quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Não é vandalismo, é desespero

Foram anos a fio de protestos, cartazes, manifestações, petições, cartas, entrevistas, marchas lentas, médias e assim-assim, tudo em vão. Nem PS nem PSD quiseram saber. Qual era a parte do “não temos alternativa à Via do Infante” que não tinham percebido? A EN125 é uma rua grande que une Vila Real de Santo António a Sagres. Não são precisos estudos para se perceber porque razão sempre lhe chamaram "estrada da morte". A Via do Infante é a comunicação que nos resta para que o Algarve sobreviva à sua vincada sazonalidade e não é, na sua génese, uma SCUT - apenas o troço Lagoa-Lagos preenche esses requisitos técnicos. Quem anda a destruir os pórticos da Via do Infante, da forma que o tem feito, inutilizando o sistema electrónico de pagamento de portagens, sabe o que está a fazer. É sinal de que, esgotada a via diplomática, o povo continua a querer ser ouvido. Deixou, isso sim, de ser sereno. Ir ao sótão sacudir o pó da caçadeira está longe de ser a opção ideal - é, simplesmente, a última. Os governos que nos estão a empurrar de volta à estrada da morte não podem dizer que não foram avisados.

4 comentários:

Martini Bianco disse...

Obviamente que todos os casos são complexos e toda a gente quer puxar a brasa à sua sardinha, e apesar de concordar que não existem alternativas, existem dois casos piores, que são a A 25 (Aveiro - Vilar Formoso) e a A23 (Santarém - Fundão > fronteira) se não me engano, pois ligam a Espanha e são conhecidas como "vias de exportação". Nessas extensões encontram-se especialmente fábricas automóveis e a portagem de qq veiculo classe 3 deve doer qualquer coisa. Ora, taxar vias que só irão encarecer as exportações de que tanto precisamos parece-me no mínimo uma aberração ou de quem não percebe nadinha de estratégia.

É certo que este povo usa e abusa do transporte rodoviário mas também é certo que os governos dos últimos 40 anos nada mais fizeram que apenas destruir todo o nosso histórico transporte ferroviário que tinhamos, trocando-o pelo poluente asfalto, com uma marca superior a 50 mil mortes em 3 décadas, ao nível do 3o mundo a nivel de sinistralidade e com os custos que todos sabemos agora, serem para pagar.
Lamento por todos os que serão prejudicados.
Isto nunca esteve tão bom para emigrar.

Pink Poison disse...

Sou Algarvia, embora more em LX à uns anos, vou a "casa" em média uma vez por mês e já sabia de muita gente, em especial os de Faro que prometia atolhar o tribunal com multas. O meu pai anda num carro que está em meu nome e fez isso. Não sou a favor, embora compreenda que, se é para uma, é para todas, porque a 125 é mesmo isso, uma rua mortal. Este Natal, vou ter qu epensar muito bem, os atalhos por onde vou andar, pois estou bastante habituada à via do Infante... Mas eu, sou um mal menor, a firma do meu pai, obriga quem lá trabalha a atravessar o Algarve diariamente, e o meu pai está a fazer contas, pois não pretende pagar. Agora pergunto eu: se todos fizerem como eu, como o meu pai, que lucro trará a A22 ao Estado?

Pink Poison disse...

* há

Rui Coelho disse...

não sei se vamos fazer todos isso.. o problema é esse. Da minha parte não entra no bolso do estado um cêntimo que seja. Já fiz a viagem entretanto, demorei quase mais uma hora, paciência. O problema é a firma do teu pai. No limite portajam as nacionais também. É roubo, é ir ao bolso como qualquer ladrão, só que sem espingarda - o estado não precisa disso.