quarta-feira, 13 de julho de 2011

Uma ou duas coisas sobre elas e eles


Certas coisas delimitam claramente a fronteira das naturezas feminina e masculina. Sabemos que elas, as mulheres, ficam a arder ali antes da menstruação e andam por aí especialmente rabugentas e carentes e precisam de um parceiro, e que depois chegam as cólicas e sofrem muito sem abrir a boca sobre os motivos. Cabe a nós, homens, adivinhar do que se trata sem fazer grandes perguntas sobre um assunto incómodo e abraçá-las em conchinha e dizer que faremos o jantar, mesmo que seja bife com batatas fritas (se forem congeladas estamos a pôr-nos a jeito) ou que elas ouvindo o que no fundo querem nem nos deixem aproximar do fogão com receio de alguma calamidade. Mas é bom dizer.

Sabemos que nós, homens, carregamos a bandeira (o fardo?) do pragmatismo e não gostamos de dissecar tudo o que mexe e que por vezes (vá, muitas) uma cerveja na mão ou uma bola a saltar à nossa frente ou na televisão é o suficiente para estarmos bem.

Mas interessa-me muito mais o que nos une do que aquilo que nos separa, Rui Veloso, e acho que até somos mais parecidos do que à partida parece - fora o óbvio, o físico, o que salta à vista.

Mulheres ou homens, comprometidos ou não, precisamos de um qualquer flirt regular para nos entreter, algo que mantenha constante a sensação de sermos desejados. Muitas vezes até fazemos publicidade sem querer vender, mas passamos aquela mensagem de que o negócio até seria possível. E um dia será.

Ver ex-namorada(o)s felizes com terceira(o)s é, não me lixem, faca a desbravar entranhas. A posse nunca se esvai totalmente. “Não guardo rancor, só quero que sejas feliz” o tanas pá!, que a nossa vontade é de a(o)s ver miseráveis a rastejar aos nossos pés, implorando o “tentar outra vez”.

E quando gostamos, gostamos mesmo. Vale tudo. Regressamos ao instinto-guia, de animais que somos. Trair ou forjar traição? Claro, se necessário. Somos juizes em causa própria. O bom senso, a fidelidade, isso fica para os outros. Nada detém um peito a cavalgar de paixão. O gesto ou palavra certos da pessoa proibida e fica-nos logo a apetecer, é um desgoverno. E o amor é mesmo cego.

14 comentários:

Martini Bianco disse...

O amor, ou melhor, a atracção é que é um desgoverno :)

Interessante dissertação sobre os sexos e as formas como dizemos as coisas e a sua contradição face ao que realmente sentimos.

Cat disse...

Gosto mesmo de te ler. Pronto. Era isto.
(hoje não me dá para mais)

Pedro e Inês disse...

O mais importante é ter consciência que não basta gostar. Podes gostar muito mas se com ela(e) não estiveres bem, em sintonia, confiante e com vontade de estar sempre com essa pessoa(durante anos!)então esquece...
E como fazer para que isso aconteça? Pois, não que eu tenha os dons do "bruxo de Fafe" mas acredito (pela minha experiência de vida...ainda sou uma jovem mas sei do que falo) que quando duas pessoas conversam sobre aquilo que está bem, mal ou mais ou menos e fazem por construir uma relação melhor..venha o Diabo envenenar que nada acontece à ligação tão forte que existe! É preciso construir relações! Farto-me de dizer isso porque acho que é aí que está o segredo de duas pessoas serem felizes...dar o braço a torcer...umas vezes eu, outras vezes tu!

Gostei muito do teu post.
Beijinhos Inês****

Rui Coelho disse...

Martini: desgovernos é mesmo o que se quer;

Cat: deu para o suficiente, sweet*

Pedro e Inês: that's it - é o diálogo, falar, não deixar nada por dizer, mesmo que na altura se digam umas barbaridades.

pink poison disse...

Ai a tesão e as horas "H"... descarrilham tudo!

Di Almeida disse...

E tens feito os TPC? :)

*

http://www.youtube.com/watch?v=GxW3Ed7GrhQ

Mars disse...

Escreves mesmo bem, gosto imenso ;)

Rui Coelho disse...

Pink: desencarrilha mas diz-nos que estamos vivos.

Dianaaa: ñ esperava noticias de ti até ao fim do mês m'lhér! Trabalhos de casa com bigode quase completos, tudo oleado no regresso do Meco. Mas que blues desses miúdos! boas viagens*

Mars: olée vou andar a espreitar o teu tasquinho também*

Isis disse...

És um querido (espero que não sejas daqueles homens que detestam "ouvir" esta expressão). Gostei muito do post :)
Beijo

Rui Coelho disse...

Isis: detesto pouco coisa - pombos, carros em segunda fila, gente chata, reggaeton.. - e isso garanto-te que não faz parte da lista.

Beijo pra ti e agora vou comer pó até domingo*

Ana Roman disse...

Pelas coisas que quase são, mas não são. Pela angustia da palavra não dita e aos cegos de amor...um brinde! pois nessa vida "Nada detém um peito a cavalgar de paixão.."

:*

Rui Coelho disse...

(L)

Ana Roman disse...

(L)is the answer.

i disse...

nem mais.