. A partir de quinta-feira é a doer. Contra os dinamarqueses do nome impronunciável. Coisa para agoirar: a última vez que não consegui decorar o nome de um adversário do Sporting foi com o engenheiro Santos, há sete anos, e então levámos três pontapés no rabo de uma equipa turca. Em Alvalade. Eu estava lá. Bêbado. Tenho bom beber. Foi a minha sorte. E a daquela malta ali à volta. Correram-nos da Europa. Não se repetirá. Este ano, primeira novidade, os jogos a feijões não foram encarados a feijões, pelo menos aqueles que se seguiram à feijoada com a qual o PSG se empaturrou à nossa custa. Saldo após dez jogos no espaço de um mês: cinco vitórias, quatro empates e uma derrota. Podia e já foi (muito) pior.

(Isso de ter perdido nos penáltis com o Celtic não conta – foi empate).

Colectivamente, já se vêem ideias. Pelos dois médios de contenção passará tudo - na direcção da baliza dos outros, espera-se -, e percebe-se porquê quando o Pedro Mendes ou o Maniche tocam na bola. Presumo que o veloso saia. Mais cedo do que tarde estará a vestir vermelho ou azul. É o percurso natural da nossa xavalada, o processo evolutivo mais em voga. Também não tenho visto demasiado pontapé para a frente. O Polga e o Tonel vão sofrer. Dá-lhes cabo do juízo Paulo Sérgio!

Nas laterais fomos a Braga buscar gente capaz. Um veio em Janeiro, outro há umas semanas. São ambos demasiados bons para não exporem os respectivos suplentes e anteriores titulares à sua mais inútil insignificância. É um trabalho sujo comparar o João Pereira e o Evaldo ao Abel e ao Grimi. Compreendo-o. Mas alguém tem de o fazer.

Estava a falar do plano defensivo, mas eles atacam que se fartam. Mais à frente temos um rapaz chamado yannick que muito corre e pouco joga, mas de quando em vez mete a bola dentro da baliza certa e por isso é cobiçado por clubes de nomeada, dispostos a dar milhões por ele. O futebol é um lugar estranho.

Do chile, há um ano, chegou um craque adiado. Espera-se que dê certo este ano; com apenas semanas de casa anda lá outro que antes de pontapear uma bola de verde e branco já era um Angulo com sotaque mais cantado e de repente ei-lo a levar tudo à frente e a fazer golos em aventuras solitárias. A ala esquerda é do Valdés e já ninguém se vai lembrar do joelho do Izmailov.

Sobre o puto salomão há coisas giras a apontar, mas não se espera demasiado. Mais que o pereirinha, talvez, na certeza de que há ali ousadia, capacidade no um-para-um e pinta de rufia ao invés do rapaz que podia muito bem ser o-neto-que-vai-para-casa-da-avó-a-seguir-aos-jogos-comer-bicoitos-e-sorver-cafézinho-com-leitinho.

Sobre coisas boas estamos conversados. Agora as más.

O centro. Jesus, Maria, José - aquele centro. Do ataque, onde o Liedson já é mais problema que solução; da defesa, onde apenas um de cinco tem qualidade inegável para ser titular, e, já agora, da baliza. Ver ali o rapaz Patrício é uma aflição. Ouvi-lo também. Nada se aproveita.

Ah!, antes que me vá encostar, tenho gostado do postiga. Muito. Parece motivado, confiante e disposto a ser importante. É muito estranho escrever isto.

Os dinamarqueses que se cuidem.

terça-feira, 13 de julho de 2010

O melhorzinho do (meu) Alive!10


Para 2011 quero os Radiohead, uma tenda Super Bock maior e o Sporting campeão, se não for pedir muito.

Devendra Banhart

O bicho cortou o cabelo e já parece deste mundo. A música dele também, o que poderia não soar exactamente a elogio, mas acaba por ser. Isto se, para tal, tiver a coolness de fazer uma cover da não mui indie ‘Tell it to my heart’, da Taylor Dayne, dedicando-a à mãe. Há muita coisa na dita música alternativa que tem tudo menos de prioritária, talvez o Devendra tenha percebido isso. No te calles rapaz.

Florence and the Machine

Além de certamente ser responsável pelo fim de muitos casamentos sólidos, apenas por existir, esta miúda – 23 anos, ridículo - faz tudo certo em palco. Irresistíveis, as canções dela já nasceram para ser um triunfo ao vivo, com os coros do tamanho da vida e os repetidos ó-ó-óoos, mas sendo a ana dos cabelos ruivos versão supermodelo com voz de fada a cantá-las tudo ganha uma outra dimensão. Nesta música, dividida por dois vídeos, a malta perdeu de tal forma o controlo numa fase inicial que, deixando-se levar, criou e mutilou uma sequência de palmas em meio minuto. Dá para ver no primeiro vídeo que a própria Florence teve dificuldade em ligar a letra ao ritmo. Mas o que se perdeu em controlo ganhou-se em felicidade bruta, e, no fim do dia, é para isso que cá estamos. Por isso deixo aqui o segundo vídeo. Hora para levantar voo: 1m48s.



The Maccabees

Vá, é um bocadito fácil elogiares uma banda que entra em palco duas horas depois de teres entrevistado o vocalista - um moço sete estrelas, ainda por cima, que te oferece uma cerveja antes de carregares no rec e de seguida te convida para o acompanhares a ver os Hurts, como se fossem amigalhaços de sempre, o orlando weeks e tu, que depois chamas uma amiga tua, igualmente fã dele, e os três falam e tiram fotos, tudo normal, tudo fixe, e depois ficam os dois que já se conheciam porque o artista se despede com um até breve como quem nem gostaria que assim tivesse de ser. Mas quem conhece os Maccabees sabe do que eles são capazes, e por isso não há cá favores. Perto de mim, a meio do concerto, entusiasmado, um rapaz perguntou-me: ‘estes são espanhóis, certo?’. Respondi: ‘de londres, são de londres’. O amigo dele já lhe tinha dado um toque para correrem rumo ao palco Optimus, a 30 quilómetros deste onde estávamos, do Super Bock. Tocavam na outra ponta do recinto os Biffy Clyro. Acabou por ir sozinho.



Pearl Jam

Mesmo com o Eddie na fossa, agarrado a uma garrafa de vinho durante o concerto, mesmo a dar música quando pediu aos surfistas que apanhassem uma onda por ele assim que pudessem, pois de manhã já estaria a cruzar o Atlântico rumo a Seattle, rumo a casa, três semanas depois, e não poderia apanhá-las ele próprio, mas horas depois apanhou-as mesmo, pelos vistos na Ericeira, deixando-se fotografar, foi uma experiência que me tornou pequeno o peito, mais uma coisa resolvida no meu tempo. Cantar a Black entre 45 mil, uff..



LCD Soundsystem

Deus existe: tem 40 anos, barba cerrada e sabe tudo sobre isso de soltar o diabo nas pessoas quando tal se justifica. É um bom Deus e merece a caixa alta. Pena que não tenha ficado em palco até de manhã.