quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A Beira Alta pariu um diamante


Aquele querido mês de Agosto, de Miguel Gomes

Miguel Gomes quis muito ser português num plano: um dos últimos, onde filma de perto um lençol sarapintado ao primeiro encontro de ventres; entende-se a bisbilhotice na medida em que já o filmara, de outro ângulo, no plano anterior, depois de ter explicado ambos, previamente, quando o jovem protagonista, ladeado nos lençóis pela sua congénere feminina, rebolou para cima desta embalado pelo optimismo vespertino. “Oh, que exagero!”, exclamou alguém, chocada, algures na plateia – bem me contorci por decifrar o ícone, mas em vão -, com a doçura que uma gargalhada generalizada posteriormente anunciou.

Para trás, e no pouco que faltava até ao tombar dos créditos finais, fica uma caldeirada bem portuguesa de canções, triângulos amorosos e emigrantes quadrados que circunscreveriam com a mesma harmonia geométrica uma sala em Cannes ou Arganil (por arrojado que seja imaginá-las na localidade beirã). Para rememorar os clássicos da música ligeira portuguesa – ah, Marante! –, juntamente com a fauna do King, no que é um tremendo naco de cinema português, toca a reunir para ver “Aquele Querido Mês de Agosto”.

2 comentários:

Enes disse...

ando a tentar convencer alguém a vê-lo cmg...

Filipe A. Rodrigues, o fadista disse...

Vou ver isso amanhã...em princípio.

OFF TOPIC:

Quanto aos becos de Lisboa: não são pseudo, nem se trata de turismo. É fado, e está vivo. Esta semana?